Estrutura econômica irracional da China é insustentável

Não é possível uma saída sob o regime do Partido Comunista
Um retrato do economista Larry Lang, perto de sua residência em Shanghai, China, em setembro de 2006 (Mark Ralston/Getty Images)
Um retrato do economista Larry Lang, perto de sua residência em Shanghai, China, em setembro de 2006 (Mark Ralston/Getty Images)

Recentemente, o economista Larry Lang de Hong Kong fez alguns comentários precisos sobre a atual situação econômica na China, apontando que a China está essencialmente falida. No entanto, ele não estava disposto a vincular a responsabilidade pela situação econômica ao sistema político e assim foi incapaz de fornecer um receituário realista.

No entanto, a situação que ele descreveu segundo dados pesquisados é de fato a imagem real da economia chinesa. Os dados podem parecer exageros, mas na verdade não são. Não só são dados verdadeiros como há muito tempo essas informações já haviam sido divulgadas por outros especialistas familiarizados com o assunto. A razão pela qual os comentários do Prof. Lang produziram um efeito sensacional é porque ele se atreveu a expressar conclusões que outros não ousaram.

Estruturas irracionais

Uma de suas conclusões importantes é que a estrutura econômica chinesa é extremamente irracional e está muito deformada. Durante seu discurso a portas fechadas em Shanghai em outubro passado, Lang destacou que o consumo total do povo chinês é cerca de 8% do total do PIB, que é ainda menor do que os menos desenvolvidos dos países africanos, que giram em torno de 16%.

Durante sua palestra em Shanghai, ele também apontou que 70% do PIB é usado nas indústrias de construção e afins. O Prof. Lang se referia “a produção de concreto armado”. Isso deixa apenas 30% para o povo chinês em todo o país e a maior parte é exportada em troca de moeda estrangeira.

A maioria desses 30% foi para o bolso de oficiais corruptos e capitalistas chineses e estrangeiros. Assim, os 1,3 bilhão de chineses poderiam consumir apenas 8% do PIB – uma fração menor do que a de países do Terceiro Mundo numa nação que é conhecida como a segunda maior economia do mundo.

As duas estruturas irracionais, o mínimo de consumo público e o excesso de construção, são a causa raiz do desenvolvimento insustentável na China, bem como a causa da maioria dos conflitos sociais no país. Não só a economia da China é insustentável, como sua política também.

Assim, independente de quem esteja no poder, seja a ditadura do Partido Comunista ou uma substituição democrática, o governo deve mudar a estrutura econômica, tornando o todo e cada parte mais razoável. Então, o desenvolvimento da China e o padrão de vida do povo chinês poderão estar no caminho certo, a sociedade poderia existir em relativa harmonia e a política estaria relativamente estável.

Caso contrário, intensos conflitos sociais e econômicos conduzirão inevitavelmente ao colapso do governo e à instabilidade social.

Aumentando o consumo doméstico

Como mudar para tornar a situação razoável? Vamos examinar os problemas primeiro. As duas estruturas irracionais apontadas pelo Prof. Lang, o consumo mínimo e o excesso de construção na verdade são dois aspectos de uma mesma política irracional.

De uma perspectiva, o consumo do povo é muito baixo, o que resulta num mercado interno pequeno. De outra perspectiva, o governo investe a maior parte do dinheiro em projetos imobiliários de alto lucro, entretanto, mantem a taxa de câmbio sob controle estrito, num esforço para despejar bens de consumo no mercado internacional, mas que poderiam ser utilizados internamente.

Muito da moeda estrangeira adquirida foi utilizado para as próprias mercadorias estrangeiras numa tentativa de aumentar o consumo, principalmente entre os ricos, mas que são apenas uma pequena fração. Esta estratégia especuladora de desenvolvimento, como uma pesca que drena a lagoa inteira, é a causa que leva a deformidades da estrutura econômica. Esta é a estratégia mercantilista, como é polidamente referida pelas mídias internacionais e os meios acadêmicos.

Sob o controle desta estratégica especuladora seguida por Deng Xiaoping, Jiang Zemin e Hu Jintao, o povo da China e os Estados Unidos deram grandes lucros para o Estado chinês, a classe burocrático-capitalista chinesa e os capitalistas internacionais que têm relações com o Estado chinês.

