As FARC apoiam Gustavo Petro

Bogotá não necessita de um agitador respaldado pela maior organização criminosa do continente. Necessita de um verdadeiro prefeito, um cidadão honorável e competente que tire a capital da crise em que a afundaram os vagabundos prefeitos de esquerda e extrema esquerda que trabalhavam para encher os próprios bolsos, para enriquecer seus amigos e para o projeto político castro-chavista.

O respaldo dado a Gustavo Petro pelas FARC [1] desde Cuba prova uma vez mais que a tal “esquerda democrática” não existe na Colômbia. Por trás desse projeto ilusório está, como sempre, o braço armado comunista.

Desde Havana, as FARC gritam seu apoio a Petro em tom dilacerado. Insultam e ameaçam de novo o procurador-geral da nação (sem que o presidente Juan Manuel Santos, que é obrigado a conservar a ordem pública em todo o território nacional e a honra da nação, se atreva a mandar-lhes se calar). Em todo caso, o bando narcoterrorista não quer que o caótico funcionário sancionado abandone esse posto tão estratégico.

As hienas de Havana se disfarçam de ovelhas. Contorcionam-se, posam de “indignados”. Pretendem que os colombianos vejamos os assassinos de Inzá (onde deixaram 7 mortos, 53 feridos, 127 casas destruídas, centenas de pessoas traumatizadas e 3 bilhões de pesos em perdas materiais) como defensores da “democracia”.

As gesticulações dessa gente confirmam que a eleição de Gustavo Petro para dirigir Bogotá é parte de um complicado andaime no qual as FARC desempenharam e continuam desempenhando um papel central.

Se os bogotanos agora elegem um prefeito que não esteja sob essa nefasta influência, a panela podre que se foi acumulando durante as últimas administrações da cidade (todas saídas do partido Polo Democrático) será destampada, pois o corrupto “cartel da contratação”, de proporções nunca antes vistas em Bogotá, montado pelo também destituído e hoje encarcerado prefeito esquerdista Samuel Morena Rojas, poderia ser só a ponta do iceberg. Ou será que tal operação de saque de Bogotá se fez da noite para o dia?

Ante o apoio dado a Petro pelas FARC também é obrigatório repensar os atentados de baixo perfil que estiveram sofrendo o procurador Alejandro Ordóñez e sua família nos últimos meses. Não falo da campanha difamatória sistemática, senão dos atentados a bala que o promotor Montealegre, como coisa ignominiosa, não se abala em investigar. A bala de alto calibre que, em dias passados, atravessou um janelão a poucos metros do gabinete do procurador, pode ter sido disparada por um franco-atirador formado pela subversão.

As FARC querem se desfazer do procurador geral, pois ele dirige a luta mais acertada e valente contra a impunidade que esses criminosos querem obter por meio das transações em Havana. Agora pode-se pensar que queriam assassiná-lo antes que anunciasse a destituição do prefeito Petro. Esse bando também quer atentar contra o ex-presidente Álvaro Uribe, segundo informes de inteligência revelados há alguns dias pelo ministro colombiano de Defesa.

A atitude desesperada de Petro e de seus amigos ante a sanção imposta com toda razão e em plena legalidade pelo procurador Alejandro Ordóñez Maldonado, mostra que a grande dimensão do que está em jogo. O mais assombroso é que o recém-nomeado embaixador dos Estados Unidos na Colômbia, Kevin Whitaker, abuse de sua posição e repita desde Washington o mesmo que as FARC disseram: que a destituição de Petro “poderia erodir o processo de paz”. A administração Obama está cada vez pior e já ninguém sabe em que vai terminar.

A chantagem que consiste em mesclar a destituição de Gustavo Petro ao futuro das negociações em Havana demonstra que os interesses dos bogotanos e de Bogotá, inclusive as camadas mais pobres, são a última preocupação da faixa esquerdista e das FARC. As ilegais “mobilizações de massas” que Petro tenta desatar na capital da República, caem muito bem à subversão, pois ampliarão o contexto de desordem e violência que servirão para arrancar a Santos, o quanto antes, as concessões que as FARC querem em matéria de narcotráfico, participação política e ocupação de territórios.

A tenaz Petro-FARC deixou de ser uma hipótese. A oposição e as instituições que não sucumbiram à corrupção saberão cercar o procurador Ordóñez para fazer fracassar os desmandos que estão em desenvolvimento contra ele, contra Bogotá e contra a Colômbia.

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[1] Artigo publicado no site das FARC em defesa de Gustavo Petro: “A propósito de la destituición de Gustavo Petro”.

Tradução: Graça Salgueiro

 
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