Governo argentino propõe taxar grandes fortunas para ter fundo contra Covid

Por EFE

Buenos Aires, 28 ago – O governo da Argentina enviou nesta sexta-feira um projeto de lei ao Congresso com o qual pretende arrecadar cerca de 300 bilhões de pesos (cerca de US$ 3,85 bilhões) através de um imposto extraordinário sobre grandes fortunas para cobrir despesas estatais na luta contra a pandemia do novo coronavírus, entre outras medidas sociais.

Segundo a proposta, o imposto será aplicado apenas uma vez e teria como contribuintes pessoas com um patrimônio declarado de mais de 200 milhões de pesos (US$ 2,5 milhões).

O projeto de lei foi apresentado pelo deputado Carlos Heller e pelo líder do partido governista Frente de Todos na Câmara, Máximo Kirchner, filho da ex-presidente e atual vice Cristina Kirchner.

Cerca de 12 mil pessoas com grandes fortunas seriam alcançadas por esta taxa, que, se aprovada, terá base de 2% e aumentará de acordo com o tamanho do patrimônio.

Além disso, contribuintes que estiverem dentro da faixa de cobrança e tiverem bens no exterior terão que pagar uma alíquota 50% maior, de acordo com a iniciativa do governo.

FUNDO PARA ENFRENTAR A PANDEMIA

O valor arrecadado com o imposto extraordinário será usado para “comprar equipamentos de saúde para enfrentar a pandemia, apoiar as pequenas e médias empresas com subsídios e créditos e desenvolver bairros populares com obras que empregam os moradores”, informou a Frente de Todos em comunicado.

O governo também disse querer usar o imposto para realizar obras, equipar a petrolífera estatal YPF para produzir e envasar gás natural e pretende ainda financiar um relançamento de um plano que concede subsídios estudantis a jovens.

“Há um consenso global de que os mecanismos tradicionais de cobrança de impostos foram severamente afetados pela queda de atividade econômica, e é necessário, ao mesmo tempo em que se corrigem os problemas estruturais, adotar medidas de emergência”, diz o comunicado do partido governista.

Ainda segundo o texto, a contribuição permitiria um alívio nas contas em um ano em que organizações multilaterais e analistas estimam que a atividade econômica argentina sofrerá uma queda acentuada, dentro de um aprofundamento da recessão que o país vive desde meados de 2018.

“Com as previsões de agosto, os gastos e investimentos que o país terá que fazer para atender às consequências da pandemia chegam a 870 bilhões de pesos (US$ 11,153 bilhões)”, e a contribuição extraordinária, “em comparação, representa apenas 34% deste enorme esforço que todos os cidadãos estão fazendo por meio do Estado”, acrescenta o comunicado.

EM BUSCA DE UM SISTEMA TRIBUTÁRIO PROGRESSIVO

Máximo Kirchner, filho dos ex-presidentes Néstor e Cristina Kirchner, declarou que “a ideia fundamental do projeto é trazer equilíbrio a uma sociedade que se desequilibrou nos últimos quatro anos através de benefícios que o governo anterior (de Mauricio Macri) concedeu àqueles que têm mais e nunca serviram ao povo como um todo”.

“O projeto não é contra nenhum argentino, mas a favor do todo”, frisou o líder do governo na Câmara dos Deputados.

Já o presidente da Câmara, Sergio Massa, advertiu que “a Argentina tem um sistema tributário regressivo.

“Temos que construir um sistema progressivo”. O esforço deve estar relacionado à renda. Quem pode pagar menos, é quem paga menos. Aquele que pode pagar mais, paga”, disse o parlamentar peronista.

 

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