Espírito de Hong Kong demonstrado em 1º de julho

Em meio à chuva forte, uma multidão de cerca de 400 mil, segundo organizadores do evento, marchou pelas ruas de Hong Kong em 1º de julho de 2013 pedindo o sufrágio universal e a resignação do chefe-executivo de Hong Kong (Lam Yik Fei/Getty Images)

Quando mais de 500 mil pessoas se reuniram há dez anos para se opor a leis antissubversão propostas na época e para mostrar apoio à democracia, aquilo simbolizou o espírito de Hong Kong. Na marcha desse ano, em 1º de julho, mais de 400 mil cidadãos saíram às ruas apesar da chuva forte e pediram a renúncia do chefe-executivo Leung Chun-ying.

Os organizadores da marcha, a Frente Civil de Direitos Humanos (FCDH), disseram que 430 mil pessoas se uniram à manifestação, que atraiu a atenção da mídia internacional como a BBC e o New York Times. Enquanto isso, a mídia Global Times do Partido Comunista Chinês (PCC) comentou que a marcha reuniu apenas algumas dezenas de milhares de pessoas e que é “muito barato” para o povo de Hong Kong expressar suas várias aspirações.

Jackie Hung da FCDH falou sobre os comentários do Global Times: “Para eles, pode ser uma aspiração barata, mas para nós é uma oportunidade para a democracia.”

“Não queremos ir às ruas a cada 1º de julho e também queremos um período de férias”, disse ela. “Mas há tantos problemas nessa sociedade e não temos canal para dirigir nossas queixas, por isso, devemos ir às ruas para expressar nossos sentimentos.”

Após uma década de altos e baixos, a Sra. Hung estava muito feliz que o mau tempo não impediu as pessoas de participarem da marcha. Ela foi às lágrimas com as cenas de pessoas que apoiam a democracia e as liberdades civis e para ela isso provou que o espírito de Hong Kong nunca desapareceu e não desaparecerá.

“A insistência do povo de Hong Kong sobre a democracia e seu compromisso com a sociedade são o espírito de Hong Kong”, disse a Sra. Hung. “Não queremos meramente ganhar dinheiro, temos esperança de que toda a sociedade possa ser melhorada para que nossa geração desfrute de liberdade”, disse ela. “Não nos limitaremos a nossos ângulos pessoais. Em vez disso, acreditamos que a participação de todos pode mudar essa sociedade.”

Pela próxima geração

Durante a marcha de 1º de julho, Wong Yuk-man, do Conselho Legislativo, aplaudiu o povo de Hong Kong. “Sob chuva e vento fortes, tantas pessoas ainda vieram. Isso indica que as pessoas de Hong Kong estarão presentes num momento crítico”, disse ele.

O slogan da faixa que mais o tocou, produzida pelo Epoch Times, dizia: “Pela próxima geração, o lobo Chun-ying deve renunciar”. Nascido na década de 50 e com educação superior na década de 70, Wong Yuk-man disse que as pessoas de sua geração fazem tudo pela próxima. “Não queremos que a próxima geração receba a educação de escravidão do PCC, por isso, essa frase nos toca muito”, disse Wong Yuk-man.

A enorme oposição do povo de Hong Kong contra o chefe-executivo pró-Pequim Leung Chun-ying, disse Wong Yuk-man, é uma evidência de que as pessoas tiveram o suficiente. “Isso indica que o descontentamento das pessoas atingiu o auge. As aspirações do povo de Hong Kong são que esse homem deve se demitir”, disse ele.

No entanto, após a marcha, Leung permaneceu surdo aos apelos de renúncia e afirmou que todo o governo, incluindo o serviço público, está unido. Wong Yuk-man não concordou. “Ele diz que eles estão unidos, mas, na verdade, eles não estão. Estamos frequentemente em contato com o serviço público e agora todos eles estão desmoralizados”, disse ele.

Wong Yuk-man acredita que Leung deveria seguir os desejos do povo e demitir-se imediatamente. A direção futura de Hong Kong, disse ele, deve ser conduzida por um indivíduo local, que seja democrático e anticomunista. “Como você pode ter sucesso se você não lutar contra o PCC?”, questionou ele.

