Exportações de soja retrocedem por gargalos nos transportes

Uma vista aérea do Porto de Paranaguá no Estado do Paraná, Brasil. Congestionamento nos portos estão limitando a exportação de soja brasileira, que está em níveis de produção recorde este ano. (Arquivo / Appa)
Vista aérea do Porto de Paranaguá no Estado do Paraná, Brasil. Congestionamentos nos portos estão limitando a exportação de soja brasileira, que atingiu níveis de produção recorde este ano (Arquivo / Appa)

Embora a produção de soja brasileira tenha atingido níveis recordes este ano, deixando o país prestes a se tornar o maior produtor do mundo, o congestionamento nos portos e os gargalos logísticos estão impedindo as exportações, com os produtores temendo perder mercados internacionais.

Leonardo Sologuren, diretor da consultoria Clarivi, diz que a razão para os gargalos nos portos é que a logística e infraestrutura não acompanharam o ritmo de produção de soja.

“No Brasil houve um crescimento de [produção de soja] de 2012 a 2013 de 65 milhões de toneladas para 82 milhões de toneladas”, disse o diretor.

De acordo com levantamento feito pela agência governamental Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), fazendas dedicadas à produção de soja cresceram 10,4 % em relação ao ano passado. No mesmo levantamento, porém, é mostrado um declínio nas exportações em relação aos anos anteriores, devido a limitações logísticas.

Segundo a Conab, a demanda por soja no Brasil continuará a ser forte em 2013, com os mercados internacionais, particularmente a China, ávidos pelo produto. O Brasil está atualmente competindo com os Estados Unidos para os mercados da Ásia, Europa e outras regiões.

Leonardo diz que há numerosos fatores que contribuem para os congestionamentos nos portos. Há interrupções de transporte devido à chuva, falta de instalações de armazenamento suficientes, falta de caminhões, as hidrovias e ferrovias são limitadas, além de outros fatores.

Daniel Furlan Amaral, gerente de economia da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), diz que o fato da cultura do milho também apresentar um ano de alta produção significa que as rotas de transporte e infraestrutura estão ainda mais limitadas para a soja este ano.

Segundo Daniel, comparado ao ano passado, só de farelo de soja e milho houve aumento de 100% do volume no Porto de Santos e 20% em Paranaguá. “Não é pouca coisa”, afirma.

Para eles, a única solução é a melhoria da infraestrutura logística, do contrário a produção estará limitada e a capacidade de produção e exportação diminuirá.

Chuva paralisa exportações

Em Paranaguá, principal porto brasileiro de exportação de soja e farelo, no estado do Pará, houve um total de 27 dias de paradas de embarque devido à chuva em menos de três meses este ano. Isso é mais que o dobro do número de paradas durante o mesmo período do ano passado, com apenas 13 dias, de acordo com Luiz Henrique Dividino, superintendente do porto.

A chuva é apenas uma das questões. “Ainda temos a complicação de estar trabalhando simultaneamente com dois produtos. O milho ainda está sendo escoado, o que concorre com o escoamento da soja. Mas pela programação de navios vemos que estão nomeadas poucas embarcações para receber o milho e dentro de poucos dias poderemos dar vazão à soja”, explica o superintendente.

A umidade elevada é outro obstáculo no movimento da soja, uma vez que pode danificar os grãos enquanto estão armazenados.

Investimentos do governo em soluções de longo prazo

O governo já tomou medidas para implementar soluções de longo prazo para resolver a questão das limitações de transporte, e também está considerando diferentes propostas.

Alguns dos portos, como o Porto de Itaqui, no Maranhão, estão sendo ampliados, e o governo também pretende investir em novos portos, mas como Daniel da Abiove aponta, as expansões vão levar algum tempo para serem concluídas.

Há também um período de tempo para que o mercado se habitue a usar quaisquer novos portos, diz Priscilla Biancarelli Nunes, coordenadora do Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial.

“Além de ter o tempo de investimento [nos novos portos], tem o período do mercado se habituar com o outro lado de exportação”, disse.

Ela estima que o caos nos portos vai continuar a ser a norma, pelo menos nos próximos cinco anos.

O governo também pretende expandir instalações de armazenamento para ajudar a aumentar a capacidade de exportação.

“Estão sendo levantados locais estratégicos para novos armazéns no país. O estudo fará parte do Plano Nacional de Armazenagem”, disse o porta-voz do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Depois de identificar os locais, o governo irá incentivar o setor privado a construir armazéns nesses lugares.

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