Funcionário chinês sentenciado por corrupção é culpado de violações dos direitos humanos

O funcionário sentenciado por corrupção mais recentemente na China cometeu crimes muito mais hediondos em sua carreira.

A campanha anticorrupção do líder chinês Xi Jinping deteve Wu Sha, o ex-chefe da polícia e secretário do Partido Comunista Chinês no Comitê Central dos Assuntos Político-Legislativos na cidade de Guangzhou, também conhecida como Cantão. Em 22 de dezembro, Wu Sha foi condenado a 10 anos de prisão por suborno, de acordo com o Guangzhou Cankao, uma publicação estatal na metrópole do Sul da China.

A agência anticorrupção do Partido Comunista Chinês julgou-o culpado de aceitar subornos no total de 10 milhões de yuanes (US$ 1,5 milhão), além de “negociar dinheiro e sexo por poder” e participar em jogos de azar usando identidade falsa. A agência anunciou uma investigação sobre Wu Sha em novembro de 2015, pouco antes de ele atingir a idade oficial de aposentadoria.

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Entre 2003 e 2014, ele também fez voos de avião para férias no exterior que foram pagos por empresas locais.

Empregado dentro do aparato de segurança pública do Partido Comunista Chinês por mais de uma década, Wu Sha também é culpado de perseguir o Falun Gong, ou Falun Dafa, uma disciplina espiritual que o regime chinês proibiu em 1999 e tem reprimido brutalmente desde então. Com base nos ensinamentos morais budistas e taoístas centrados na verdade, compaixão e tolerância, a disciplina cresceu em popularidade durante a década de 1990. Uma pesquisa estatal estimou que houvesse 70 milhões de adeptos em 1999, embora os praticantes do Falun Gong afirmem que 100 milhões seria uma estimativa mais realista.

China, Falun Gong, perseguição, direitos humanos - Praticantes do Falun Gong se exercitam em meados dos anos 90 num espaço público na cidade de Guangzhou (Minghui.org)
Praticantes do Falun Gong se exercitam em meados dos anos 90 num espaço público na cidade de Guangzhou (Minghui.org)

Interpretando a popularidade do Falun Gong como uma ameaça à ideologia materialista do Partido Comunista Chinês, o ex-líder chinês Jiang Zemin lançou uma perseguição nacional. Milhões de praticantes foram detidos, presos e submetidos à tortura, lavagem cerebral e trabalhos forçados, de acordo com o Centro de Informação do Falun Dafa.

Sob o governo de Jiang Zemin, o Comitê Central de Assuntos Político-Legislativos (CCAPL) tornou-se uma poderosa instituição que supervisionava todos os aspectos do aparato de segurança pública no país. Como chefe do escritório do CCAPL em Guangzhou desde 2006, Wu Sha esteve encarregado de reprimir os praticantes locais do Falun Gong. Nesse período, Wu Sha também foi o chefe da polícia de Guangzhou.

O Minghui.org, um website baseado nos EUA que documenta a perseguição do Falun Gong na China, tem evidências de vários praticantes de Guangzhou que enfrentaram perseguição enquanto Wu Sha estava no poder. Um casal, Ma Minqing e sua esposa Zheng Jie’er, foram repetidamente assediados e perseguidos pela polícia local no distrito de Yuexiu e tiveram de viver em fuga. Eventualmente, Zheng foi sequestrada pela polícia em julho de 2006 e condenada a dois anos no Campo de Trabalhos de Chatou.

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Enquanto Ma Minqing fazia compras em outubro de 2006, ele também foi sequestrado pela polícia e depois condenado a sete anos de prisão. Ele foi encarcerado na prisão do condado de Shihui.

Em maio de 2007, Li Fangsong, um praticante do Falun Gong que trabalhou como quadro do Partido Comunista Chinês no escritório provincial da segurança pública de Guangdong, foi sequestrado pelo ramo local da Agência 610, uma organização do Partido criada por Jiang Zemin especificamente para erradicar o Falun Gong. Li Fangsong foi detido num centro local de lavagem cerebral, onde os praticantes são submetidos a abusos psicológicos e injetados com drogas experimentais na tentativa de forçá-los a desistir de sua fé.

A Organização Mundial para Investigar a Persecução ao Falun Gong (WOIPFG), uma instituição sem fins lucrativos, também listou Wu Sha como um perpetrador de crimes contra os direitos humanos. Em novembro de 2013, Zhao Tianrong, gerente de uma empresa de software em Guangzhou, foi sequestrado pela polícia em seu local de trabalho. Ele foi preso por produzir e distribuir DVDs que detalhavam a perseguição, de acordo com o Minghui.org. Um julgamento foi realizado em maio de 2014. Dois meses depois, Zhao recebeu uma sentença de quatro anos de prisão do Tribunal Distrital de Shunde. A WOIPFG listou Wu Sha como o principal funcionário responsável pela prisão e tratamento de Zhao.

Colaborou: Fang Xiao

 
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