Funcionários em greve numa fábrica em Shanghai fazem administradores de refém

Trabalhadores numa fábrica de eletrônicos em Shanghai durante protestos recentes, após a nova gerência assumir e instituir medidas severas sobre os funcionários (Tecent Weibo)

Os funcionários de uma fábrica de eletrônicos de Shanghai, que recebeu uma nova gestão, entraram em greve em 18 de janeiro, sitiando a fábrica e detendo 18 administradores dentro de um quarto por dois dias.

Funcionários da ‘Shanghai Shenming Electric Motor Ltd.’ protestavam contra 49 novas “regras de intimidação” instituídas pela nova administração chinesa que assumiu o lugar dos ex-proprietários japoneses.

Uma multidão de trabalhadores manteve 10 executivos japoneses, incluindo Hideaki Tamura, o presidente da Shinmei Electric, e oito oficiais do Partido Comunista Chinês, presos na fábrica até 19 de janeiro, segundo o Japão Daily Press. Um oficial teria perdido a consciência devido à hipertensão. Os gerentes japoneses ainda estavam na empresa porque a transferência para os novos donos chineses não estava completa.

A polícia chegou na noite de segunda-feira e resgatou os gerentes reféns. “Naquela noite, as autoridades enviaram paramédicos pela primeira vez para carregarem o gerente com a desculpa de que ele precisava ver um médico, seguiram com a evacuação dos outros gerentes e, finalmente, enviaram mais de 300 policiais de choque para a cena que atacaram com cassetetes de borracha qualquer um que estivesse sob seu alcance”, disse um funcionário chamado Liu ao Epoch Times.

Liu acrescentou, “A polícia ordenou que as funcionárias se agachassem no chão e agrediram as que se recusaram. Ao todo, cinco foram presas, uma foi severamente espancada e outra mulher teve três costelas quebradas. Todas as trabalhadoras estavam desarmadas. Elas pediram ajuda à mídia, mas ninguém se importou. A polícia forçou os fotógrafos a apagarem as fotos da polícia batendo nos trabalhadores. As funcionárias apelaram ao governo da cidade ontem [20 de janeiro], mas sem resultado. A fábrica permanecia fechada até 21 de janeiro.”

A greve foi precipitada por regulamentações adicionais na companhia, instituídas pelos novos donos, que os funcionários julgaram severas demais e se recusaram a obedecer.

Um funcionário chamado Sr. Chen deu alguns exemplos, “Por exemplo, um trabalhador será punido com uma dedução de 50 yuanes em seu salário se se atrasar para o trabalho pela primeira vez e será demitido se se atrasar novamente. Funcionários têm apenas dois minutos para ir ao banheiro ou fazer um telefonema e podem ser demitidos se levarem mais tempo do que isso. Câmeras instaladas monitoram os funcionários constantemente. Os salários da empresa, 1.500 yuanes por mês, são muito baixos para Shanghai e é difícil sobreviver com isso. Se os trabalhadores violam os novos regulamentos e são multados, fica ainda mais difícil. Não admira que logo que as novas regras tenham sido anunciadas, os trabalhadores tenham ficado chateados. Esta greve é o resultado de problemas e ressentimentos acumulados de longo data.”

Outro funcionário disse ao Diário da Manhã do Sul da China, “Os trabalhadores temiam não desfrutar mais dos benefícios acumulados pelos anos anteriores de trabalho na fábrica, após assinarem um novo contrato durante a aquisição pela empresa chinesa de Dalian, província de Liaoning.”

A empresa, fundada em 1988, era originalmente uma joint venture sino-japonesa. A empresa fabrica principalmente micro-interruptores, capacitores ajustáveis, bobinas eletromagnéticas e outros produtos eletrônicos, que são usados em computadores e equipamentos de comunicações.

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