Filho de policial paralisado continua o legado de perdão do pai

“Meu pai fazia tudo parecer muito fácil”

Por Dave Paone

Seis meses antes de Conor McDonald nascer, seu pai, Steven McDonald, policial de Nova Iorque, levou 3 tiros de um menino de 15 anos. Ficou paralisado do pescoço para baixo, e incapaz de respirar sem um respirador.

Steven passou os próximos 30 anos como um tetraplégico respirando com auxílio. Para seu único filho, é um lembrete constante dos perigos que a polícia de Nova Iorque encara todos os dias. Isso, entretanto, não impediu que Conor se juntasse ao mesmo departamento de polícia do pai. 

Início

A história começa em 1984, quando Steven se formou na academia de polícia. Um ano mais tarde, ele se casou com Patti Ann Norris e o casal alugou um apartamento de um quarto na cidade natal dela, em Malvene, Long Island. Os dois vieram de famílias muito grandes, de católicos irlandeses, e planejavam que a sua família também seria bem grande. 

Em abril, o plano de ter uma família estava em andamento. O primeiro filho deveria nascer em janeiro de 1987.

Tudo mudou em 12 de julho de 1986, quando Steven e seu colega de trabalho abordaram 3 adolescentes no Central Park, investigando alguns furtos de bicicleta recentes. Shavod Jones, o mais velho dos 3, atirou em Steven com uma pistola, deixando-o não apenas paralisado em um respirador, mas incapaz de falar. 

Patti deu à luz a Conor em 29 de Janeiro de 1987, no Mercy Hospital em Long Island, enquanto Steven estava no Belleview Hospital em Manhattan. 

À época, ninguém nem sabia o que era “internet” ou “chamada de vídeo”. Entretanto, a tecnologia permitiu que Steven visse uma imagem do seu filho pouco após nascer. 

Perdão

Após meses de fisioterapia em Colorado, Steven recuperou a habilidade de falar e, pouco tempo depois, perdoou seu agressor. 

“Nas semanas e meses antes de eu nascer, ele começou a perceber que ele ia ter que superar isso, e que teria que ser um bom pai para mim” Conor disse ao Epoch Times. “Para abandonar todos os problemas que ele tinha com a condição dele, ele ia ter que perdoar o jovem que atirou”. 

“No aniversário dele – o dia em que eu fui batizado – ele perdoou Shavod Jones”.

Algum tempo depois, Jones telefonou para Steven e pediu desculpas pelo que tinha feito.

“Eu fiquei perplexa, completamente perplexa” Patti comentou ao Epoch Times. O telefonema foi completamente inesperado.

Arthur Crames e Dick Fay, sócios-gerentes do banco de investimento Bear Stearns, compraram uma casa para a família McDonald. O arquiteto e empreiteiro Lehrer McGovern Bovis doou seus serviços e os materiais para adaptar a casa à cadeira de rodas.

Conor McDonald recebe uma benção do Cardinal Timothy Dolan na Catedral de St. Patrick no réquiem de seu pai, Steven McDonald (Dave Paone / Epoch Times)
Conor McDonald recebe uma benção do Cardinal Timothy Dolan na Catedral de St. Patrick no réquiem de seu pai, Steven McDonald (Dave Paone / Epoch Times)

Steven ainda é pai

Desde o começo, Steven explicou a Conor o que aconteceu, então desde que Conor era pequeno ele entendia a sua situação especial.

“Nós estávamos sempre cercados por amigos e família, então eu entendi que havia algo que era diferente na minha casa”, Conor falou.

Se espera que os pais façam coisas com seus filhos, tipo brincar de bola.

“A gente não pôde ter as interações normais de pai e filho, brincando juntos”, Conor recorda. Entretanto, as feridas graves de Steven não o impediram de fazer tudo que ele podia como pai.

Quando Conor brincava de hockey em um beco, Steven movia a cadeira de rodas para frente do gol, para ser o goleiro e brincar junto.

Já que Steven precisava de cuidado constante, além dos amigos e família, a casa dos McDonald sempre tinha vários colegas policiais por perto. Muitos deles assumiram as responsabilidades de pai que Steven não conseguia cumprir. 

“Eles eram como se fossem meus tios ou irmãos mais velhos”, diz Conor.

Foi durante a infância, interagindo com todos esses policiais, que Conor pensou em virar um.

Apesar da condição de Steven ser um grande obstáculo, e a vida familiar girar em torno dela, o lar dos McDonald também era a central de festas da família. Vários primos vinham visitar o tempo todo, então Conor tinha muitos amigos para brincar. 

Mantendo a

Outra parte grande da vida da família era a fé, da qual Steven falava bastante.