Uma das cenas mais tocantes na marcha de 1º de julho desse ano foi a de civis ajudando uns aos outros em meio às dificuldades. Muitos se amontoaram sob o mesmo guarda-chuva, alguns compartilharam seus guarda-chuvas com estranhos, mesmo que isso significasse se molhar também.

Tim, de 5 anos, participou da marcha pela primeira vez com o pai. Após ouvir o pai explicar o significado do evento, Tim ficou animado por ver tantas pessoas pedindo a renúncia de Leung Chun-ying; ele juntou-se aos clamores e pediu ao pai que participasse.

Xu Dexian de 22 anos, graduada numa universidade de Taiwan e agora empregada na indústria hoteleira, diz que seus planos para a marcha começaram duas semanas atrás. Ela disse que ficou tocada pela forma como todos estavam dispostos a ajudar uns aos outros. “Na SOGO [uma loja de departamento de referência em Hong Kong], ajudamos as pessoas próximas à grade para que não caíssem enquanto fotografavam.”

Ela também disse que ficou admirada com a procissão de praticantes do Falun Gong. “Eles eram muito organizados e ordenados, meu amigo não pôde deixar de elogiá-los”, disse ela. “Muitas pessoas em Hong Kong tinham mal-entendidos sobre o Falun Gong, mas, na verdade, a disciplina espiritual é muito bem recebida no estrangeiro. Eu vivi em Taiwan por muitos anos e o Falun Gong é muito respeitado lá. Acho que eles são notáveis por perseverem todos esses anos”, completou ela, fazendo referência à perseguição do regime chinês ao Falun Gong que começou em 1999.

Protestar pacificamente

Praticantes do Falun Gong em Hong Kong participaram de cada desfile de 1º de julho desde 2003. Sua perseverança e apresentação pacífica lhes granjeou admiração dos espectadores e aplausos de ativistas da democracia a cada ano.

Liu Huiqing, uma praticante do Falun Gong e professora em Hong Kong, disse que distribuía panfletos na avenida Causeway Bay no dia do desfile. Ela foi constantemente abordada por pessoas que perguntavam se a procissão do Falun Gong já tinha passado e que estavam especialmente ansiosos para ver a Banda Marcial Tianguo dos praticantes do Falun Gong.

Ela disse que, no ano passado, um número crescente de residentes de Hong Kong se tornou favorável ao Falun Gong e ficou repugnado pela interferência da Associação de Cuidados da Juventude de Hong Kong – uma organização pró-Pequim e afiliada ao PCC – nas atividades do Falun Gong. “Eles [o povo de Hong Kong] desprezam o PCC. Eles nos disseram que somos os pilares de Hong Kong e que devemos ser fortes”, disse Liu.

Os esforços dos praticantes do Falun Gong têm ajudado as pessoas de Hong Kong a compreenderem a verdade sobre a perseguição à prática pacífica e sobre os crimes do PCC.

Liu Huiqing acredita que, embora o PCC esteja tentando destruir os valores fundamentais do povo de Hong Kong e substituí-los com ideais comunistas, o fato de que 430 mil pessoas marcharam nas ruas em 1º de julho mostra que o verdadeiro espírito de Hong Kong ainda é forte. Ela acredita que o espírito de Hong Kong é combativo e perseverante diante de dificuldades.

“Hong Kong tem determinação para lutar. O povo de Hong Kong enfrenta muitos obstáculos, mas suporta tudo com dignidade. Eles permanecem fiéis a suas tradições e em transmiti-las à próxima geração. Esse é um estilo de vida de tradição”, disse Liu.

Ela acrescentou que esse espírito de Hong Kong vem de longa data. Em 4 de junho de 1989, ela levou os filhos para participarem de uma vigília. Agora, os filhos cresceram e levam os próprios filhos a eventos como a marcha de julho.

“Além de educar os filhos academicamente, também os educamos para serem bons cidadãos e pensarem de forma independente. Temos tanto o sistema de educação britânico como os valores tradicionais chineses. Esperamos que nossos filhos sejam organizados e disciplinados”, disse Liu.

Ela disse que vê com esperança o povo de Hong Kong. “Tantas pessoas vieram nesse dia. Eles são todos contra o regime totalitário comunista da China e esperam restaurar os valores de Hong Kong de liberdade e democracia. Essa é a única esperança que temos por um bom futuro.”

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