Governo boliviano anuncia julgamento contra Evo Morales por ‘ecocídio’

Morales foi acusado pelo Ministério Público boliviano no Tribunal Penal Internacional de Haia

Por Agência EFE

O governo interino da Bolívia anunciou nesta quarta-feira outro processo contra o ex-presidente Evo Morales, desta vez um julgamento de responsabilidades pelo que considera um “ecocídio” devido aos incêndios florestais do ano passado.

O executivo provisório argumenta que um decreto “criminoso” aprovado por Morales levou à queima de mais de cinco milhões de hectares, e considera a atitude como um atentado contra a vida, “um crime” pelo qual deve ser julgado, disse o ministro em exercício da Presidência, Yerko Núñez à mídia.

O ministro interino afirmou em entrevista coletiva em La Paz que o ex-presidente e “seus ministros” devem comparecer a um julgamento de responsabilidade, mecanismo previsto no país para processar o presidente por uma série de crimes.

O decreto “do ecocídio” que autorizava as queimadas para fins agrícolas na região oriental de Santa Cruz e na Amazônia de Beni será revogado, frisou, para evitar um “desastre” como o de um ano atrás.

Núñez fez essas declarações logo após a presidente de transição do país, Jeanine Añez, anunciar a declaração de emergência na Bolívia em face dos incêndios.

Añez viajou ao município de San Ignacio de Velasco, um dos afetados pelo incêndio de Santa Cruz, onde lembrou que as queimadas já estavam proibidas desde agosto nesta região e em Beni.

A presidente interina se comprometeu a evitar o desastre ambiental do ano passado, recorrendo a “tudo” o que era necessário para apagar as chamas, e criticou o “duplo padrão” de seu antecessor, observando que em organismos internacionais ele defendia a Mãe Terra enquanto “não se importava” quando estava no país.

O governo interino anunciou uma reunião esta tarde, hora local, com a cooperação internacional presente na Bolívia, para pedir ajuda, e estimou o número de hectares queimados até agora este ano em cerca de 717.000, cerca de 50.000 de florestas, números que assegurou são muito menores aos de 2019.

A região de Santa Cruz declarou emergência devido a cerca de vinte incêndios em áreas como Chiquitânia, uma área de transição entre o Chaco e a Amazônia onde um incêndio ameaça uma das principais reservas naturais do país, o Parque Nacional Noel Kempff Mercado, declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

Desde que assumiu temporariamente o poder em novembro passado, o Governo provisório da Bolívia acusou Evo Morales de crimes contra a humanidade no Tribunal Penal Internacional de Haia e outros como genocídio, terrorismo e sedição perante o Ministério Público boliviano que expediu várias ordens para que comparecesse ao país para diversos processos, já que o ex-presidente está na Argentina, onde pediu refúgio.

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