Estudando a erosão das praias para prever futuras mudanças climáticas

Erosão costeira em São Francisco, EUA (USGS)
Erosão costeira em São Francisco, EUA (USGS)

Depois da abrupta mudança climática que afetou a costa oeste dos EUA no inverno passado, alguns pesquisadores fizeram uma avaliação dos danos causados por ondas e marés baixas este inverno de San Diego até Seattle.

Com um melhor estudo das transformações das costas entre 2009-2010, os especialistas poderiam prever modificações futuras na costa do Pacífico, disseram os pesquisadores num comunicado do Serviço Geológico dos EUA (USGS).

“O que estamos falando, na verdade, é que este é um aviso do que poderá ocorrer no futuro em termos da severidade das ondas de inverno”, diz Patrick Barnard, geólogo costeiro e colaborador do USGS, num comunicado do Registro do Condado de Orange. “Obviamente, devemos estar preparados.”

A pesquisa “O Impacto do El Niño Modoki de 2009-10 nas praias da costa oeste dos EUA” foi publicada nos Anais de Pesquisa Geofísica em 9 de julho, e liderada pelo USGS em colaboração com o Departamento de Geologia e Indústrias Minerais do Oregon da Universidade da Califórnia-Santa Cruz, o Departamento de Ecologia de Washington da Universidade Estadual do Oregon, e o Instituto de Oceanografia.

O estudo avaliou os impactos do El Niño Modoki de 2009-2010 através da resposta morfológica da costa. El Niño Modoki é formado no Pacífico central em vez do Pacífico oriental, como faz o “El Niño” clássico. O aquecimento do Pacífico central provoca aumento da frequência de tempestades e maior probabilidade dos furacões tocarem a costa do Golfo e da América Central. Isto resulta em longos períodos de ondas de elevada energia, mas com níveis mais baixos de águas costeiras.

Como as águas do Pacífico central são mais quentes, esperamos, nas próximas décadas, muitos cenários de alterações climáticas, e o El Niño Modoki é visto como o indicador de clima mais dominante. Combinado com os fatores do aquecimento global do nível do mar, você pode esperar um aumento das taxas de erosão das praias em grande parte da costa ocidental dos EUA, que pode produzir grandes mudanças nas zonas costeiras, de acordo com um comunicado do USGS.

Os pesquisadores produziram dados topográficos depois de monitorar as praias por 13 anos.

Os dados do nível de água e das ondas no inverno de 2009-2010 foram significativamente semelhantes aos do El Niño de 1997-1998, o que gerou o maior recuo do mar e erosão do litoral desde que o monitoramento começou.

Além disso, o inverno de 2009-2010 foi caracterizado por uma energia nas ondas acima da média, o que só foi visto antes 1997-1998.

A energia das ondas foi, por exemplo, na Califórnia, no inverno de 2009-2010, 20% acima da média em relação a 1997, resultando em erosão costeira 36% acima da média, disseram os pesquisadores.

 
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