Fazer pão eleva o estado de ânimo, segundo novo estudo

Realmente, fazer pão é uma “pílula melhor que o Prozac” para as pessoas que sofrem de depressão, segundo um estudo realizado por um grupo de britânicos para produzir um pão autêntico.

A fabricação do pão produz vantagens terapêuticas e sociais, segundo a investigação da “Real Bread Campaign” (Campanha a Favor do Pão Autêntico) publicada no final de outubro, que associou dados científicos de diferentes campos terapêuticos. Quase nove de cada dez pessoas avaliadas referiram uma sensação de satisfação e felicidade.

“É a magia da elaboração do pão”, disse Chris Young, coordenador do projeto da “Real Bread Campaign”. “Você pode ter quatro ingredientes básicos e é como a alquimia, convertendo-os em algo maravilhoso, um pão fresco com aroma delicioso”.

Young disse que a fabricação de um simples pão fornece às pessoas um sentido de propósito, e dar pão aos demais tem valor terapêutico, que aumenta o bem-estar. “Fazer pão relaxa e acalma”, disse.

Na recompilação de provas para o informativo da Real Bread Campaign, foram descobertas mais de 100 organizações e terapias ocupacionais individuais que apoiam pessoas com problemas de saúde mental, utilizando a fabricação de pão.

Os terapeutas ocupacionais alegam que a fabricação de pão ajuda a tranquilizar pessoas com psicose.

Indivíduos da terceira idade com demência precoce, possuem boas lembranças de sua infância através da fabricação de pão com as suas mães. Como parte da terapia de reminiscências, o bicarbonato é utilizado como catalisador para a fluidez na conversação.

Young disse que aqueles que estão perdendo gravemente contato com tudo o que os rodeia, se apegam a uma recordação física de longo prazo, profundamente arraigado com a fabricação de pão. “Alguns dizem: ´Graças a Deus, existe algo que ainda posso fazer, quando estou começando a perder tudo ao meu redor ainda posso fazer pão para ter um propósito”, disse.

John Whaite, paciente com depressão crônica, vencedor do BBC2 2012, Great British Bake Off, disse em uma conversa ao informativo da Real Bread Campaign: “Existe algo no processo meditativo da fabricação de pão que me permite elevar meu estado de ânimo e tomar o controle”.

Whaite espera que as pessoas que sofrem com problemas de saúde mental “tenham a oportunidade de provar a sorte fazendo pães para que possam ver como esse ato pode ser benéfico ao seu estado psíquico”.

Melanie Denyer, com diagnóstico de transtorno de personalidade, disse no artigo que fazer pão “literalmente salvou minha vida e me proporcionou uma saída para essas emoções que não conseguia controlar. Proporcionou-me uma alternativa para a autodestruição”.

A pesquisa aponta os projetos de panificação em todo o Reino Unido, como uma padaria de Haggerston, ao leste de Londres que oferece práticas em empresas para pessoas com problemas de saúde mental.

A padaria Garvald, em Edimburgo, oferece experiência laboral com aprendizagem para pessoas incapacitadas. Wexham Park Hospital, em Slough, Berkishire, oferece classes de fabricação de pães como parte de sua terapia psicológica.

Freedom From Torture, uma organização com sede em Londres, dirige um grupo de produção de pães para ajudar sobreviventes de torturas, a refletir sobre seus temores e ansiedades, e também sobre o seu passado através do processo criativo e interativo da fabricação de pão.

Saba Stefanos, líder da Freedom From Torture, disse no informativo: “O pão atua como um meio para conectar aos sobreviventes de tortura, rompendo com o isolamento e ajuda a apoiarem-se uns aos outros no processo de cura”.

A Real Bread Campaign está tratando de obter financiamento para executar um novo projeto, “Together We Rise” (Juntos nos elevamos), que integra os serviços de saúde mental com os padeiros profissionais, que “unirão os pontos entre pessoas que realizam esse fantástico trabalho e ajudam a milhares de pessoas a beneficiar-se com a fabricação de pão”, disse Young.

 
Matérias Relacionadas