Estudo amplia conhecimento sobre camu-camu

Frutos de camu-camu em embalagem usada na pesquisa (Cortesia de Jacqueline de Oliveira)
Frutos de camu-camu em embalagem usada na pesquisa (Cortesia de Jacqueline de Oliveira)

Os frutos da planta de origem Amazônica vêm se destacando mundialmente por seu alto teor de vitamina C, um antioxidante que pode trazer muitos benefícios à saúde. Porém o conhecimento da conservação dos frutos ainda é escasso.

Um estudo pioneiro tem ajudado a responder essas questões pouco conhecidas sobre a colheita e conservação dos frutos de camu-camu (Myrciaria dubia).

“Muitos produtores por falta de conhecimento pós-colheita, congelam os frutos erroneamente favorecendo ainda mais a perda de muitas propriedades do fruto”, disse a engenheira agronoma Jacqueline de Oliveira ao Epoch Times.

Sabendo deste problema, Jacqueline decidiu adentrar nesta área do conhecimento para encontrar melhores formas de conservar frutos de camu-camu após colhidos.

Seu mestrado em Ciência e Tecnologia de Alimentos na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ), da Universidade de São Paulo (USP) teve como objetivo avaliar diferentes tipos de embalagens na conservação pós-colheita da fruta, já que esta é muito sensível após a colheita.

Jacqueline avaliou três tipos de filmes plásticos e associou a diferentes temperaturas de armazenamento das frutas.

“Os filmes plásticos foram eficientes na retenção de perda de umidade dos frutos, e os frutos embalados com o filme de PVC à 5 ºC foram os mais conservados, por um período de 23 dias. Enquanto que os frutos sem embalagem duraram apenas 13 dias”, disse a engenheira.

Frutos em estado natural à temperatura ambiente e sem embalagem duram no máximo 5 dias, segundo a pesquisadora. “A baixa temperatura associada a utilização da embalagem foi essencial”, conclui.

“Fruta miraculosa”

Desbancando a acerola, considerada a fruta número um no Brasil em teor de vitamina C, o camu-camu pode conter 6,1 gramas de ácido ascórbico em 100 gramas de polpa, mais que o dobro que a acerola, que chega a 2,7 gramas, segundo estudos.

Além da vitamina C, a fruta do camu-camu contém outros compostos antioxidantes como carotenóides, antocianinas e outros compostos fenólicos.

A fruta está sendo material-prima no setor de alimento e cosmético e é muito usada para sucos, sorvetes, geléias, suplementos alimentares de vitamina C, xampus e cremes. Tem sabor adstringente quando ingerida in natura.

“O camu-camu é uma fruta miraculosa”, disse o produtor de camu-camu, o advogado Paulo Winckler ao Epoch Times. “Basta ver as pesquisas dos cientistas europeus e americanos. Os japoneses fazem cosméticos com ele agregado que faz: crescer cílios, unhas, melhora a pele, entre outros benefícios, como regenerar órgãos degradados pelos malefícios de alcoolismo, drogadicção, idade, vitalidade, etc”.

Produção e mercado 

Conhecida também como caçari, ou araçá-d’água, o camu-camu é um arbusto ou pequena árvore que nasce em quase toda Amazônia nas margens de rios e lagos e pode permanecer submersa por até 5 meses, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA).

A planta já está sendo cultivada em terra firme no estado de São Paulo, adaptando-se bem, e produzindo mais que na sua região nativa. Enquanto na região amazônica a produção é anualmente de 8 quilos de frutos por planta, no Vale do Ribeira, sul do estado de São Paulo, a produção é de 20 quilos por planta, segundo o produtor.

Paulo aponta que o mercado de camu-camu tem possibilidade de ser expandido. “O que falta é divulgação”, alerta.

O manejo, segundo Paulo, é relativamente simples, pois a planta é rústica, além de apresentar alta produtividade, podendo chegar a 50 toneladas de frutos por alqueire por ano.

O problema por enquanto são as vendas, diz o produtor. “O Japão era o maior comprador, mas com o advento do cataclisma ocorrido, reduziram as compras. Assim, nós produtores estamos se sentindo desassistidos; os bancos não financiam nada, sob a ótica de que não existe pesquisa ou mercado”.

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