Ex-primeiro-ministro da Malásia diz que muçulmanos “têm o direito de matar franceses”

Por Rayla Alves, Terça Livre

Mahathir Mohamad, ex-primeiro-ministro da Malásia, declarou nesta quinta-feira (29), que os muçulmanos “têm o direito de matar milhões de franceses.” As afirmações foram publicadas nas redes sociais,  pouco depois do atentado terrorista numa igreja de Nice, sudeste de França.

“Independente de religião, pessoas com raiva matam. Os franceses, ao longo de sua história, mataram milhões de pessoas. Muitos eram muçulmanos. Os muçulmanos têm o direito de ficar com raiva e matar milhões de franceses pelos massacres do passado”, escreveu Mohamad em um trecho das publicações.

Mahathir Mohamad, que chefiou o executivo da Malásia, país muçulmano, até fevereiro passado, escreveu uma série de mensagens, em inglês, na sua conta no Twitter, lembrando do assassinato de um professor francês que tinha mostrado caricaturas de Maomé aos alunos e criticando o Presidente francês, Emmanuel Macron.

Ao falar sobre a decapitação do professor, Mahathir afirma não aprovar o atentado, mas defende que a liberdade de expressão “não inclui insultar outras pessoas”.

“Independentemente da religião em causa, as pessoas zangadas matam”, escreve o ex-primeiro-ministro, de 95 anos.

Mahathir, que ocupou por duas vezes o cargo de primeiro-ministro, acumulando 24 anos na chefia do executivo malaio, afirma nas mensagens que Emmanuel Macron “não mostra estar a ser civilizado” e “é muito primitivo quando culpa a religião islâmica e os muçulmanos pelo assassínio” do professor.

“Os franceses devem ensinar aos seus cidadãos o respeito pelos sentimentos dos outros. Quando acusamos todos os muçulmanos e a religião dos muçulmanos pelo que uma pessoa zangada fez, os muçulmanos têm o direito de castigar os franceses”, escreve.

“O boicote não pode compensar as injustiças cometidas pelos franceses durante todos estes anos”, acrescenta.

A forte declaração do ex-premiê malaio ocorre em meio a uma escalada crescente das tensões entre a França e o mundo islâmico. Uma série de atentados com armas brancas foi registrada no país desde setembro.

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