Estudo projeta tendências de desmatamento e regeneração do Cerrado até 2050

Cerrado, próximo de Pirenópolis, Goiás (Wikimedia Commons)
Cerrado, próximo de Pirenópolis, Goiás (Wikimedia Commons)

Uma pesquisa projetou tendências de desmatamento do Cerrado de 14 milhões de hectares e regeneração de 18 milhões de hectares até 2050.

O Cerrado é o segundo bioma com maior extensão territorial do Brasil, ocupando mais de 23% do território. Possui 33% da biodiversidade nacional e abriga as nascentes de algumas das principais bacias hidrográficas. Ao mesmo tempo, possui grande ocupação agropecuária, principalmente de bovinos, soja e cana-de-açúcar, o que tem sido um fator de desmatamento crescente.

Visando avaliar como conciliar a conservação do bioma com o desenvolvimento agrícola, pesquisadores do Instituto de Geociências (IGC), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) desenvolveram mapas com base em avaliações de variáveis socioeconômicas, como o efetivo bovino, ou seja, cabeças por hectare, altitude e atração urbana, para gerar tendências da transformação que o Cerrado vai passar nos próximos 37 anos.

“O estudo constata que o Cerrado tem boa capacidade de regeneração, mas é um bioma sensível, entre outras razões, em função do contato com quase todos os outros biomas – a exceção é o Pampa”, alerta o autor do estudo de mestrado, Thiago Carvalho de Lima em um comunicado. 

O pesquisador aponta áreas como Tocantins, Bahia e Piauí estão entre as que sofrem mais pressão pela cultura de soja. Áreas na região central de Mato Grosso e as que fazem divisa com a Amazônia estão entre as mais vulneráveis – devido a maior proteção da Amazônia, o desmatamento tende a ser direcionado para o Cerrado.

O pesquisador também alerta que reduções de percentuais das Áreas de Preservação Permanente (APPs), do Código Florestal aprovado ano passado, terão efeito de liberar estas áreas para uso, o que resultará em aumento de desmatamento, informou o comunicado.

Uma saída para evitar o desmatamento de novas áreas para expansão da agricultura, de acordo com o pesquisador, seria o aproveitamento de terras abandonadas, antes usadas para criação de gado, por exemplo. Trabalhos futuros baseados nesta pesquisa podem incluir territórios mais restritos e com características específicas. “O refinamento dos estudos certamente terá papel importante na elaboração de políticas mais eficazes contra a invasão de áreas vulneráveis”, afirma Thiago no comunicado.

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