Facebook perde quase 200 bilhões de dólares com queda de usuários

Jovens deixaram de se associar à marca e se inclinaram para plataformas mais interativas

Por Naveen Athrappully

As ações da Meta perderam mais de um quinto de seu valor, pois a empresa está lutando para reter usuários.

Registrando a primeira perda sequencial de clientes nos 18 anos de história da empresa, a Meta Platforms, anteriormente conhecida como Facebook, caiu para 1,929 bilhão de usuários diários de 1,93 bilhão de usuários no trimestre anterior. O crescimento de usuários no Whatsapp e Instagram também foi fraco, resultando na queda do preço das ações em 20%, resultando na perda de quase US$ 200 bilhões em valor de mercado da empresa, que é mais do que o valor de mercado combinado de outras grandes plataformas de tecnologia, como Twitter, Pinterest e Snapchat.

A receita para o primeiro trimestre deve ficar entre US $27 bilhões e US $29 bilhões, de acordo com um relatório de lucros publicado no dia 2 de fevereiro, enquanto analistas esperavam que o número ultrapassasse US $30,15 bilhões. Embora isso esteja entre 3% e 11% de crescimento ano a ano, a empresa espera que “o crescimento no primeiro trimestre seja impactado por ventos contrários ao crescimento tanto de impressão como do preço”.

Os jovens, em grande parte, deixaram de se associar à marca e se inclinaram para plataformas mais interativas. O Facebook também tem a reputação de censurar perspectivas de centro-direita, desde os principais meios de comunicação até influenciadores individuais.

A supressão e a censura de informações ao promover pontos de vista específicos não ajudaram com a crescente desconfiança da plataforma. A queda no engajamento do Facebook foi acompanhada pelo surgimento de diversas plataformas alternativas, como Gab, Parler, MeWe, Telegram e Rumble, entre outras.

A reformulação da marca Facebook para Meta não eliminou os principais problemas que assolam a empresa, embora a gigante da tecnologia aponte para “desafios macroeconômicos, como inflação de custos e interrupções na rede global de fornecimento”, que estão “afetando os orçamentos dos anunciantes”, além das taxas de câmbio de moeda estrangeira e mudanças regulatórias para iOS da Apple.

A transparência de rastreamento de aplicativos da Apple reduz o direcionamento preciso dos usuários da Apple, desativando a confirmação de vendas ou downloads e outros recursos de identificação.

“Acreditamos que o impacto geral do iOS é um vento contrário em nossos negócios em 2022”, afirmou  o diretor financeiro da Meta, Dave Wehner, em uma ligação com analistas após o relatório de ganhos do quarto trimestre da empresa. “Está na ordem de US $10 bilhões, então é um vento contrário bastante significativo para nossos negócios”.

A outra razão dada pela empresa para o desempenho decepcionante foi a dificuldade de monetizar o Instagram Reels, para o qual mais usuários estão voltando sua atenção. De acordo com a empresa, os Reels “monetizam em taxas mais baixas do que Feed e Stories”.

As ações do Twitter também caíram mais de 7%, enquanto o Snapchat caiu quase 20%. O Pinterest caiu mais de 10%, mas conseguiu recuperar parte de seu valor durante as negociações de 3 de fevereiro.

A Meta investiu mais de US $10 bilhões na construção de sua plataforma 3D, relacionado a infraestrutura e contratação de mais talentos, o que também contribuiu para o aumento dos custos da empresa. A força de trabalho da Meta aumentou 23% em 2020, encerrando 2021 com 71.970 funcionários.

“Estou animado com o progresso que fizemos no ano passado em várias áreas importantes de crescimento, como Reels, comércio e realidade virtual, e continuaremos investindo nessas e em outras prioridades importantes em 2022, enquanto trabalhamos para construir o metaverso”, declarou Mark Zuckerberg no relatório.

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