EUA voltarão a impor sanções ao Irã, enquanto protestos assolam regime

Por Ivan Pentchoukov, Epoch Times

Os Estados Unidos voltarão a impor uma série de sanções ao regime iraniano a partir de hoje (7), como parte do plano iniciado pelo presidente Donald Trump ao retirar os Estados Unidos do acordo nuclear com o Irã há três meses, segundo altos funcionários da administração.

As sanções entrarão em vigor ao mesmo tempo em que protestos dos cidadãos que pedem uma mudança de regime no Irã multiplicam-se no país. Os manifestantes estão indignados com a corrupção do regime e com o uso da riqueza do país para financiar atividades malignas na região, em vez de ajudar o povo iraniano.

Altos funcionários da administração Trump disseram a repórteres ontem (6) que os Estados Unidos apoiam o povo iraniano, mas não estão exigindo uma mudança de regime. As autoridades acusam os líderes do Irã de serem os maiores financiadores do terrorismo no mundo, de apoiar ditadores e de exercerem um papel desestabilizador no Oriente Médio. As sanções são parte de um esforço para mudar o comportamento do regime, disseram os funcionários.

Trump suspendeu a reimposição de dois conjuntos de sanções contra o Irã por 90 e 180 dias, quando se retirou do acordo nuclear em maio. O Irã começou a sofrer sanções antes mesmo que as medidas entrassem em vigor. A moeda do país está em colapso, mais de 100 empresas estrangeiras anunciaram sua intenção de deixar o país e o desemprego está em ascensão.

“Fico feliz que muitas empresas estrangeiras já tenham anunciado sua intenção de deixar o mercado iraniano, e vários países indicaram que vão reduzir ou acabar com as importações de petróleo bruto iraniano”, disse Trump em uma declaração ontem.

“Pedimos a todas as nações para que tomem as medidas necessárias a fim de deixar claro que o regime do Irã tem que decidir: ou ele muda seu comportamento ameaçador e desestabilizador e se reintegra à economia mundial, ou permanece no caminho até o isolamento econômico”.

Um membro do alto escalão da administração Trump disse a repórteres que Washington começará hoje a aplicar sanções que impactarão várias categorias comerciais, incluindo a compra de dólares norte-americanos, a venda de metais preciosos, as transações monetárias iranianas, a emissão de dívida iraniana e o setor automotivo do regime iraniano.

Os detalhes das sanções constam de um decreto que Trump assinou no domingo (5) em Bedminster, Noja Jersey.

As sanções de agosto serão seguidas por um segundo conjunto de medidas em novembro, que impactarão os setores de petróleo e energia, instituições financeiras, operações portuárias, navios e sua construção, e o setor de seguros do Irã.

Em 30 de julho, Trump ofereceu a possibilidade de se reunir com o líder iraniano Hassan Rouhani sem condições prévias. O Irã respondeu à oferta com a exigência de que os Estados Unidos voltem ao acordo nuclear com o Irã como uma condição para a reunião.

“O Irã e sua economia estão indo muito mal, e rápido!”, escreveu Trump no Twitter no sábado (4). “Eu vou me reunir, ou não vou me reunir, não importa, isso depende deles!”.

Um oficial de alto escalão da administração Trump disse que as sanções serão mantidas até que o Irã deixe de enriquecer urânio e cesse suas atividades malignas no Oriente Médio.

“Nossa intenção é cortar o acesso do regime aos recursos que eles têm usado de forma sistemática para financiar o terrorismo, para permitir a proliferação de armas e para ameaçar a paz e a estabilidade da região”, disse o oficial.

“Nossas ações continuarão limitando severamente a capacidade do Irã — que, como todos sabem, é o maior Estado patrocinador do terrorismo — para obter fundos e assim continuar financiando seu amplo leque de comportamentos malignos”.

China, Rússia, Alemanha, França, Grã-Bretanha e União Europeia continuam fazendo parte do acordo nuclear com o Irã.

Durante sua campanha e depois de assumir a presidência, Trump criticou o acordo com o Irã — oficialmente chamado Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA, na sigla em inglês) — como um desastre. O presidente intensificou sua crítica ao acordo em uma declaração sobre as sanções feitas ontem (6).

“O JCPOA, um acordo horrível e unilateral, falhou em alcançar o objetivo fundamental de bloquear todos os caminhos para uma bomba nuclear iraniana, e jogou um bote salva-vidas de dinheiro para uma ditadura assassina que continua promovendo banhos de sangue, violência e caos”, disse Trump.

Simulações de guerra

A Guarda Revolucionária do Irã confirmou no domingo (5) que haviam realizado simulações de guerra no Golfo dias antes, e disse que o objetivo era “enfrentar possíveis ameaças” dos inimigos, segundo informou a agência estatal de notícias IRNA.

Oficiais de alto escalão norte-americanos disseram em 2 de agosto que os Estados Unidos acreditavam que o Irã havia começado a realizar exercícios navais no Golfo, aparentemente antecipando cronogramas de treinamento, em meio às tensões crescentes com Washington.

“Esses exercícios foram conduzidos com o objetivo de controlar e salvaguardar a segurança das águas internacionais e no âmbito do programa anual de exercícios militares da Guarda Revolucionária”, disse Ramezan Sharif, porta-voz da Guarda, de acordo com o IRNA.

O Comando Central do Exército dos Estados Unidos confirmou em 1º de agosto que observou um aumento na atividade naval iraniana. A atividade se estendeu para o Estreito de Ormuz, uma passagem estratégica para os carregamentos mundiais de petróleo que a Guarda Revolucionária ameaça bloquear.

Um membro do governo norte-americano, que preferiu permanecer anônimo, disse que os exercícios podem ter envolvido mais de 100 navios, incluindo pequenos barcos.

Outros oficiais norte-americanos disseram que os exercícios pareciam ser destinados a dar um aviso a Washington.

O Irã não parece estar interessado em chamar a atenção para os exercícios. Autoridades iranianas não falaram sobre eles antes, e vários funcionários preferiram não comentar.

No mês passado, o líder supremo aiatolá Ali Khamenei apoiou a sugestão de Rouhani de que o Irã poderia bloquear as exportações de petróleo no Golfo caso suas próprias exportações sejam interrompidas.

Colaborou: Agência Reuters

 
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