“Eu diria que a cada 15 ou 20 minutos” estima Conor. “Em qualquer chance que ele tinha, meu pai falava sobre a fé dele”. 

Steven acreditava que ter sobrevivido aos tiros foi um milagre. Ele falava com as pessoas que ele encontrava sobre como ele via a situação, mesmo se a pessoa fosse de outra religião. 

Em 1999, Steven foi co-fundador do Breaking the Cycle (quebrando o ciclo), um grupo de indivíduos que haviam superado adversidades através do perdão. Eles davam palestras em escolas, muitas vezes em bairros de baixa renda. Por 13 anos, Steve contou sua história dentro do país e internacionalmente, sempre com a moral de perdoar. 

Conor: “Ele não perdoou Shavod Jones só uma vez. Ele perdoou Shavod Jones todos os dias”. 

Depois de falar para turmas do ensino médio e fundamental, Steven regularmente recebia cartas de jovens, e Conor leu muitas delas.

Todas diziam a mesma coisa: As vidas dessas crianças foram atormentadas por crimes a mão armada, mas depois de escutar a história de Steven, eles foram inspirados a perdoar os seus agressores também.

“Meu pai fazia tudo parecer muito fácil”, disse Conor sobre a imagem pública do pai. Mas ele testemunhou em primeira mão o que os outros não conseguiam ver. 

“Poucas pessoas viam a dor e sofrimento pelos quais ele passou. Às vezes era difícil entender a sua fé”. 

Conor atribui a Steven a “base que ele construiu” para a sua própria fé, a qual tem lhe ajudado nos cinco anos desde que o pai morreu. 

Conor McDonald anda com o cachorro de sua mãe, Murphy, no Jardim do Perdão Steven McDonald, em Malverne, Nova Iorque. Ele vai lá frequentemente, para contemplação silenciosa (Dave Paone/ Epoch TImes)
Conor McDonald anda com o cachorro de sua mãe, Murphy, no Jardim do Perdão Steven McDonald, em Malverne, Nova Iorque. Ele vai lá frequentemente, para contemplação silenciosa (Dave Paone/ Epoch TImes)
(Dave Paone/ Epoch TImes)
(Dave Paone/ Epoch TImes)

Departamento de Polícia de Nova Iorque (NYPD)

Quando Conor tinha 18 anos, ele ficou longe de casa pela primeira vez, frequentando o Boston College para fazer faculdade de história. Depois de se tornar bacharel em 2009, ele passou o ano seguinte fazendo trabalho voluntário em Denver. 

Encorajado por seu pai, Conor fez a prova para a academia de polícia de Nova Iorque. Durante seus últimos dias em Denver, ele foi selecionado. Era agora ou nunca se ele quisesse uma carreira de policial no NYPD. Ele decidiu “agora”. 

A resposta inicial de sua mãe (e de todo mundo) foi “você tá de brincadeira?!”. Mas ela sabia que seria um erro forçar ele a seguir uma carreira que ele não queria. E quando Conor se formou como um dos 10 melhores da turma, ela sabia que aquele era o seu lugar. 

Conor é a quarta geração dos McDonald a servir no NYPD, e isso é só contando a descendência direta. Com a família estendida, somam mais de 700 anos de serviço policial. A tia-avó foi uma das primeiras policiais mulheres, no começo do século XX.

Os últimos dias de Steven 

Cinco anos atrás, Steven estava de cama, sem reação a nada. Foi levado ao hospital e depois transferido para outro, onde recebeu uma ligação do presidente eleito, Donald Trump. Conor disse a Trump que Steven estava inconsciente, mas Trump insistiu que Conor colocasse o telefone no ouvido do pai, o que ele fez

Steven morreu em 10 de Janeiro de 2017.

Shavod Jones passou nove anos na prisão e morreu em um acidente de moto em 1995, quatro dias antes de entrar em liberdade condicional.

O Legado de Steven

Conor e Patti continuam o legado de Steven, falando publicamente sobre perdão, apesar de Conor não capturar a atenção da mesma forma que o pai. Ainda assim, quando falam em escolas, são frequentemente abordados por jovens que reagem da mesma forma que os jovens reagiam nas palestras de Steven.

Atualmente, Conor é tenente, casado, e com o primeiro filho a caminho.

“Meu pai e minha mãe, eles são pessoas excepcionais”, falou Conor. E a maçã não caiu longe da árvore. 

“Em tudo que eu posso fazer para ajudar as pessoas eu faço o meu melhor. … Isso é a parte mais importante do que meu pai e minha mãe me ensinaram. … Não há nada melhor do que quando você ajuda alguém.”

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