EUA, Canadá, México assinam novo acordo comercial no G20 em Buenos Aires (vídeo)

"O USMCA é o maior, mais significativo, moderno e equilibrado acordo comercial da história", disse Trump

Por Emel Akan

BUENOS AIRES – Os Estados Unidos, o Canadá e o México iniciam um novo capítulo substituindo o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA) de 24 anos.

O presidente Donald Trump, o primeiro-ministro canadense Justin Trudeau e o presidente do México, Enrique Pena Nieto, assinaram em 30 de novembro o novo acordo comercial Estados Unidos-México-Canadá (USMCA), à margem da Cúpula do G20 na Argentina.

O novo tratado será agora enviado aos congressos de cada país para aprovação.

Falando na cerimônia de assinatura, Trump chamou o acordo de “uma conquista verdadeiramente inovadora”.

“O USMCA é o maior, mais significativo, moderno e equilibrado acordo comercial da história”, disse Trump. “Todos os nossos países vão se beneficiar muito.”

O novo pacto comercial poderá trazer para os Estados Unidos empregos de alto rendimento industrial e impulsionar as exportações em vários setores, incluindo agricultura, manufatura e indústrias de serviços, disse ele.

“Este é um negócio incrível para os nossos agricultores e também permite que eles usem biotecnologia de ponta e eliminem as barreiras não científicas”.

Trump acrescentou que o tratado poderá promover altos salários, citando os trabalhadores automotivos como principais beneficiários.

Sob o novo acordo, 75% do conteúdo de automóveis deve vir da América do Norte, acima do limite original de 62,5%. Esta porcentagem maior irá inibir outros forcecedores e ao mesmo tempo aumentar a produção e o emprego na região.

As regras também incentivam o uso de mão de obra de alta remuneração no setor automotivo. Quase 40 a 45% do conteúdo automotivo deve ser fabricado pela mão-de-obra de alto salário norte-americana para obter acesso preferencial a esses três mercados.

“Isso ajudará a impedir que os empregos da área automotiva saiam do país e trará de volta os que já saíram”, disse Trump. “Muitas empresas estão voltando e estamos muito empolgados com isso.”

O USMCA também contém novas disposições sobre comércio digital e serviços financeiros.

“Um modelo de acordo”

Após meses de negociações, os Estados Unidos, o Canadá e o México concordaram em 30 de setembro em assinar o USMCA. Com suas fortes disposições, o novo pacto tornou-se um “manual para futuros acordos comerciais”, segundo a Casa Branca.

O novo acordo tem padrões ambiciosos no combate a práticas comerciais desleais, confrontando subsídios massivos do Estado e de manipulação de moeda.

Ele também tem uma chamada pílula de veneno, que é uma cláusula que visa conter Pequim. A disposição, que atraiu muita atenção e elogios, essencialmente bloqueia qualquer flerte comercial com a China.

De acordo com o contrato, se qualquer parte entrar em um acordo de livre comércio com um país não comercializado, as outras partes têm o direito de rescindir o USMCA com seis meses de antecedência.

O uso da expressão “país não comercializado” é uma referência clara à China, uma vez que os Estados Unidos reafirmaram no ano passado que a China não era uma economia de mercado. A União Européia também se opõe ao reconhecimento da China como economia de mercado.

O secretário de Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, disse anteriormente que esta disposição poderia ser replicada em outros acordos comerciais.

“Este é um acordo modelo que muda o panorama comercial para sempre”, disse Trump. “E este é um acordo que, em primeiro lugar, beneficia os trabalhadores – algo de grande importância para nós três aqui hoje.”

Trump tem muita confiança de que o Congresso dos Estados Unidos aprovará o acordo.

“Tem sido muito bem revisado, não espero ter muito problema”, disse ele.

 

Uma maneira incrível de encerrar a presidência

Durante a cerimônia de assinatura, Trump elogiou o ex-presidente mexicano Nieto por assinar o acordo no último dia de sua presidência.

“É realmente uma maneira incrível de encerrar a presidência. Você não vê isso acontecer com muita frequência”, disse ele.

O primeiro-ministro Trudeau chamou o acordo de “o novo Acordo de Livre Comércio da América do Norte” e disse que manteve a estabilidade para a economia do Canadá.

“O novo acordo levanta o risco de grave incerteza econômica que perdura ao longo de um processo de renegociação comercial”, acrescentou. “Incerteza que só teria piorada e seria mais danosa se não tivéssemos chegado a um novo NAFTA.”

O presidente Nieto disse que os parceiros trilaterais estavam começando um “novo capítulo em sua história compartilhada”.

“O acordo que assinamos hoje permitirá que cada país ganhe individualmente, mas também que a América do Norte se fortaleça e se torne mais próspera”, disse ele.

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