Fãs do Aberto da Austrália são impedidos de entrar devido a camisetas escritas ‘Onde está Peng Shuai?’

Peng Shuai acusou o ex-vice-premiê da China de agredi-la sexualmente, e desde então foi vista poucas vezes nas redes sociais

Por Nina Nguyen 

A segurança da Tennis Australia impediu que dois espectadores entrassem no Melbourne Park para o Aberto da Austrália após eles se recusarem a remover suas camisas com uma mensagem de apoio à tenista chinesa Peng Shuai.

Na sexta-feira, o ativista australiano de direitos humanos Drew Pavlou carregou um vídeo no Twitter em que seu amigo, Max Mok, e outro fã de tênis foram abordados pela segurança.

O vídeo mostra um segurança afirmando à dupla que suas camisetas e banner com “Onde está Peng Shuai?” escritos neles não eram permitidos, pois as pessoas “não deveriam trazer declarações políticas para o torneio”. A segurança confiscou a faixa, mas a dupla se recusou a tirar as camisetas.

A polícia foi então chamada. Eles também afirmaram aos fãs de tênis: “O Aberto da Austrália tem uma regra de que você não pode ter slogans políticos… é uma regra que é uma condição de entrada”.

Mok então fez uma ligação para Pavlou, que é ouvido discutindo com a polícia por telefone que não era político expressar preocupação com uma “jogadora de tênis sendo perseguida”. Mok e Pavlou estão concorrendo a uma vaga no Senado nas eleições federais de 2022 da Austrália.

“A Tennis Australia estabelece as regras, e independentemente do que você está dizendo – e eu não estou dizendo que você não pode ter essas opiniões – mas estou dizendo que a Tennis Australia define as regras aqui,” respondeu o oficial.

O vídeo recebeu 52.000 visualizações no TikTok.

Pavlou relatou no Twitter que quase A$ 7.000 ($ 5.025) foram arrecadados dentro de 24 horas no GoFundMe após o incidente, que será usado para imprimir “centenas e centenas de camisas Peng Shuai grátis para serem distribuídas na entrada da final feminina do Aberto da Austrália”.

Um porta-voz da Tennis Australia afirmou ao Epoch Times que eles apoiavam as ações de segurança e da polícia, mas afirmou que a segurança de Peng Shuai é a “principal preocupação” da organização.

“Sob nossas condições de ingresso, não permitimos roupas, faixas ou sinais comerciais ou políticos”, declarou o porta-voz.

“A segurança de Peng Shuai é nossa principal preocupação. Continuamos a trabalhar com a WTA e a comunidade global de tênis para buscar mais clareza sobre sua situação e faremos tudo o que pudermos para garantir seu bem-estar.”

Enquanto isso, a Polícia de Victoria afirmou ao Epoch Times que a polícia se envolveu com os torcedores “em apoio à segurança, referenciando as condições de entrada enquanto eles saíam do local”.

“Como parte das condições de entrada no Aberto, nada com motivação política pode ser exibido”, afirmaram.

Em 2018, a Tennis Australia realizou um acordo comercial de cinco anos com a Ctrip, a maior agência online de viagens da China. A organização também possui parcerias com três grandes patrocinadores chineses: a marca de bebidas Luzhou Laojiao, a empresa de água de Shenzhzen Ganten Food & Beverage e a empresa de roupas de cama DeRUCCI, com sede na China.

“A China possui 330 milhões de fãs de tênis; há 220 milhões de torcedores do Australian Open na China; 14 milhões de jogadores regulares de tênis e 30.000 quadras de tênis – um número que está aumentando o tempo todo”, relatou Craig Tiley, diretor do torneio do Aberto da Austrália, em 2018.

Peng Shuai acusou o ex-vice-premiê da China, Zhang Gaoli, de agredi-la sexualmente quando ela era mais jovem, em novembro. Ela retirou o comentário após uma série de mensagens estranhas e, desde então, só foi vista algumas vezes nas mídias sociais chinesas.

Uma das atletas mais ativas quanto a Peng Shuai, Naomi Osaka, que é classificada como a número 1 pela Associação de Tênis Feminino, afirmou no dia 20 de janeiro que a comunidade do tênis “se uniu” para cuidar da segurança de Peng Shuai.

“Eu me imagino no lugar dela e, dessa forma, é um pouco assustador”, observou a tenista japonesa. “Você meio que quer emprestar sua voz e quer que as pessoas, você sabe, façam as perguntas”.

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