EUA obtém apoio de países árabes na luta contra o Estado Islâmico

Dez países árabes manifestaram apoio ontem (11) à coalizão internacional proposta pelos Estados Unidos para combater o avanço do grupo terrorista Estado Islâmico (EI, o Califado) no Iraque e Síria. Após uma reunião com o secretário de estado americano, John Kerry, representantes de Arábia Saudita, Bahrein, Egito, Iraque, Jordânia, Kuwait, Líbano, Omã, Catar e dos Emirados Árabes assinaram o acordo de cooperação com Washington.

A Turquia, membro da Organização do Atlântico Norte (Otan), participou da reunião, mas não integrou o pacto por temer pela vida de 49 cidadãos turcos mantidos reféns pelo Estado Islâmico em Mosul, ao norte do Iraque. Kerry compreendeu o recuo e agradeceu o engajamento de Istambul na campanha militar.

O encontro, realizado em Jidá, na Arábia Saudita, resultou em um “compromisso compartilhado que manterá os países unidos na luta contra a ameaça imposta pelo terrorismo” do Estado Islâmico. O comunicado divulgado pelos serviços diplomáticos acrescentou que as nações “discutiram uma estratégia para destruir o Estado Islâmico onde quer que ele esteja, incluindo o Iraque e a Síria”.

Os termos previstos no acordo farão com que os Estados Unidos reforcem suas bases militares e aumentem os voos de vigilância na região. Washington deverá concretizar na próxima semana um pacto para que seus aviões voem sobre o espaço aéreo dos países signatários, o que ampliará a capacidade americana de atacar pontos estratégicos do grupo terrorista.

Kerry também pediu para que as redes de televisão árabes, especialmente a Al Jazeera e a Al Arabiya, difundam mensagens anti-extremistas e que exponham as ameaças que o avanço do Estado Islâmico (o Califado) oferece à região. Em um pronunciamento vacilante na quarta-feira, o presidente Barack Obama evidenciou ao público qual será a estratégia seguida pelo governo na luta contra o Estado Islâmico.

O plano inclui a autorização para ataques aéreos na Síria, o treinamento e fornecimento de equipamentos para rebeldes sírios e o envio de mais 475 consultores americanos para o Iraque. A reação ao discurso foi imediata. O regime do ditador sírio Bashar al-Assad disse que Washington não combate o terrorismo com seriedade e reiterou a obrigatoriedade de uma consulta a Damasco antes de qualquer operação militar em seu território.

“Qualquer ação dessa natureza sem a aprovação do governo será um ataque à Síria”, disse o ministro da Reconciliação Nacional, Ali Haidar. A Rússia endossou o discurso de Assad. “Essa etapa, diante da ausência de uma decisão do Conselho de Segurança da ONU, configurará um ato de agressão, uma violação grosseira à lei internacional”, afirmou o porta-voz Alexander Lukashevich.

O Irã também se manifestou contrário à coalizão chefiada pelos Estados Unidos. O país havia sinalizado positivamente para uma ação militar conjunta contra o Estado Islâmico, mas voltou atrás após não concordar com as diretrizes traçadas por Washington.

“A chamada coalizão internacional para lutar contra o Estado Islâmico está envolta em graves ambiguidades e existem importantes receios sobre qual é a sua determinação para atacar as raízes do terrorismo com sinceridade”, afirmou o porta-voz da chancelaria iraniana, Marzieh Afkham.

A principal objeção de Teerã é com a participação de “alguns financiadores e apoiadores dos terroristas no Iraque e Síria”. Embora não tenha nomeado seus desafetos, o Irã se refere ao governo da Arábia Saudita, que vem fornecendo aparato militar para rebeldes moderados lutarem contra a ditadura de Assad.

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