Greve na Foxcoon, iPhone 5 muito exigente, dizem trabalhadores

Trabalhadores chineses montam componentes eletrônicos numa das fábricas da gigante da tecnologia taiwanesa Foxconn, em Shenzhen, China, em 2010. (AFP/Getty Images)

Milhares de trabalhadores de uma fábrica da Foxconn no norte da China, que fabrica componentes para o iPhone 5 da Apple entraram em greve, com muitos dizendo que as exigências de qualidade são simplesmente muito altas, informou um grupo de direitos do trabalho.

Nos últimos anos, tem havido grandes protestos e motins nas instalações da Foxconn, incluindo um que envolveu milhares de trabalhadores numa fábrica em Taiyuan. Houve também numerosos suicídios. Também houve explosões em duas instalações.

O grupo ‘China Labor Watch’ (CLW), baseado em Nova York, disse que a greve na fábrica de Zhengzhou, localizada na província centro-norte de Henan, começou na sexta-feira e envolveu 3 a 4 mil trabalhadores da Foxconn.

“Esta greve é um resultado do fato de que estes trabalhadores simplesmente estão sob muita pressão”, disse Li Qiang, chefe do CLW, num comunicado.

“Múltiplas linhas de produção do iPhone 5 de vários edifícios da fábrica estavam em estado de paralisia durante o dia inteiro” na sexta-feira, disse a CLW, citando trabalhadores da fábrica.

Os trabalhadores disseram ao grupo de trabalho que a Foxconn exigiu que eles trabalhassem no feriado e aumentou excessivamente as rigorosas exigências sobre qualidade do produto sem oferecer treinamento para as habilidades necessárias para concluir o trabalho, levando os trabalhadores a produzirem insatisfatoriamente e colocando mais pressão sobre eles. O grupo disse que tanto a gestão da fábrica como a Apple aumentaram as exigências de qualidade sobre os trabalhadores.

“Com tais demandas, os funcionários nem sequer poderiam produzir iPhones que atendessem o padrão”, disse a CLW. “Os inspetores de controle de qualidade [da Foxcoon] entraram em conflitos com os trabalhadores e foram agredidos várias vezes pelos trabalhadores”, disse a CLW. “A gestão de fábrica se fez de surda às reclamações sobre esses conflitos e não tomou medidas corretivas.”

Houve também uma luta entre trabalhadores e inspetores de controle de qualidade que causou danos numa das salas de inspeção da fábrica, ocasionando um número de internações, disse o grupo. Na semana passada, os inspetores receberam ameaças e quando esses problemas foram relatados à gestão, eles os ignoraram e não fizeram nada a respeito.

Os problemas de produção, somados a obrigação de trabalhar no feriado, provocaram uma interrupção do trabalho em grande escala na fábrica, com trabalhadores e inspetores participando.

A Foxconn negou que qualquer greve tenha acontecido em Zhengzhou, dizendo que os distúrbios ocorreram no início da semana, que foram pequenos e resolvidos imediatamente.

“Todos os relatos de que houve uma greve de funcionários são imprecisos”, disse a Foxconn à Reuters por e-mail. E acrescentou que, “Não houve qualquer paralisação do trabalho na fábrica ou em qualquer outro estabelecimento da Foxconn e a produção continuou conforme programada.”

Segundo o website CNET, a fábrica de Zhengzhou emprega cerca de 190 mil pessoas. “Os empregadores sempre dizem que pessoas de fora querem um emprego”, disse um empregado da Foxconn à CNET, “e as pessoas lá dentro querem sair.”

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