Extração forçada de órgãos na China é questionada num fórum de negócios em Los Angeles

Por Sarah Le, Epoch Times

Um desacordo sobre a atrocidade da extração forçada de órgãos na China estourou num local incomum, um fórum sobre comércio internacional.

A China é o principal parceiro comercial do distrito alfandegário de Los Angeles, respondendo por mais da metade de toda a atividade em seus portos. A China também é o maior parceiro comercial dos Estados Unidos como um todo.

Em 8 de maio, o 4º Jantar Anual dos Cônsules-Gerais foi realizado no City Club Los Angeles. Antes do jantar, o World Trade Center de Los Angeles sediou um fórum de comissários comerciais para discutir “O impacto do comércio internacional”.

Stephen Cheung, presidente do World Trade Center (WTC) de Los Angeles, presidiu o fórum.

“A Califórnia acabou de se tornar a quinta maior economia do mundo, superando o Reino Unido. Então, este é o poder desta região”, disse Cheung durante o fórum. “Esta posição é baseada no nosso relacionamento internacional com nossos investidores, com nossos parceiros comerciais internacionais.”

O Epoch Times perguntou a Haiyan Liu, cônsul comercial sênior do Consulado-Geral da China em Los Angeles, sobre a extração forçada de órgãos de prisioneiros de consciência na China, mas ele negou que isso fosse um problema.

“Acho que o governo chinês fez uma declaração sobre o assunto que você mencionou e não é mais um problema agora”, disse Haiyan Liu.

No entanto, outro membro da audiência imediatamente se levantou e disse que havia de fato evidências de respeitados grupos de mídia de que a extração forçada de órgãos de prisioneiros de consciência ainda estava acontecendo na China.

“Se você tiver provas, podemos [conduzir] um processo criminal. Podemos começar esse tipo de procedimento”, disse Haiyan Liu em resposta.

Haiyan Liu posteriormente se recusou a falar cara-a-cara com o repórter do Epoch Times.

A evidência sobre a extração forçada de órgãos, sancionada pelo regime chinês, de prisioneiros de consciência na China foi publicada e tornada pública online por distintos pesquisadores independentes por mais de uma década.

De acordo com o relatório de 2016 “Colheita Sangrenta/A Massacre: Uma Atualização”, de coautoria do ex-secretário de Estado canadense (Ásia/Pacífico) David Kilgour, do advogado de direitos humanos David Matas e do premiado analista Ethan Gutmann, praticantes da disciplina espiritual do Falun Gong (também chamado Falun Dafa) tem sido desde 2000 a principal fonte de órgãos transplantados na China, com um enorme número de adeptos do Falun Gong tendo sido assassinados para abastecer a indústria de transplante na China.

Esses prisioneiros de consciência são submetidos a exames sangue e de tecidos, e então são executados sob demanda para que seus órgãos sejam vendidos.

Em 2016, a Câmara dos Representantes dos EUA aprovou por unanimidade uma resolução expressando preocupação com os “relatos persistentes e confiáveis ​​da extração sistemática de órgãos, sancionada pelo Estado, de prisioneiros de consciência não voluntários na República Popular da China”.

Depois do fórum, Stephen Cheung disse que a competência e o foco do WTC são o comércio internacional em termos de investimentos para Los Angeles, portanto, lidar com esse tipo de preocupação envolvendo a China não faz parte do trabalho deles.

No entanto, Cheung disse que, como ser humano, ele esperava aprender mais sobre as alegações contra o regime chinês a respeito da extração forçada de órgãos.

“Se isso é verdade, isso é definitivamente muitíssimo desconcertante”, disse Cheung.

Após o fórum, foi realizado o Jantar dos Cônsules-Gerais, com uma discussão sobre o tema “Turismo médico: uma perspectiva de saúde internacional”. Edwin McCarthy, vice-presidente do Centro de Medicina Internacional da Cidade da Esperança (City of Hope), participou do painel de especialistas.

McCarthy disse que a Cidade da Esperança está focada no tratamento do câncer, e os únicos transplantes conduzidos no hospital são os transplantes de medula óssea. Mas ele estava ciente da questão da extração forçada de órgãos na China, na qual turistas médicos de outros países costumam viajar em busca de um transplante de órgãos.

“No meu entender, esta não é uma nova descoberta. Isso é algo que foi documentado no passado”, disse ele. “Acredito que é importante que esse tipo de exposição continue, para receber a atenção devida e não ser ignorada ou descartada.”

Meral Duran, diretora-executiva da Câmara de Comércio Turco-Americana da Costa Oeste e assessora-política da União Europeia, que estava no painel do fórum de comissários comerciais, disse que também estava ciente da extração forçada de órgãos na China.

“Na Europa, somos a terra do estado de direito, falamos sobre os direitos humanos, é claro que estamos… olhando isso profunda e cuidadosamente”, disse ela.

 
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