EUA: por que organizações de mídia não podem abandonar narrativa falsa sobre colusão russa

Por mais de um ano agora, as transmissões de rádio e televisão e os jornais foram preenchidos com a narrativa não comprovada que Donald Trump conluiou com a Rússia para vencer as eleições.

Mas, apesar de múltiplas investigações, a colusão permanece não comprovada. Na verdade, aqueles que acompanharam as investigações disseram que nenhuma evidência de colusão foi encontrada.

O ex-diretor da inteligência nacional, James Clapper, que foi convocado pelo presidente Barack Obama para supervisionar uma investigação sobre a alegada interferência russa nas eleições de 2016, disse em várias ocasiões, inclusive sob juramento perante o Congresso, que ele não tem conhecimento de qualquer evidência de conluio.

Dianne Feinstein (D-Calif.), uma membra do Comitê Judiciário do Senado, também disse em várias ocasiões que não viu evidências de colusão.

“Há todos os tipos de rumores por aí. Há histórias de jornal, mas isso não é necessariamente evidência”, disse Feinstein a Wolf Blitzer da CNN em 18 de maio.

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Mesmo a congressista Maxine Waters (D-Calif.), uma feroz crítica do presidente Donald Trump, admitiu numa entrevista no ano passado que ela não tinha visto qualquer evidência de que Trump conluiou com a Rússia.

Então, por que as organizações de mídia optaram por promover implacavelmente essa narrativa sem aparentemente qualquer evidência?

Uma resposta pode ser encontrada nas origens do chamado “dossiê Trump”.

Produzido pelo ex-espião britânico Christopher Steele a serviço da empresa de inteligência Fusion GPS, contratada e paga pela campanha presidencial de Hillary Clinton e pelo Comitê Nacional Democrata (DNC, na sigla em inglês) por meio do escritório de advocacia Perkins Coie, o dossiê tornou-se a força motriz por trás das alegações de que Trump conluiou com a Rússia.

O conteúdo do dossiê, que a própria Fusion GPS admitiu que não verificou, foi descrito pelo ex-diretor do FBI, James Comey, como “falacioso e sem embasamento”.

Apesar de tudo isso, o dossiê foi propagado intensamente, em segredo, entre políticos e organizações da mídia.

O dossiê só se tornou público depois que o Buzzfeed o publicou em janeiro de 2017. O Buzzfeed na época disse que o dossiê “tem circulado entre funcionários do governo, agentes de inteligência e jornalistas privilegiados por semanas”.

Na realidade, naquela época, o dossiê já circulava há meses.

Agora sabemos a partir de documentos judiciais do Reino Unido que Christopher Steele, o ex-espião britânico contratado pela Fusion GPS para produzir o dossiê Trump, apresentou o conteúdo do dossiê em pelo menos duas ocasiões a organizações da mídia.

As mídias que Steele informou incluem o New York Times, o Washington Post, The New Yorker, CNN e Yahoo! News.

O conselheiro judicial de Steele escreveu nos documentos do tribunal – como resultado de Steele ter sido processado por um empresário russo mencionado no dossiê – que Steele realizou as apresentações às mídias sob a instrução da Fusion GPS.

Mas vai além disso.

Os documentos do tribunal arquivados pelo Comitê de Inteligência da Câmara dos Representantes dos EUA mostram que a Fusion GPS fez pagamentos diretos a vários jornalistas que cobrem questões relacionadas à Rússia.

A Fusion GPS negou numa declaração ao Epoch Times que esses pagamentos tenham sido feitos em troca de cobertura midiática, mas esses assuntos estão sendo agora investigados pelo Comitê.

Tanto as apresentações como o pagamento apontam para um potencial conflito de interesse das organizações da mídia envolvidas. Elas estavam relatando alegações baseadas não em sua própria investigação, mas no conteúdo do dossiê, que era uma pesquisa da oposição.

