Exposição a outros vírus aumenta imunidade à Covid-19 na Ásia, diz estudo

Por EFE

Tóquio, 20 maio – Um estudo da Universidade de Tóquio indica que as populações no Japão e em outros países do leste da Ásia têm maior proteção imunológica contra o novo coronavírus, graças à exposição anterior a outros patógenos relacionados, anunciou nesta quarta-feira um de seus autores.

Isso então explicaria “a pequena taxa de mortalidade no Japão e em outros países do sudeste da Ásia”, disse o professor Tatsuhiko Kodama, do Centro de Estudos Avançados em Ciência e Tecnologia da Universidade de Tóquio.

A análise de amostras de anticorpos para mais de 100 japoneses “indica que existe imunidade contra a Covid-19 em muitos indivíduos não expostos ao patógeno devido à exposição prévia à proteína de outro coronavírus da mesma família”, explicou Kodama.

Os resultados preliminares do estudo, nos quais dezenas de amostras de pacientes continuam sendo analisadas diariamente, “sugerem que a imunidade ao novo coronavírus já existe em muitos países do leste asiático”, disse o especialista.

Kodama acrescentou que sua hipótese é apoiada por outro estudo publicado há uma semana por cientistas americanos e conduzido entre moradores da cidade de San Diego que não haviam sido expostos a Covid-19, dos quais 50% tinham “memória imune” ao novo coronavírus.

Esta cidade no estado da Califórnia possui um grande número de residentes de origem asiática e extensas conexões com a Ásia-Pacífico e, como nessa região, houve sucessivas epidemias de resfriado comum nos últimos anos, possivelmente causadas por cepas relacionadas com a Covid-19, explicou o especialista.

A razão dessa imunidade subjacente seria o aumento da circulação no leste da Ásia de outras variedades de coronavírus, incluindo aqueles que causam surtos de síndrome respiratória aguda (Sars) em 2003 e a epidemia de síndrome respiratória do Oriente Médio (Mers) em 2012.

“No leste da Ásia, temos um longo histórico de doenças com sintomas semelhantes aos da gripe. Muitos desses vírus vieram originalmente da China e de outras partes do sudeste da Ásia e depois se espalharam para o Oriente Médio e Europa”, disse o professor.

Enquanto a China, Coreia do Sul e Japão registraram entre três e seis mortes por milhão de habitantes, em outros países como Espanha, Itália e Reino Unido essa proporção sobe para mais de 500 por milhão de habitantes.

“É uma enorme diferença que não foi estudada extensivamente, e precisamos entender por que”, disse Kodama, que também disse desconfiar dos dados sobre infecções por Covid-19 divulgadas pelas autoridades japonesas devido ao número reduzido de testes PCR realizado.

Os números oficiais indicam que somente em Tóquio foram registrados cerca de 5 mil infecções, um número que pode ser “até 16 vezes maior”, segundo estimativas da equipe liderada por Kodama e com base em seus testes de anticorpos.

 
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