As fases do corpo masculino segundo a medicina chinesa

No artigo anterior, pudemos conhecer as mudanças pelas quais o organismo feminino passa ao longo da vida, pois são regidas pelo ciclo lunar e sofrem grandes mudanças no seu organismo e no psiquismo a cada 7 anos.

Já o corpo masculino é regido pelo ciclo solar e as mudanças no seu desenvolvimento ocorrem a cada 8 anos, segundo o Suwen*. De acordo com esse modelo, podemos compreender porque as meninas têm um desenvolvimento mais rápido comparado aos meninos da mesma idade.

Nos homens, a energia renal se torna próspera com a idade de 8 anos. Por essa época, seu cabelo se desenvolve e seus dentes permanentes surgem.

Por volta dos 16 anos, novamente sua energia renal se torna próspera, ele se acha cheio de energia vital e é fértil. Se ele mantiver relações sexuais com uma mulher, é capaz de gerar uma nova vida.

Com a idade de 24 anos, sua energia renal está bem desenvolvida para atingir o status de um adulto. Por essa época suas extremidades estão fortes, seus últimos dentes já cresceram e toda a dentição está completamente desenvolvida.

Por volta dos 32 anos, seu corpo já terá desenvolvido sua melhor condição, e suas extremidades e músculos estão bem desenvolvidos.

Aos 40, sua energia vital vai gradualmente mudando de próspera para declinante. Como resultado, seus cabelos começam a cair e os dentes a deteriorar.

Com a idade de 48 anos, sua energia renal declina ainda mais. Já que a energia dos rins é a fonte da energia Yang, a energia Yang do corpo todo começa a declinar. Como resultado, sua compleição começa a definhar e seu cabelo embranquece.

Após a idade de 56 anos, a energia do fígado declina após o surgimento da deficiência da energia renal (Segundo a Teoria da Medicina Tradicional Chinesa dos Cinco Elementos, a Água deixa de nutrir adequadamente a Madeira). Como o fígado determina a condição dos tendões, a deficiência dos rins irá causar má nutrição dos tendões, que irão ficar rígidos e  falhar ao atuar adequadamente.

Após a idade de 64 anos, sua essência está exausta, assim como sua energia vital. Não tendo mais o aporte da energia renal, e sendo os rins os órgãos que regem a condição dos ossos, a debilidade dessa energia causa o enfraquecimento dos tendões e ossos. Portanto, nesse estágio, sua condição física atinge o maior declínio, seus dentes caem e cada parte de seu corpo se torna decrépita.

Essa é a descrição do ciclo de um ser humano comum.

Qualidade de vida

Hoje, podemos ter uma melhor qualidade de vida devido ao fato de existirem algumas mudanças positivas no desenvolvimento da sociedade atual. A tecnologia nos proporcionou um ambiente mais protegido dos fatores climáticos, os traumatismos e muitas afecções podem ser sanadas em um espaço de tempo mais curto, prejudicando menos o organismo e dessa forma consumindo menos de nossas reservas energéticas.

Por outro lado, isso também tem afetado os ciclos naturais do corpo humano, e temos visto como as crianças e adolescentes têm se desenvolvido cada vez mais precocemente, e às vezes de forma disfuncional, o que também é resultado das condições artificiais e desequilibradas resultantes do estilo de vida moderna. Atualmente, com o desenvolvimento científico, o homem tem aspirado modificar o seu meio e a si próprio, tentando manipular forçadamente sua natureza, saúde e seu ambiente, o que tem resultado em inúmeras condições de desequilíbrio no corpo humano.

Devemos ver as coisas dialeticamente, e buscar encontrar um pouco de equilíbrio sem forçar nossas disposições inatas, respeitando os nossos ciclos biológicos  e procurando agir da melhor forma em cada período de vida, tornando a jornada da existência mais positiva e criativa, assimilando o melhor de cada fase. Por isso, conhecer os ciclos e reconhecer nossas mudanças fisiológicas nos torna mais leves ante a vida e seus processos irreversíveis, os quais fazem parte da natureza humana.

 

*(Suwen: livro clássico da Medicina Tradicional Chinesa, de autoria de Bing Wang, na Dinastia Tang)

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Isaac Padilha Guimarães Júnior é fisioterapeuta, especialista em acupuntura e professor titular do Instituto Brasileiro de Acupuntura e Moxabustão de Porto Alegre (Ibrampa)

 

 
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