EUA: questões que Trump tratará em seu discurso do Estado da União

A economia americana está de volta revigorada, e o presidente norte-americano Donald Trump tem mostrado como ele se preocupa com o bem-estar de todos os americanos; estes serão os principais temas no primeiro discurso do Estado da União proferido por Trump, de acordo com um alto funcionário da administração.

Mandado pela Constituição, o discurso anual do Estado da União geralmente é o mais importante feito pelo presidente em todo o ano e perante sua maior audiência. A ocasião dá ao presidente dos Estados Unidos a oportunidade de apresentar a sua visão e a direção em que ele deseja conduzir à nação. Embora alguns discursos tenham sido mais ou menos listas de novas iniciativas, os presidentes também costumam usar o discurso para articular temas abrangentes.

Este ano, de acordo com o alto funcionário da administração, Trump falará sobre os esforços de sua gestão para construir uma “América segura, forte e orgulhosa”.

Espera-se que o presidente fale do coração e reforce a importância da unidade nacional baseada no patriotismo, além de destacar as melhores oportunidades oferecidas por uma economia em crescimento.

Questões

Trump se concentrará em cinco temas: empregos e economia, infraestrutura, imigração, comércio e segurança nacional.

Esses tópicos foram os temas da sua administração até agora, e foram abordados em declarações, legislação e propostas presidenciais.

Em seu discurso no Fórum Econômico Mundial de Davos em 26 de janeiro, Trump pode ter dado uma prévia do que ele dirá no Estado da União: “O mercado de ações está registrando um recorde após o outro e adicionou mais de US$ 7 trilhão em novas riquezas desde a minha eleição. A confiança do consumidor, a confiança das empresas e a confiança na fabricação têm sido as mais altas em muitas décadas.”

“Desde a minha eleição, criamos 2,4 milhões de empregos, e esse número está subindo muito substancialmente. O otimismo das pequenas empresas está numa alta inédita. Novas reivindicações de seguro desemprego são quase as mais baixas que já vimos em praticamente meio século. O desemprego afro-americano atingiu a menor taxa já registrada na história dos Estados Unidos, assim como o desemprego entre os hispânico-americanos.”

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Numa reunião com cerca de 100 dos prefeitos do país em 24 de janeiro, Trump anunciou um valor para seu novo plano de infraestrutura: US$ 1,7 trilhão. Uma versão preliminar do plano vazou em 22 de janeiro. O esboço do plano, que a Casa Branca decidiu não comentar até publicar sua versão oficial, buscará usar fundos federais para alavancar investimentos privados e locais em projetos de infraestrutura e também dará prioridade a investimento em áreas rurais.

No Estado da União, Trump instará pela aprovação do seu plano e destacará as melhorias de infraestrutura que ocorrerão “dentro do prazo e dentro do orçamento”. O plano em si deverá ser lançado oficialmente em breve, mas quase certamente não antes do Estado da União, a fim de não distrair a atenção sobre o discurso.

O discurso também dará a Trump a oportunidade de avançar o debate em curso sobre imigração. A Casa Branca lançou um plano de imigração em 25 de janeiro que propôs um caminho para a cidadania para cerca de 1,8 milhão de imigrantes ilegais estimados elegíveis para o status da DACA [Ação Diferida para Chegada de Jovens Imigrantes] – o status legal temporário, dado por meio de uma ordem executiva emitida pelo ex-presidente Barack Obama, àqueles que entraram nos Estados Unidos quando eram menores de idade. Em troca desta anistia, Trump pediu US$ 25 bilhões para medidas de segurança de fronteira, a construção de um muro na fronteira sul, restrições à migração em cadeia e o fim da loteria de vistos de diversidade (green card).

O plano de Trump foi imediatamente rejeitado pelos principais democratas e também pelos falcões da imigração em seu próprio partido.

Num discurso que o alto funcionário da administração diz que terá um tom bipartidário, Trump poderá argumentar com os legisladores de ambos os principais partidos, democratas e republicanos, que concordem com sua proposta de compromisso sobre a imigração.

