O estupro da democracia brasileira em quatro atos

O dia 2 de dezembro ficará marcado como um dos mais vergonhosos da história de nossa república, hoje tão maltratada por um partido cada dia mais faceiro ao mostrar o resultado de seu aprendizado com escórias morais como Hugo Chavez e Fidel Castro nas reuniões do Foro de São Paulo.

No dia 1º de dezembro, seria votada a Lei do Calote, uma picaretagem inacreditável visando permitir o não cumprimento das obrigações governamentais, impostas pela lei orçamentária. Em suma, Dilma quebrou o Brasil e agora tenta arrumar uma forma de não ser responsabilizada por isso através de maquiagem para transformar déficit em superávit.

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Isso motivou manifestantes de várias frentes republicanas a irem para o Congresso protestar. Aí começou uma sequência de aberrações que violaram a democracia. Se o dano é irreparável, a ponto dos brasileiros deixarem de acreditar no processo democrático, não sei. Isso vai depender de nossa motivação em somente aceitar a luta pelo processo democrático, como ontem os republicanos fizeram. Já o governo entrou em campo para estuprar a democracia.

Ato 1:

A votação estava marcada para começar as 18:00 horas. Nesse momento apenas 10 manifestantes ocupavam as galerias. O motivo é que os governistas não usaram as suas “reservas de lugares” e se recusavam a cedê-las para os manifestantes. Em outras palavras, a casa do povo impedia o povo de entrar. Deputados como Esperidião Amim, do PP, cederam as reservas de seus partidos e mais manifestantes conseguiram participar. Desnecessário dizer que o PT não cedeu suas reservas, fazendo com que muitos assentos ficassem vazios.

O problema é que os governistas enrolaram o máximo que puderam, forçando os manifestantes aguardarem mais de 1 hora de meia para poderem entrar, o que acirrou os ânimos.

Ato 2:

A senadora Vanessa Graziottin (PCdoB), da linha auxiliar do governo, foi ao Plenário fazer um discurso extremamente provocativo, misturando sarcasmo e cinismo. Justamente em um dia onde Dilma estava querendo aprovar uma lei para dar um calote desonesto nas contas públicas, por causa de irresponsabilidade extrema, Vanessa subiu ao plenário para dizer que a presidente era “responsável” e “lutava por empregos”.

Obviamente, se tratava de uma provocação hipócrita, com o intuito de ofender todos os republicanos. Como resultado, alguns dos manifestantes gritavam “vai pra Cuba”.

Ato 3:

Especialista em táticas de fingimento, sempre com um cinismo digno dos mais frios psicopatas, a deputada Jandira Feghali, do PCdoB, subiu imediatamente ao Plenário e usou o jogo da simulação de falso entendimento, fingindo estar ofendida e dizendo que os manifestantes disseram a expressão “vagabunda”.

Abusando de sua imunidade parlamentar, Jandira ainda disse que os manifestantes eram “pagos” pela oposição, sem apresentar qualquer prova nesse sentido. Depois de todos esses truques e artimanhas, Jandira exigiu que a Polícia do Senado retirasse os manifestantes.

Ato 4:

Aqui não sabemos se o presidente do Congresso, Renan Calheiros, do PMDB, resolveu queimar sua imagem intencionalmente, ou se caiu no jogo de Jandira Feghali. Vamos apostar na segunda opção.

Sendo assim, a encenação de Jandira deu resultado, e a Polícia do Senado foi lançada feito uma horda de sádicos enlouquecidos sobre manifestantes desarmados. O show de violência foi descomunal, incluindo o uso de armas de choque (que chegaram a fazer uma vítima desmaiar) e uma gravata em uma senhora de 79 anos.

Todo esse horror serviu para desmascarar de forma definitiva o conceito de “participação popular” do PT. Para partidos bolivarianos como esse e suas linhas auxiliares PCdoB e PSOL, a participação popular é desprezada. É por isso que eles jamais falarão nada das incontáveis vítimas de violência dos governos de Cuba e Venezuela.

O Decreto 8243 na verdade é a simulação de “participação popular”, através de coletivos não-eleitos como MST, UNE e CUT, todos mancomunados com o governo petista. É basicamente o lema “todo poder aos sovietes”. Tendo garantido um espaço para estes coletivos não-eleitos, governos totalitários dizem “que o povo está participando”. Mas o povo, para eles, é limitado aos coletivos não-eleitos, que cada vez mais receberão verba estatal para devolver apoio. Sempre foi assim em todos os regimes legitimamente socialistas. Quanto ao povo de verdade? Ontem o governo mostrou como trata a verdadeira participação popular.

Difícil imaginar um momento melhor que esse para exigir do Senado a derrubada definitiva do Decreto 8243.

 
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