Publicado em - Atualizado em 08/08/2017 às 17:43

Gleisi e Paulo Bernardo são indiciados por corrupção e lavagem de dinheiro

Polícia conclui inquérito sobre uso de dinheiro de propina da Odebrecht em campanha ao Senado em 2014

Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo (Arquivo/Agência Brasil)

Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo (Arquivo/Agência Brasil)

A Polícia Federal concluiu, no inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) aberto para apurar fraudes durante a campanha eleitoral para o Senado, em 2014, que a senadora Gleisi Hoffmann (PR), presidente nacional do PT, e seu marido, o ex-ministro Paulo Bernardo da Silva, também do PT, praticaram corrupção passiva e lavagem de dinheiro. As investigações se basearam na delação da Odebrecht.

Os resultados do inquérito foram apresentados pela PF nesta segunda-feira (7). O relatório será anexado ao processo e irá para o Ministério Público Federal, que vai decidir se fará denúncia contra a senadora, detentora de foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal (STF) ou se pedirá que o inquérito seja arquivado.

De acordo com a PF, em fevereiro de 2016, documentos foram achados na residência de uma secretária do setor de operações estruturadas – que ficou conhecido como “departamento da propina” – da construtora Odebrecht. Entre os documentos, havia planilhas com a menção de dois pagamentos de R$ 500 mil a uma pessoa de codinome “Coxa”, junto com um número de celular e um endereço de entrega.

Descobriu-se através da investigação que o número de telefone era de um dos sócios de uma empresa que realizou serviços de propaganda e marketing na campanha da senadora.

A PF constatou mais seis pagamentos no mesmo valor e outro de 150 mil reais feito em 2008, além de duas parcelas de R$ 150 mil pagas em 2010. De acordo com a corporação, também foi descoberto onde os pagamentos foram feitos e os responsáveis por transportar o dinheiro.

Segundo a polícia, essas listas já haviam sido entregues anteriormente pela construtora quando foi firmado o termo de colaboração premiada.

“Há elementos suficientes para apontar a materialidade e autoria dos crimes de corrupção passiva qualificada e lavagem de dinheiro praticados pela senadora, seu então chefe de gabinete, Leones Dall Agnol e seu marido, Paulo Bernardo da Silva, além dos intermediários no recebimento, Bruno Martins Gonçalves Ferreira e Oliveiros Domingos Marques Neto”, assegura a PF.

De acordo com a corporação, “os autos também comprovam que a parlamentar e seu marido, juntamente com Benedicto Barbosa da Silva Júnior e Valter Luiz Arruda Lana, foram responsáveis pelo cometimento de crime eleitoral (artigo 350 do Código Eleitoral)”.

A PF também denuncia os ex-diretores da Odebrecht Benedicto Barbosa da Silva Júnior e Valter Luiz Arruda Lana de terem participado do crime eleitoral de caixa dois, previsto no artigo 350 do Código Eleitoral (“omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, para fins eleitorais”).

Gleisi já é ré em uma ação penal do Supremo Tribunal Federal juntamente com o marido, Paulo Bernardo, e o empresário Ernesto Kugler. Eles são acusados de solicitação e recebimento de R$ 1 milhão desviados em esquema de corrupção na Petrobras para a campanha de Gleisi ao Senado, em 2010. Conforme atualização, a PF confirmou o recebimento da propina pela senadora.

As testemunhas estão sendo ouvidas, e a senadora deverá ser interrogada no final do mês. Existe a possibilidade de que o julgamento aconteça ainda em 2017.

Outro lado

Em comunicado, o advogado da senadora afirmou que “a defesa entende que não há elementos nos autos que autorizem a conclusão alcançada pela Polícia Federal. Não foi praticada qualquer irregularidade pela Senadora”.

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