Publicado em - Atualizado em 15/08/2017 às 12:22

Governo chinês cerceia liberdade na internet, mas resistência continua

Esforços foram feitos para bloquear VPNs usadas por 200 milhões de chineses

Um homem usa um computador num cibercafé em Pequim em 1º de junho de 2017 (Greg Baker/AFP/Getty Images)

Um homem usa um computador num cibercafé em Pequim em 1º de junho de 2017 (Greg Baker/AFP/Getty Images)

Atualmente, o governo chinês busca formas de pôr fim aos programas que abrem uma janela para o mundo aos internautas chineses, mas os desenvolvedores de softwares e os próprios internautas estão trabalhando para desenvolver soluções que continuarão a enfraquecer a censura do regime.

As Redes Privadas Virtuais (Virtual Private Networks – VPN) são bastante utilizadas pelos chineses para driblar o Grande Firewall, apelido dado ao sofisticado sistema construído pelo governo chinês para censurar e monitorar o tráfego on-line, tanto dentro da China quanto para fora do país. Estima-se que 30%, ou por volta de 200 milhões dos 700 milhões de internautas chineses, utilizam-se de VPNs para acessar websites estrangeiros ou conteúdo on-line que, de outra forma, estariam bloqueados.

Fazendo uso de uma VPN, os internautas chineses podem ludibriar o Grande Firewall, induzindo-o a crer que eles estão acessando a rede de fora da China, permitindo que acessem a Web sem ser detectados e, portanto, sem censuras. No entanto, o uso de VPN traz, muitas vezes, custos extras e inconveniências aos usuários. Também pode acabar revelando suas informações pessoais aos servidores de VPNs fora da China.

No passado, o governo chinês tentou várias vezes impedir o uso de VPNs. Contudo, devido à natureza dessas redes, essa censura acaba afetando os provedores mais populares, enquanto os usuários mais determinados eventualmente encontram uma nova rede para continuar furando o bloqueio.

Ao final de julho, o Ministério da Segurança Pública emitiu uma ordem nacional a todas as agências locais de censura e forças policiais para iniciar uma nova onda de repressão ao uso de VPNs. A ordem tem como alvo especificamente os programas de evasão mais populares, como o Freegate, Ultrasurf, Lantern e Psiphon, rotulando-os de obra de “forças estrangeiras hostis”.

Relatórios que estão sendo divulgados sobre a China indicam que a renovação dessa repressão já fez suas vítimas, pois internautas chineses não conseguem mais acessar o Youtube, Gmail, Instagram ou Twitter através dos programas e servidores de VPN a que eles recorriam. Também há informações de que um desenvolvedor de um aplicativo de VPN foi preso.

No mês de julho, a China também passou a agir para bloquear o WhatsApp, um dos últimos aplicativos privados de mensagem que não estava completamente sujeito à censura e vigilância do governo chinês.

A jornada continua

Todavia, muitos especialistas dizem que essa repressão renovada sobre as VPNs possivelmente seja uma medida temporária, posto que as restrições mais duras, se mantidas por muito tempo, causará efeitos negativos no comércio internacional chinês, bem como na troca de tecnologias com o mundo exterior.

Alguns desenvolvedores de programas de evasão e servidores de VPN prometeram continuar a jornada contra a censura. Bill Xia, criador e CEO do Freegate, um dos programas visados pela medida do governo, contou ao Epoch Times que a nova onda de repressão ao seu programa oferece novas oportunidades para mais pessoas tomarem conhecimento da censura na China. Xia disse que os programas de evasão são amplamente usados por agências do governo chinês e por escolas no país.

Nós desenvolvemos o Freegate pensando nos usuários chineses, e estamos sempre trabalhando para aprimorá-lo continuamente”, disse ele. “A quantidade de usuários na China que estão ativamente se evadindo da censura na internet cresceu tanto, que o Partido Comunista Chinês não consegue mais saber quem de fato está fazendo isso.”

Muitos especialistas disseram que a censura à internet pelo governo chinês vai contra a própria natureza da Rede, criada e desenvolvida para conectar o mundo todo. Xie Wen, ex-executivo da filial chinesa da Yahoo, disse à NTD Television que o governo chinês está tentando transformar a internet na China de uma rede que leva a toda parte para “uma rede que leva a lugar nenhum”.

Alexander Klimburg, diretor no Centro de Estudos Estratégicos da Haia (The Hague Centre for Strategic Studies), em um evento em julho no Atlantic Council, disse que os regimes autoritários, como a China, querem mudar significativamente a forma como a internet é administrada, porque percebem “a informação como ameaça e arma”.

Klimburg, que recentemente escreveu o livro ‘Cyber Risk Monday: The Darkening Web – discutindo em detalhes a censura da internet na China’, disse que o governo chinês vê a internet como uma ameaça ao seu regime de partido único. Ele afirmou que a China quer alcançar um nível de controle sobre a internet que os permitirá “bloquear o acesso ao New York Times, ou derrubar os websites sobre o Falun Gong”.

O Grande Firewall da China, originalmente criado como um sistema de censura visando aos internautas chineses, se desenvolveu a tal ponto que agora é oficialmente usado como arma, podendo atacar países estrangeiros e internautas no ciberespaço, de acordo com o novo livro de Klimburg.

Leia também:
Uma vida dedicada à verdade vem com grandes riscos na China
China poderá controlar internet global após 1º de outubro
Sob véu da segurança cibernética, China planeja governar internet global
Maior rede de mídia social cai na China e redireciona para software anticensura
Relatório de liberdade na internet classifica China no fim da lista

Todo conteúdo deste site está publicado sob a Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada. Para reproduzir a matéria, é necessário apenas dar crédito ao Epoch Times em Português e para o repórter da matéria.
Leia a diferença. Epoch Times Todos os direitos reservados © 2000-2016