O resultado, após eles se unirem e fazerem muito dinheiro, foi o empobrecimento do povo chinês e de outros países, incluindo os Estados Unidos, o que resultou no declínio do mercado de consumo global e, portanto, em recessão econômica global. Os menos afortunados nesta recessão são o povo chinês.

O nível de consumo da população chinesa foi projetado para ser o mínimo da sobrevivência. Agora, com a recessão econômica, naturalmente, o Estado chinês transfere a crise para seus cidadãos mais pobres. Então, mais e mais pessoas não podem sobreviver contando com seus escassos recursos. É nesse ponto que a política entra em estado de crise. Portanto, ajustar a estrutura econômica não é apenas o que as pessoas precisam, mas também o que qualquer governo na China imperiosamente tem de fazer.

Este ajuste deve começar em primeiro lugar pelo aumento do consumo interno do povo chinês. Simplificando, há duas coisas que devem ser feitas imediatamente. Uma delas é parar o investimento imobiliário que está contribuindo para a bolha econômica e investir em outros bens de consumo. Os baixos preços dos imóveis podem ajudar a reciclar o excedente de moeda em circulação e conter a inflação chinesa.

Outra ação é melhorar a taxa de câmbio do yuan para aumentar as importações e preencher a carência do mercado nacional. Isso também pode reciclar a moeda em circulação no mercado interno e conter a inflação.

Estas duas medidas simples poderiam reduzir a inflação e melhorar o padrão de vida das pessoas. O resultado é que o modelo chinês de desenvolvimento econômico moveria gradualmente em direção a algo mais razoável, enquanto a crise política tenderá a diminuir.

‘Oficiais nus’

No entanto, o custo destas medidas é o que o Partido Comunista e sua classe burocrático-capitalista não aceitariam. O custo é que a receita do Estado, juntamente com a da classe burocrata-capitalista e das empresas multinacionais, cairia significativamente, tornando-se até mesmo negativa.

Se o Estado chinês tivesse um governo democrático que fosse responsável perante o povo, ou mesmo que fosse apenas um reino ou dinastia que tivesse um líder que não fosse estúpido o suficiente para ser irresponsável pelo regime, ele aplicaria essas medidas simples para salvar o país, a menos que já tenha perdido a autoridade para tomar medidas.

Mas a China atual é um país deformado, com um governo deformado. O governo não precisa prestar contas ao povo, nem ser responsável pelo Estado. Eles são responsáveis apenas pelos grupos de interesse de sua própria classe burocrático-capitalista.

Quando a classe dos ricos e poderosos diz “não”, o governo não faz nada. Não é necessário perguntar o que eles farão quando o país entra em colapso. A resposta é fácil. Eles já sabem que este governo está em colapso. Eles já transferiram ou estão transferindo o que valorizam para outros países que são bem governados, suas carteiras, suas esposas e filhos.

Até mesmo suas amantes abriram empresas de lavagem de dinheiro no Ocidente, o que tem exasperado a polícia antidrogas, que fica imaginando que tipo de dinheiro está sendo lavado.

Portanto, há agora um termo no vocabulário chinês moderno chamado “oficiais nus”, que acompanha o ditado, “Sou trapaceiro, então, por que eu deveria ter medo.” Se a China desmoronará ou não realmente tem pouca importância para essas autoridades comunistas.

Sob o controle de uma classe burocrático-capitalista, que não é responsável e não quer ser responsável, alguém será capaz de pagar o preço para salvar este país? Então, o Prof. Lang teve de usar uma linguagem que não pertence a um professor, “Vocês todos deveriam chorar.”

Embora ele não se atreva a dizer com clareza o significado, sua conclusão é óbvia. Sem derrubar a dominação da classe burocrático-capitalista, que não é responsável nem quer ser responsável, não há esperança para a China. Então, chorar se torna a única opção e ninguém poderá salvá-los.

Wei Jingsheng é um proeminente dissidente chinês. Ele ganhou prêmios de direitos humanos que incluem o Prêmio de Direitos Humanos em Memória de Robert F. Kennedy em 1996, o Prêmio Sakharov do Parlamento Europeu pela Liberdade de Pensamento e o Prêmio em Memória de Olof Palme em 1994.

Cortesia da Fundação Wei Jingsheng. Este artigo apareceu pela primeira vez como uma transmissão da Rádio Free Asia.

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