Ironicamente, o próprio dossiê dependia quase que exclusivamente de fontes ligadas ao Kremlin. Isso foi descrito pelo professor de direito Ronald Rychlak, um dos principais especialistas em operações de desinformação da Rússia, como tendo todas as características de uma clássica campanha russa de desinformação.

Nós também sabemos, por meio do trabalho da jornalista premiada de segurança nacional Sara Carter, que o Departamento Federal de Investigação (FBI) usou o dossiê Trump para obter um mandado de vigilância baseado na Lei de Vigilância de Inteligência Estrangeira (FISA).

É esperado que um memorando preparado pelo Comitê de Inteligência da Câmara esclareça se a requisição ao Tribunal de Inteligência de Vigilância Estrangeira foi feito com conhecimento de causa sobre evidências comprometidas, o que é uma ofensa criminal.

Isso pode significar que a investigação do conselheiro-especial Robert Mueller sobre a alegada interferência russa nas eleições de 2016 é questionável, pois ele pode ter usado dados de vigilância baseados em informações falsas.

Até agora, a investigação de Mueller não produziu qualquer evidência de colusão. O ex-assessor de segurança nacional, Michael Flynn, foi acusado por Mueller de mentir para o FBI, e não de conluio com a Rússia. E o ex-chefe de campanha de Trump, Paul Manafort, foi acusado de lavagem de dinheiro que remonta a um tempo antes de ele se juntar à campanha de Trump, e essa acusação não está relacionada com a alegada colusão russa.

Então, por que a mídia está tão efervescida com a narrativa de colusão da Rússia?

Por que eles não estão olhando para todos os fatos disponíveis para eles, e apresentando-os aos seus leitores de forma objetiva?

Talvez seja porque eles mesmos estão muito envolvidos na própria narrativa, ou talvez tenham sido cegados por seu ódio contra Trump de forma que não podem reconhecer os fatos?

De qualquer forma, a maneira como a grande mídia cobriu a narrativa de colusão da Rússia e, de fato, induziu os Estados Unidos e o mundo ao erro, dará um golpe sem precedentes à sua credibilidade.

Já houve exemplos disso.

Falando sob juramento perante o Comitê Seletivo do Senado sobre Inteligência em 8 de junho, o ex-diretor do FBI, James Comey, desacreditou uma história de 15 de fevereiro da primeira página do New York Times, que afirmou que os membros da campanha presidencial de Trump em 2016 “tiveram repetidos contatos com funcionários seniores da inteligência russa no ano anterior à eleição”.

EUA, Trump, Prêmio Notícias Falsas, New York Times, viés, tendenciosidade - A edição de 15 de fevereiro do New York Times. A história principal no jornal, que alegou que a campanha de Trump teve contato com oficiais da inteligência russa, foi desacreditada pelo ex-diretor do FBI, James Comey (Samira Bouaou/The Epoch Times)
A edição de 15 de fevereiro do New York Times. A história principal no jornal, que alegou que a campanha de Trump teve contato com oficiais da inteligência russa, foi desacreditada pelo ex-diretor do FBI, James Comey (Samira Bouaou/The Epoch Times)

Na época, o Epoch Times notou várias falhas na reportagem, e que o New York Times insistia em promover uma narrativa de conluio.

Na audiência, o senador Tom Cotton (R-Ark.) questionou Comey sobre a reportagem do New York Times, perguntando: “Será justo caracterizar essa história como quase inteiramente errada?”, ao qual Comey respondeu: “Sim.”

Comey passou a desacreditar outros relatos da mídia, que frequentemente citavam fontes anônimas de inteligência e governamentais para promover sua narrativa de que a campanha de Trump conluiou com a Rússia para influenciar a eleição.

“Todos vocês sabem disso. Talvez o povo americano não saiba”, disse Comey, dirigindo-se ao Comitê do Senado. Comey disse que quando se trata de repórteres escrevendo histórias sobre informações classificadas, “as pessoas que falam sobre isso geralmente não sabem o que está ocorrendo”.

Ele disse que tem havido muitas histórias sobre as investigações da Rússia “que estão totalmente erradas”.

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