Governo interino da Bolívia nega perseguição política contra Evo Morales

Por Agência EFE

La Paz, 11 set – O governo interino da Bolívia negou nesta sexta-feira ter usado o sistema de justiça para qualquer tipo de perseguição política contra o ex-presidente Evo Morales, ao contrário de um relatório da Human Rights Watch (HRW).

“Rejeitamos categoricamente o ponto que se refere a uma suposta perseguição política usando a justiça contra Evo Morales”, disse o Ministro da Presidência interino, Yerko Núñez, em uma entrevista coletiva em La Paz.

Núñez pediu que fosse lembrado que o Movimento ao Socialismo (MAS), partido de Morales e que tem uma maioria no parlamento do país, pré-selecionou todas as principais autoridades do órgão judicial e que de fato é cooptado por apoiadores do ex-chefe de Governo.

O relatório da ONG de direitos humanos estabeleceu entre algumas de suas conclusões que o governo interino abusa do sistema de justiça para perseguir os partidários de Morales e que a acusação contra ele por suposto terrorismo, punido com 20 anos de prisão, não é proporcional e deve ser retirada.

O processo por terrorismo foi aberto após um telefonema, em novembro passado, no qual o ex-presidente, então asilado no México, teria instruído um líder sindical a organizar bloqueios de estradas e cortar o fornecimento de alimentos para as cidades bolivianas. “Qual é o nome do homem que pretende matar de fome milhões de seres humanos”, perguntou-se Núñez.

O ministro interino disse que, em última instância, a queixa por terrorismo deve ser analisada pelas autoridades competentes. Entretanto, destacou aspectos do relatório da HRW que se referem a um enfraquecimento da justiça durante o governo de Morales e garantiu que o governo interino iniciou ações para garantir independência, imparcialidade e integridade judicial.

Para fazer o relatório, a Human Rights Watch teve acesso a 1,5 mil páginas do arquivo judicial contra Morales e realizou cerca de noventa entrevistas. O texto se refere ao fato de que muitos processos criminais contra quase uma centena de apoiadores de Morales por várias razões se baseiam em objetivos políticos.

 

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