Expansão chinesa: Xi Jinping parabeniza Petro e fala em “novo ponto de partida” nas relações bilaterais

Por Renato Pernambucano

O presidente chinês Xi Jinping parabenizou o presidente eleito da Colômbia, Gustavo Petro, e enfatizou que as relações entre os dois países estão em um novo ponto de partida, conforme mídia estatal chinesa.

Em mensagem enviada no sábado pela agência oficial do Partido Comunista Chinês, Xinhua, Xi anunciou que está disposto a trabalhar com Petro para “aprofundar a confiança política mútua, avançar a cooperação prática e trabalhar no desenvolvimento das relações bilaterais” em benefício dos dois países.

O socialista Gustavo Petro venceu o segundo turno presidencial, em 19 de junho, com quase 11,3 milhões de votos (50,44%), contra quase 10,6 milhões (47,31%) de seu rival, Rodolfo Hernández.

Influência crescente do PCCh na América Latina

A vitória de Petro na Colômbia pontua uma sequência de eleições vencidas por candidatos de viés socialista na América Latina, dita uma “onda rosa” em reportagens da imprensa estrangeira.

O Dr. R. Evan Ellis, da Escola de Guerra do Exército dos EUA, e ex-oficial das Relações Exteriores do país, fala em uma maior influência do regime comunista chinês na região:

“Na América Latina, a RPC (República Popular da China) expandiu rapidamente sua posição e influência nas últimas duas décadas por meio de comércio, empréstimos e investimentos. O comércio da China com a região cresceu de US$ 12 bilhões em 2000 para US$ 278 bilhões em 2017; mais de US$ 137 bilhões em empréstimos para a região, superando o Banco Interamericano de Desenvolvimento e o Banco Mundial. As empresas chinesas investiram mais de US$ 122 bilhões na região entre 2000 e 2018, com todo esse valor, exceto US$ 16 bilhões, vindos depois de 2010. A grande maioria desses investimentos envolveu a aquisição de controle sobre commodities ou construção e domínio da infraestrutura para avaliar commodities e mercados. De fato, desses US$ 122 bilhões em investimentos, US$ 73 bilhões (60%) foram no setor de commodities e outros US$ 37 bilhões em serviços, como construção.”

Joseph Humire, Especialista em Segurança e Diretor Executivo do grupo Center for a Secure Free Society, em entrevista à NTD, mídia irmã do Epoch Times, comentou sobre os riscos relacionados:

“Os chineses estão se certificando de que a América Latina se torne uma área inóspita para os Estados Unidos fazerem comércio, viagens e negócios”

“Isso significa que, em pouco tempo, eles pegarão satélites americanos e os tirarão de órbita na América Latina (…) onde os Estados Unidos deveriam ter mais influência”, disse Humire em fevereiro, durante a Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC) em Orlando, na Flórida. Ele abordava avanços tecnológicos da RPC na região, incluindo uma instalação aeroespacial na Argentina.

Ainda de acordo com Humire: “Enquanto a China estiver na América Latina, sempre poderá tomar ações mais agressivas no Indo-Pacífico (…) E essa parte é uma séria ameaça não apenas para os Estados Unidos, mas para o mundo ocidental”.

Entre potências

A Colômbia é um aliado tradicional dos EUA na América do Sul, com colaboração em pastas incluindo o combate ao narcotráfico, e à imigração ilegal. Gustavo Petro é citado como “o primeiro presidente de esquerda” do país, e especialistas citam um possível distanciamento de Washington como iminente. Com o fim do Status Quo anterior em Bogotá, o jornal americano Los Angeles Times publicou: “Os EUA estão prestes a perder seu melhor amigo na América Latina”.

O periódico citou Cynthia Arnson, do think-tank Wilson Center: “Se vier a ocorrer, uma perda de parceria estratégica seria um revés para a política americana no hemisfério”.

 

Marcos Schotgues contribuiu para este artigo.

Com informações da Agência EFE.

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