Publicado em - Atualizado em 13/11/2014 às 23:21

Gás lacrimogênio usado em Istambul é fabricado no Brasil

Cápsula de gás lacrimogênio usada contra multidão na Turquia traz inscrição 'Made in Brazil' (Facebook)

Fotos de artefatos ‘Made in Brazil’ encontrados na Praça Taksim Gezi se espalham pela rede
Cápsula de gás lacrimogênio usada contra multidão na Turquia traz inscrição 'Made in Brazil' (Facebook)

Cápsula de gás lacrimogênio usada contra multidão na Turquia traz inscrição ‘Made in Brazil’ (Occupy Gezi / Facebook)

RIO DE JANEIRO – Imagens circuladas nas redes sociais indicam que o gás lacrimogênio usado pela polícia turca na repressão a uma manifestação que ocorre há nove dias numa praça em Istambul é fabricado no Brasil. As fotos divulgadas por manifestantes mostram que artefatos recolhidos do chão trazem impressas a bandeira brasileira e a inscrição ‘Made in Brazil’.

A empresa brasileira Condor Tecnologias Não-Letais S.A., com sede no Centro do Rio de Janeiro, confirmou a informação. “A Turquia é um dos países para os quais a Condor exporta, mas a polícia turca compra esse tipo de equipamento também de outros fornecedores, entre eles americanos e coreanos”, afirmou em nota.

Sobre a escalada de violência, a compainha afirmou que “os produtos não letais são projetados especificamente para incapacitar temporariamente as pessoas, sem causar-lhes danos irreparáveis ou morte. A posição da Condor é que o material não pode ser empregado fora desse propósito.”

A assessoria de imprensa do Itamaraty confirmou ao Epoch Times que empresas brasileiras exportam produtos de defesa não-letais para a Turquia, como o gás lacrimogênio utilizado pelas forças policiais de Istambul contra civis. Quanto às violações dos direitos humanos, o Ministério das Relações Exteriores informou que não comenta assuntos internos de outros países. “Da mesma maneira que as autoridades turcas não se manifestam sobre a política interna do Brasil, o Itamaraty não se manifesta sobre os assuntos da Turquia.”

Entre os dias 8 e 10 de maio deste ano, empresas internacionais do setor, incluindo as brasileiras Condor, BCA, CBC, Embraer, Emgepron e Nightlaser, expuseram seus produtos na 8ª Feira Internacional de Defesa e Segurança (LAAD Security & Defense), em Istambul, que contou com a visita do ministro da defesa turco Ismet Yilmaz.

Organizada também pela Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abinde), a feira reúne empresas especializadas no fornecimento de equipamentos, serviços e tecnologia para as Forças Armadas, polícias, forças especiais e segurança corporativa.

Em dezembro de 2011, imagens de cápsulas do gás ‘Made in Brazil’ usado na violenta repressão aos protestos por mais liberdade política na Praça da Pérola em Manama, Bahrein, no Golfo Pérsico, também se difundiram pelas redes sociais.

Escalada do autoritarismo

A manifestação em Istambul começou em 27 de maio de 2013, contra a derrrubada de árvores centenárias da Praça Taksim Gezi, no centro de Istambul, para a construção de mais um shopping center. Diante da severa repressão policial, o protesto ganhou aderência popular massiva, incluindo grupos de oposição ao governo, e se espalhou pelo país.

A resposta do governo desencadeou o que a mídia local definiu como a mais alarmante escalada de violência dos últimos 11 anos, resultando, segundo a BBC, em dezenas de milhares de feridos e intoxicados.

A socióloga e praticante de yoga Ece Temelkuran também denunciou em seu blog ‘İnsanlik Hali‘ (‘A Condição Humana’) a censura dos meios de comunicação do país sobre o masssacre. “A grande mídia continuou passando Miss Turquia e ‘O gato mais estranho do mundo’”, relatou.

Polícia ataca a multidão usando bombas de gás lacrimogêneo. A mulher de vermelho torna-se o ícone do movimento (Occupy Gezi / Facebook)

Polícia ataca a multidão usando gás lacrimogêneo. A mulher de vermelho torna-se o ícone do movimento (Occupy Gezi / Facebook)

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