Forças terrestres do governo sírio atacam Guta apesar do plano de trégua de Putin (Vídeo)

General do alto comando dos EUA acusou Moscou de atuar como "incendiário e bombeiro" ao não controlar Assad

Por Jesús de León, Epoch Times

Tropas do governo sírio lançaram um ataque terrestre no enclave oriental de Guta ontem (28) buscando ganhar território, apesar do plano da Rússia para um cessar-fogo diário de cinco horas.

A Rússia, aliada do regime de Bashar, havia decidido por uma trégua humanitária diária de cinco horas que entrou em vigor na Síria na terça-feira (27), particularmente no enclave rebelde de Guta Oriental, sitiada pelo exército sírio. A Rússia associou a trégua com a resolução aprovada no fim de semana pelo Conselho de Segurança da ONU.

Centenas de pessoas foram mortas nos 11 dias de bombardeios a leste de Guta, uma faixa de cidades e fazendas nos arredores de Damasco, última grande área controlada por rebeldes perto da capital.

A investida foi uma das mais ferozes da guerra civil na Síria, que já dura quase 8 anos.

Foto publicada em 28 de fevereiro de 2018, mostra áreas afetadas pelos bombardeios do exército sírio em Guta Oriental (Observatório Sírio dos Direitos Humanos)
Foto publicada em 28 de fevereiro de 2018, mostra áreas afetadas pelos bombardeios do exército sírio em Guta Oriental (Observatório Sírio dos Direitos Humanos)

No último sábado (24), o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma resolução pedindo cessar-fogo de 30 dias em todo o país e com o qual a Rússia concordou, mesmo sendo aliada do presidente Bashar al-Assad.

Mas a medida aparentemente “não entrou em vigor, com Moscou e Damasco dizendo que estão lutando contra membros de grupos terroristas excluídos da trégua”, informou a Reuters.

A trégua de cinco horas proposta por Putin almejava estabelecer o que ele chamou de corredor humanitário, para que a ajuda pudesse entrar no enclave e os civis e feridos pudessem sair.

A primeira dessas tréguas ocorreu na terça-feira (27), mas rapidamente entrou em colapso quando os bombardeios e o fogo da artilharia recomeçaram após uma breve pausa.

Foto tirada na quarta-feira (28) mostra fogo e fumaça no horizonte após um ataque de foguete contra al-Shaffuniyah, em Guta Oriental, nos arredores de Damasco, capital síria (Ammar Suleiman/AFP/Getty Images)
Foto tirada na quarta-feira (28) mostra fogo e fumaça no horizonte após um ataque de foguete contra al-Shaffuniyah, em Guta Oriental, nos arredores de Damasco, capital síria (Ammar Suleiman/AFP/Getty Images)

Não houve ataques aéreos durante o cessar-fogo de cinco horas na quarta-feira, mas o intenso bombardeio foi retomado à tarde, informou o grupo de monitoramento do Observatório Sírio dos Direitos Humanos.

O número de vítimas civis continua aumentando, com cerca de 67 vítimas incluindo 19 crianças e 12 mulheres que morreram após a aprovação da resolução do Conselho de Segurança, e apesar da trégua solicitada por Putin.

Aumentou o número total de mortos para mais de 602, incluindo 147 crianças e 88 mulheres durante bombardeios aéreos e terrestres realizados durante 11 dias, de acordo com a Ong Observatório Sírio dos Direitos Humanos.

O Observatório detalha o número de pessoas mortas durante os 2 primeiros dias da “trégua” de Putin, dentre eles 34 cidadãos, incluindo 11 crianças e 7 mulheres, mortas na segunda-feira nos ataques aéreos e de foguetes em Douma e Harasta e na área entre Mesraba e Beit Sawa, e 18 cidadãos, incluindo 5 crianças menores de 18 anos e 4 mulheres, que morreram no domingo no ataque das forças de regime e ataques aéreos nas regiões de Douma, al-Shifonyyah, Saqba, Beit Sawa e Hammuriyyeh.

O presidente Putin disse que a Rússia conseguiu remover “um grupo bastante grande” de civis, embora não tenha dito em que momento os civis conseguiram sair, de acordo com a agência Reuters. Outras fontes também descreveram a situação de evacuação.

“Nem uma só pessoa no leste de Guta foi evacuada da área”, declarou a defesa civil ao jornal Al Jazeera, de acordo com a agência de notícias canadense Global News.

Referindo-se à trégua de 5 horas solicitada por Putin, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) disse que estava pronta para acessar o leste de Guta para prestar ajuda, mas que a pausa de cinco horas proposta foi curta demais.

Por sua vez, as Nações Unidas disseram que a situação tornava impossível ajudar civis ou evacuar feridos e disse que todas as partes devem cumprir a trégua de 30 dias aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU.

“Claramente a situação no território não é tal que os comboios possam entrar ou as evacuações médicas possam sair”, disse o porta-voz humanitário da ONU, Jens Laerke, de acordo com a Reuters.

Sem uma pressão internacional decisiva para deter os ataques, o leste de Guta parece caminhar para o mesmo destino que outras áreas recuperadas pelo governo sírio após longas retaliações, onde rebeldes e civis que se opõem a Assad foram finalmente evacuados em exaustivas negociações.

Damasco parece estar aplicando a mesma estratégia, combinando ataques aéreos e bombardeios com assaltos terrestres, como fez para recuperar o leste de Aleppo em 2016.

Um alto diplomata ocidental disse que a Rússia parecia interessada em uma repetição de Aleppo no leste de Guta, de acordo com a Reuters.

Na terça-feira, um general do alto comando dos Estados Unidos acusou Moscou de atuar como “incendiário e bombeiro” ao não controlar Assad, disse a fonte.

O presidente norte-americano Donald Trump disse na sexta-feira (23) que o que a Rússia e a Síria “fizeram recentemente foi uma vergonha humanitária”.

 
Matérias Relacionadas