As observações de Trump sobre o comércio devem seguir o esboço que ele apresentou em suas observações à Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC, na sigla em inglês) em 10 de novembro de 2017, quando ele pediu “relações comerciais robustas enraizadas nos princípios de equidade e reciprocidade”. Nessas observações, Trump criticou as práticas comerciais injustas de outras nações, anunciou a determinação de não permitir que os Estados Unidos sejam mais aproveitados e ofereceu acordos comerciais bilaterais a qualquer país que “respeite os princípios do comércio justo e recíproco”.

Quanto à segurança nacional, esperasse que Trump fale sobre a necessidade de reconstruir as forças armadas da nação. Ele articulará uma política de busca da paz por meio da força e a necessidade de ter clareza sobre quem são nossos aliados e quem são nossos adversários. Ele também abordará os esforços de sua administração para derrotar o terrorismo em todo o mundo.

Teatro e política

Os discursos do Estado da União adquiriram certo tom de teatralidade associado a eles. O presidente geralmente posiciona indivíduos exemplares em assentos específicos voltados para o Congresso e os reconhece no discurso, usando suas experiências para defender as políticas do presidente.

Este ano não será diferente, e espera-se que Trump fale sobre indivíduos que se beneficiaram da Lei de Trabalho e de Corte de Impostos, que ele assinou em lei em 24 de dezembro. Ele também reconhecerá os indivíduos que lideraram a luta contra a crise dos opiáceos em curso.

Os democratas não perderão a oportunidade de um gesto teatral para Trump sem contestação. Legisladores democráticos disseram que encherão a galeria com estrangeiros ilegais elegíveis para a DACA, para chamar a atenção para a questão da imigração.

O discurso deste ano ocorre num momento de fortes divisões políticas. Os democratas paralisaram recentemente o governo por um fim de semana, recusando-se a aprovar uma resolução de continuação de financiamento temporário do governo federal.

Os democratas queriam vincular a aprovação do orçamento à questão da anistia para os “sonhadores“, ou seja, todos os estrangeiros que entraram ilegalmente no país quando eram menores de idade. A rápida mudança na liderança democrata sobre a paralisação sugere que agora eles separarão as negociações sobre imigração daquelas sobre o orçamento.

No entanto, eles estabeleceram uma posição sobre o orçamento em desacordo com o presidente. Trump deseja aumentar as despesas militares; os democratas querem paridade com os gastos domésticos, aumentando isso junto com os gastos de defesa. Os dois lados têm até 8 de fevereiro para chegar a um acordo.

Os democratas escolheram o congressista Joseph Kennedy III de Massachusetts para fazer o discurso partidário do Estado da União. O grande palco dará a Kennedy a oportunidade de confirmar seu status como uma estrela democrata ascendente.

Ao longo de sua presidência, Trump pediu patriotismo e unidade nacional. Em seu discurso inaugural, Trump falou de como “um novo orgulho nacional agitará nossas almas, levantará nossas vistas e curará nossas divisões”.

Em seu discurso numa sessão conjunta do Congresso em fevereiro de 2017, Trump falou de “uma renovação do espírito americano”: “Somos um povo, com um destino. Todos sangramos o mesmo sangue. Todos saudamos a mesma grande bandeira americana. E todos somos criados pelo mesmo Deus.”

No Estado da União, Trump provavelmente vinculará o sucesso de suas políticas econômicas com seus esforços para melhorar a vida de todos os americanos. Um governo nacional que melhore as condições para todos pode ser a base para uma nova unidade nacional. Se Trump conseguir comover a sua audiência nacional com esta mensagem, algumas das divisões partidárias difíceis que ele enfrenta podem ser mais fáceis de gerenciar.

Trump fará seu discurso às 9 p.m. na terça-feira, 30 de janeiro, antes de uma sessão conjunta do Congresso. E será televisionado nas principais redes.

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