‘Espero que não me droguem mais’, diz prisioneira de consciência

Desde que a perseguição ao Falun Gong iniciou-se em 1999, os praticantes do Falun Gong se tornaram prisioneiros de consciência, apenas porque se recusam a renunciar à prática pacífica de meditação.

A sra. Zhang Haixia (张 海霞) é vítima da perseguição orquestrada pelo Partido Comunista Chinês em toda a China.

Sua advogada, Wang Yu, reuniu-se com sua ela duas vezes num período de 12 dias. A situação da sra. Zhang tinha se agravado sensivelmente na sua última visita, que ocorreu em 23 de dezembro.

A advogada informou à família da sra. Zhang sobre sua condição: “Eu estou realmente preocupada com ela agora. Ela não me reconheceu. Seus olhos estão entorpecidos. Ela parece cansada e me disse que tinha sido diagnosticada com algum problema de coração.”

Enquanto estava com a sra. Zhang, a advogada refrescou sua memória sobre a prisão que sofreu. A sra. Zhang e seu marido sr. Wen Yingzhou, que não pratica Falun Gong, foram presos no dia 18 de junho de 2014, por ter uma antena parabólica em casa para assistir aos programas da NTDTV, uma rede de notícias sem censura em idioma chinês com base nos EUA.

Ela também relembrou a sra. Zhang que ela havia sido repetidamente drogada no centro de detenção e por isso estava sofrendo perdas de memória.

A advogada disse à sra. Zhang que estava trabalhando no seu caso e que precisava que a sra. Zhang se esforçasse ao máximo para contar sua história ao juiz.

“Claro, vou fazer isso. Espero que não me droguem mais, caso contrário esquecerei tudo de novo,” disse a sra. Zhang.

A advogada Wang encontrou sua cliente coberta com marcas de agulhas nos seus braços quando a visitou em 11 de dezembro, confirmando a suspeita da família de que ela estava sendo drogada no centro de detenção.

A sra. Zhang começou a mostrar sinais de perda de memória durante o julgamento em 10 de dezembro de 2014. Quando a advogada a visitou em dezembro, a perda de memória dela chegou a tal ponto que não podia se lembrar qual era a aparência de seu esposo e da filha e não podia reconhecer a sra. Wang como sua advogada.

Apelo da advogada é obstruído no tribunal e procuradoria

A advogada Wang acompanhada de Wen Bo, a filha da sra. Zhang, foram ao Tribunal Intermediário no distrito de Xiangfang na tarde de 23 de dezembro para revisar os documentos do caso de sua cliente. Os oficiais de justiça insistiram que elas passassem por verificações de segurança, embora aos advogados não sejam requeridos normalmente passar por tais fiscalizações nos tribunais chineses.

Wang lembrou aos oficiais de justiça que os advogados estão isentos de tais verificações de segurança sob a lei chinesa. Os oficiais de justiça retrucaram: “Nós seguimos as instruções de cima” e deixaram claro que a todos os advogados que representam os praticantes do Falun Gong foram dadas a mesma enrolação.

Wang chamou o juiz Xuan Jian e reclamou a ele das verificações de segurança ilegais. “Eu não sou responsável por isso”, foi sua resposta.

Não obtendo ajuda no tribunal, a advogado foi para a procuradoria apresentar uma queixa porque as autoridades do tribunal intencionalmente interferiram com a capacidade dela assumir as suas funções em nome da sua cliente.

“Nós não somos responsável por isto” disse a procuradoria local à advogada depois que ela declarou a violação do procedimento do tribunal.

Wen Bo, a filha, reclamou ao procurador que o juiz se recusou a dar a ela vereditos escritos para os seus pais.

“Se o juiz não dá a você os vereditos, você precisa pedir para ele, não nós. Onde diz que temos que dar a você o veredito?” O procurador prosseguir rudemente: “Se a saúde da sua mãe não é boa, você precisa falar com o centro de detenção. Isso não é problema nosso.”

Depois de recusar-se a lidar com as reclamações da advogada e da filha, o procurador abruptamente se desculpou.

 
Matérias Relacionadas