Forças chavistas impedem a entrada da oposição na AN e votam em uma nova reunião sem quorum

A Assembleia Nacional, através de sua conta no Twitter, disse que não reconhece o voto como válido e anunciou que uma nova votação ainda ocorrerá

Por Anastasia Gubin

A Assembleia Nacional da Venezuela denunciou em 5 de janeiro o que chamou de “golpe ao parlamento” depois que parlamentares do PSUV decidiram votar no oficial Luis Parra sem a presença de deputados da oposição.

“Sem votos ou quorum, os deputados do PSUV tentam jurar uma diretiva falsa”, disse ele em uma mensagem no Twitter.

Neste domingo, foi marcada a sessão da Assembleia Nacional, na qual a equipe de liderança do Parlamento seria eleita, em uma votação em que Juan Guaidó aspirava ser reeleito como presidente da AN.

Antes da sessão, esperada por meses como um novo pulso entre o governo e a oposição, ela começou com o entorno do Palácio Legislativo, tomado pela Polícia Nacional Bolivariana (PNB) e pela Guarda Nacional Bolivariana (GNB, polícia militarizada), que colocou numerosos controles sobre Guaidó e outros deputados que o acompanharam para admissão.

De surpresa e transmitido ao vivo pelo canal de televisão pública venezuelana (VTV), que nunca transmite as sessões da AN, o deputado mais veterano do Parlamento dirigiu uma sessão expressa na qual Parra foi eleito no meio de uma disputa gritante com os deputados da oposição que entraram no hemiciclo.

O presidente da Assembléia Nacional, Juan Guaido, reage nas imediações da AN neste domingo, em Caracas (Venezuela) (EFE / Miguel Gutiérrez)

Nos arredores, e já tendo passado por todos os controles policiais, exceto por um, Guaidó tentou entrar no recinto, até subiu em uma cerca para entrar, mas as autoridades o impediram.

A Assembleia Nacional, através de sua conta no Twitter, disse que não reconhece o voto como válido e anunciou que uma nova votação ainda ocorrerá.

Um grupo da Polícia Nacional Bolivariana (PNB) da Venezuela tentou impedir neste domingo Juan Guaidó, presidente da Assembléia Nacional e presidente encarregado da Venezuela, de entrar na sede da Câmara, onde esperava ser reeleito em seus cargos.

Além disso, vários deputados da oposição venezuelana denunciaram que no amanhecer de domingo foram assediados pelas forças de segurança em seus hotéis.

“Eles estão tentando todos os mecanismos possíveis para impedir a reeleição de um conselho de administração que tenha capacidade para mudar a Venezuela(…) e é a ditadura que a proíbe”, disse Guaidó ao entrar no Parlamento, segundo a EFE.

“Caso haja dúvidas de que a Venezuela esteja em uma ditadura: oficiais militares tentam impedir que os deputados cumpram seu dever de defender os venezuelanos, o povo que eles também juraram proteger. Contra isso, estamos lutando e venceremos juntos”, afirmou o presidente em mensagem no Twitter em 5 de janeiro.

Os Estados Unidos já se manifestaram a esse respeito através de sua Embaixada Virtual, observando no Twitter que as ações do regime Maduro “vão completamente contra a vontade do povo e as leis que governam o processo”.

Com informações EFE.

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