Em frente à ONU, praticantes do Falun Dafa pedem fim da perseguição na China

"Não há liberdade de crença. O Partido Comunista Chinês quer controlar tudo"

Por Bowen Xiao, Epoch Times

Uma multidão de praticantes do Falun Dafa de toda a área metropolitana de Nova Iorque se reuniu em frente à sede das Nações Unidas na terça-feira (25) para pedir o fim da bárbara perseguição que acontece na China.

O ano de 2018 marca o 19º aniversário do início de uma campanha sem precedentes do Partido Comunista Chinês (PCC) contra a pacífica e espiritual comunidade.

Esta semana, o ministro das Relações Exteriores do regime chinês, Wang Yi, participa da Assembleia Geral da ONU nos Estados Unidos.

“Nós nos encontramos aqui hoje para defender nossa fé, defender o que é certo”, disse He Yingsheng, originário da China. “Queremos que o Partido Comunista Chinês acabe com a perseguição ao Falun Dafa imediatamente e liberte todos de uma vez”.

Yingsheng também pediu que o ex-líder do PCC, Jiang Zemin, que começou a perseguição em 1999, seja “levado à justiça”.

He Yingsheng participa de um evento contra a perseguição ao Falun Dafa na Assembleia das Nações Unidas em Nova Iorque, em 25 de setembro de 2018 (Samira Bouaou/Epoch Times)
He Yingsheng participa de um evento contra a perseguição ao Falun Dafa na Assembleia das Nações Unidas em Nova Iorque, em 25 de setembro de 2018 (Samira Bouaou/Epoch Times)

A sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas deste ano começou oficialmente em 25 de setembro.

Falun Dafa, também conhecido como Falun Gong, é uma prática de cinco exercícios de meditação e, em essência, é baseado em três princípios: Verdade, Benevolência e Tolerância. Hoje, dezenas de milhares de pessoas o praticam em mais de 70 países ao redor do mundo.

Praticantes do Falun Dafa fazem demonstração dos exercícios em Washington em 19 de julho de 2018 (Mark Zou/Epoch Times)
Praticantes do Falun Dafa fazem demonstração dos exercícios em Washington em 19 de julho de 2018 (Mark Zou/Epoch Times)

“O PCC tem muito medo de que mais pessoas acreditem na Verdade, Benevolência e Tolerância em vez de acreditar no comunismo; é por isso que eles começaram a perseguição”, disse Rong Yi, porta-voz da Associação do Falun Dafa de Nova Iorque.

“Não há liberdade de crença. O PCC quer controlar tudo”, explicou.

Outra praticante de nome Qi que participou da manifestação disse que ela fez a viagem até lá, apesar das chuvas, para ajudar a aumentar a conscientização sobre o histórico das violações dos direitos humanos na China. Ela pediu para não publicar sua foto por medo de repercussões, já que alguns de seus parentes — que praticam Falun Dafa — ainda vivem na China.

“Desejo que o povo norte-americano e os turistas chineses escutem nossa súplica. A China ainda está perseguindo esses praticantes do Falun Dafa e outras pessoas de fé,” disse Qi, que aprendeu os exercícios de meditação com seus pais.

“Os praticantes do Falun Dafa são pessoas muito boas. Mas porque há tantos na China, o PCC teme perder o controle”.

Um pedido internacional

Hoje, o Partido Comunista Chinês continua perseguindo grupos espirituais, incluindo cristãos, tibetanos e uigures, entre outros. Em agosto, um painel sobre direitos humanos da ONU disse que recebeu relatórios confiáveis informando que um milhão de uigures étnicos na China estão presos no que se assemelha a um “campo de concentração mantido em segredo”.

Um membro do Comitê da ONU calcula que 2 milhões de uigures e membros de minorias muçulmanas foram forçados a se submeter a “campos de doutrinação política” na região autônoma ocidental de Xinjiang.

Rong Yi assiste a um evento contra a perseguição ao Falun Dafa diante do edifício das Nações Unidas em Nova Iorque em 25 de setembro de 2018 (Samira Bouaou/Epoch Times)
Rong Yi assiste a um evento contra a perseguição ao Falun Dafa diante do edifício das Nações Unidas em Nova Iorque em 25 de setembro de 2018 (Samira Bouaou/Epoch Times)

Um relatório produzido em 2016 expõe em detalhes a prática lucrativa da China de extrair órgãos vitais de prisioneiros de consciência. Os autores do relatório — David Kilgour, ex-secretário de Estado para Ásia e Pacífico e procurador da Coroa; David Matas, advogado de B’nai Brith Canadá e advogado de direitos humanos; e o repórter investigativo Ethan Gutmann — explicam como os pacientes de transplantes podem ir à China e obter um órgão em questão de dias ou mesmo horas, se tiverem dinheiro para pagar.

Já em outros países, os pacientes podem passar anos em listas de espera até que um órgão compatível apareça.

Entre os anos 2000 e 2015, calcula-se que o regime chinês realizou entre 60 mil e 100 mil transplantes por ano, e a maioria dos órgãos extraídos vêm de praticantes do Falun Dafa, de acordo com o seu relatório de 700 páginas. Centenas de milhares de praticantes, mantidos em campos de trabalhos forçados em toda a China, são extremamente vulneráveis a serem incluídos em listas para a retirada forçada de seus órgãos.

“Os praticantes na China ainda estão sob severa perseguição”, disse Rong. “Temos que aproveitar todas as oportunidades para nos manifestarmos, especialmente quando Wang está aqui, queremos direitos humanos básicos!… E queremos que a comunidade internacional nos ajude a parar essa perseguição”.

“Não há nada de errado em acreditar na Verdade, Benevolência e Tolerância”, continuou ele. “Isso deveria, na realidade, ser algo garantido. Precisamos de liberdade de crença.”

 
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