Estrelas zumbis ajudam a medir energia negra

Supernova 1994D: o ponto luminoso em baixo à esquerda é uma supernova tipo Ia termonuclear como as descritas por Howell. Está na orla da galáxia NGC 4526, representada no centro da imagem (NASA/Telescópio Espacial Hubble)
Uma imagem do raio-x Chandra do remanescente de uma supernova de ‘Tycho’ observada por Tycho Brahe em 1572, que hoje é uma bola de gás em expansão. Os astrônomos necessitavam esperar anos para que uma supernova brilhante estivesse perto para poderem estudá-la, mas hoje grandes estudos de observação estão descobrindo supernovas aos milhares (NASA/Observatório de raio-x Chandra)

Estrelas zumbi ou supernova de tipo Ia ajudam os astrônomos a compreender a força misteriosa chamada energia negra, que faz que o universo permaneça em aceleração e expansão.

Quando estas estrelas morrem, normalmente voltam à vida ao absorver matéria de uma estrela próxima, por isso chamam-se ‘zumbis’. Estas supernovas brilham com a claridade de aproximadamente um bilhão de sóis.

Estas estrelas explodidas são encontradas em sistemas binários em que duas estrelas orbitam entre si e as estrelas que explodem são chamadas de anãs brancas. Tipicamente, as anãs brancas que formam supernovas tipo Ia têm aproximadamente a mesma massa que a sua estrela companheira, mas sabe-se que algumas possuem um valor de massa superior antes de explodir.

“Acredita-se que duas anãs brancas podem ter se fundido entre si; o sistema binário pode ser de duas anãs brancas”, diz o físico Andy Howell da Universidade da Califórnia, Santa Barbara, Estados Unidos, num comunicado de imprensa.

“Depois, com o tempo, dirigem-se uma à outra em movimento espiral e fundem-se”, acrescenta. “Quando se fundem, explodem. Esta pode ser uma forma de explicar o que está acontecendo”.

Estrelas zumbis servem como instrumentos para medir a energia escura. Todas têm aproximadamente a mesma claridade, o que permite que isso seja usado para deduzir a distância no nosso universo como se fossem velas ‘calibradas’.

Acredita-se que a energia negra constitui cerca de três quartos do nosso universo, o que foi originalmente teorizado por Albert Einstein, que baseou sua teoria na ideia de que o universo é estático. Quando ele descobriu que o universo, na realidade, está se expandindo, ele chamou a isso de seu maior equívoco.

“Esta constante cosmológica revelou-se um dos seus maiores sucessos”, diz Howell. “Isto porque o que necessitamos de momento para interpretar os dados”.

“O espaço tem alguma energia associada ao mesmo” explica Howell. “É isto o que os resultados parecem indicar, que a energia escura está distribuída por todo o lado no espaço. Parece ser a propriedade do vácuo, mas não podemos ter 100% de certeza”.

“Estamos tentando descobrir até que ponto podemos ter a certeza disso e se podemos melhorar o modo de interpretar as supernovas tipo Ia nas nossas medições”

Os avanços na astronomia, em particular no desenvolvimento de telescópios poderosos está permitindo que os cientistas descubram milhares de supernovas.

“A próxima década é promissora no sentido de compreender a quase totalidade de todos os aspectos de supernova Ia, desde a física relacionada com a sua explosão a sua origem e o seu uso como referência espacial”, escreve Howell em ‘Nature Communications’. E com este conhecimento podemos obter a chave que desvendará os segredos mais obscuros da energia escura”.

O artigo de Howell foi publicado na Nature Communications dia 14 de Junho.

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