EUA sancionam estatal chinesa CEIEC por ajudar Maduro a minar democracia na Venezuela

CEIEC viola os valores democráticos do país ao restringir o serviço de Internet e realizar vigilância digital e operações cibernéticas contra oponentes políticos

Por Debora Alatriste

O Departamento do Tesouro anunciou na segunda-feira a sanção da estatal chinesa CEIEC por “apoiar os esforços do regime” de Nicolás Maduro para minar a democracia na Venezuela.

A Corporação Nacional de Importação e Exportação de Eletrônicos da China (CEIEC) é uma subsidiária da estatal China Electronics Corporation (CEC) – uma grande contratada para os militares chineses. O departamento disse que a CEIEC viola os valores democráticos do país ao restringir o serviço de Internet e realizar vigilância digital e operações cibernéticas contra oponentes políticos.

“A dependência do regime ilegítimo de Maduro de entidades como a CEIEC para fazer avançar sua agenda autoritária ilustra ainda mais a priorização do poder do regime sobre os valores e processos democráticos”, disse o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, em comunicado divulgado no dia 30 de novembro.

“Os Estados Unidos não hesitarão em visar a quem quer que ajude a suprimir a vontade democrática do povo venezuelano e de outros no mundo”, acrescentou o funcionário norte-americano.

As sanções implicam que todos os ativos e interesses de propriedade da CEIEC que estejam nos Estados Unidos ou em posse ou controle de americanos sejam bloqueados e informados ao OFAC. Eles também proíbem todas as transações realizadas por pessoas dos Estados Unidos ou dentro do país com a CEIEC.

Desde 2017, a CEIEC fornece treinamento, software e conhecimento técnico ao canal do regime da CANTV (Companhia Telefônica Nacional da Venezuela) – que controla 70% do serviço de Internet em toda a Venezuela – para bloquear jornais online independentes e discursos de transmissão ao vivo pelo governo interino, por meio de uma versão do “Grande Firewall” usado pelo Partido Comunista Chinês – um sistema nacional de censura online estrita na China.

A censura da Internet chinesa, conhecida coletivamente como “Grande Firewall”, bloqueia o acesso a uma variedade de sites politicamente sensíveis, bem como a plataformas ocidentais populares e redes sociais. Entre a lista de sites proibidos, que somam cerca de 600 mil, estão Wikipedia, Twitter, Facebook, Google, YouTube, BBC e Reuters.

Nos últimos anos, o regime de Maduro “demonstrou repetidamente” sua disposição de censurar pontos de vista opostos e violar os direitos do povo. Segundo a agência, no dia 5 de janeiro deste ano, a CANTV restringiu o acesso às redes sociais no mesmo dia da votação para a liderança na Assembleia Nacional. E em 30 de abril de 2019, durante um levante popular contra o regime de Maduro, os cidadãos venezuelanos sofreram quedas de energia e o sinal dos telefones celulares ficaram fracos ou perdidos. Além disso, em fevereiro do mesmo ano, a CANTV adulterou o sistema de nomes de domínio de um site de entrega de ajuda humanitária, redirecionando os visitantes para um site falso projetado para falsificar informações pessoais dos visitantes.

A CEIEC criou o Sistema de Segurança Pública e Gestão de Emergências da Venezuela, que foi anunciado em 2013 pelo regime de Maduro como um Sistema Integrado de Monitoramento e Assistência (Sima) e contratado por US$ 1080 milhões, informou a Venezuela. Da mesma forma, o Estado chinês administra o Sistema Tecnológico de Segurança Penitenciária.

A ação do governo Trump, que ocorre poucos dias antes das eleições convocadas por Maduro, foi celebrada pelo senador Rick Scott (R-Flórida).

“A China comunista e seus animais de estimação sabem das atrocidades que Maduro faz ao seu povo. É genocídio e qualquer um que o apaia é um participante voluntário”, escreveu ele no Twitter na segunda-feira.

“Estou feliz que [o] governo esteja impondo sanções aos ditadores contra a democracia em nosso hemisfério”, acrescentou.

Em julho deste ano, o Departamento do Tesouro disse que governos antidemocráticos em todo o mundo recorreram a tecnologias exportadas da China para reprimir dissidentes políticos. Países como Equador – na gestão do ex-presidente Rafael Correa – e Venezuela “têm ou buscam adquirir tecnologias de informação e comunicação chinesas” por meio de empresas como Huawei e CEIEC, para integrá-las às suas infraestruturas nacionais, segundo o relatório da Comissão de Relações Exteriores do Senado dos Estados Unidos.

“A República Popular da China está avançando, (…) para construir e expandir o autoritarismo digital por meios econômicos, políticos, diplomáticos e coercitivos em casa e no exterior”, diz o documento.

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