Especialistas preveem Natal terrível para maioria dos venezuelanos: sem ceia e com hiperinflação (Vídeo)

Maduro prometeu pagar os bônus de Natal a tempo e pediu à população que invista em ouro e em criptomoedas

Por Jesús de León, Epoch Times

Este Natal chegará para a maioria dos venezuelanos como nunca antes, envolvido em uma espiral hiperinflacionária, com um índice de preços que fechará 2018 a 4.500.000%, e com salários pulverizados.

Já é novembro e as decorações de Natal brilham… mas pela sua ausência, enquanto muitos cidadãos brincam falando sobre os gramas de presunto ou queijo que poderão comprar quando receberem seus bônus de Natal porque não será suficiente para mais nada, sem contar que poucas crianças receberão presentes.

As festividades chegarão quatro meses depois de o presidente Nicolás Maduro ter anunciado um pacote de medidas econômicas que incluiu um aumento salarial 35 vezes maior que o anterior, uma reconversão monetária e uma nova política tributária.

Pessoas procuram comida no lixo em uma rua vazia de Caracas, em 23 de outubro de 2018. Quando o sol se põe, a solidão reina nas ruas de Caracas, castigada pelo crime desenfreado e pela crise econômica. Segundo as ONGs, na Venezuela ocorreram cerca de 26 mil mortes violentas em 2017, com uma taxa de 89 para cada 100 mil habitantes, 15 vezes superior à média mundial (Ronaldo Schemidt/AFP/Getty Images)
Pessoas procuram comida no lixo em uma rua vazia de Caracas, em 23 de outubro de 2018. Quando o sol se põe, a solidão reina nas ruas de Caracas, castigada pelo crime desenfreado e pela crise econômica. Segundo as ONGs, na Venezuela ocorreram cerca de 26 mil mortes violentas em 2017, com uma taxa de 89 para cada 100 mil habitantes, 15 vezes superior à média mundial (Ronaldo Schemidt/AFP/Getty Images)

Para economistas, comerciantes e líderes que se opõem ao regime de Maduro, esse pacote acelerou a queda da economia venezuelana barranco abaixo.

“É o primeiro Natal após a destruição do salário”, disse à EFE o diretor da empresa Ecoanalítica, Alejandro Grisanti, que divide a possibilidade de aproveitar essas festividades entre as famílias que recebem remessas do exterior e as que não recebem.

Uma família que não recebe remessas de um parente que está fora do país tem “capacidade de poupança zero” e só pode tomar medidas para “aumentar o consumo o máximo possível” e comprar produtos “duráveis” que lhe permita “sobreviver” até o primeiro trimestre do próximo ano”.

Este será, segundo Grisanti, “um Natal muito duro”, “muito triste”, “sem atrações” e “sem hallacas”, prato que nunca falta nas ceias de 24 e 31 de dezembro, um bolo recheado com vários tipos de carne, azeitonas, alcaparras e passas, ingredientes que não estão disponíveis, ou estão com preços inacessíveis.

Motoristas fazem fila para comprar gasolina em San Cristóbal, estado de Táchira, Venezuela, em 21 de setembro de 2018. Os habitantes do estado venezuelano de Táchira, na fronteira com a Colômbia, têm que permanecer em longas filas, às vezes por até três dias, para comprar gasolina (Oscar Duque/AFP/Getty Images)
Motoristas fazem fila para comprar gasolina em San Cristóbal, estado de Táchira, Venezuela, em 21 de setembro de 2018. Os habitantes do estado venezuelano de Táchira, na fronteira com a Colômbia, têm que permanecer em longas filas, às vezes por até três dias, para comprar gasolina (Oscar Duque/AFP/Getty Images)

A inflação, longe de parar, aumenta de forma acelerada, já que o valor de 1 bolívar  será de 45 mil em 31 de dezembro.

Muitas empresas não terão chance de abrir suas portas em janeiro. A Ecoanalítica calcula que, se essa situação de hiperinflação continuar por mais seis meses, pelo menos 30% das empresas que estão em operação agora irão fechar.

“Isso se traduz em destruição de salários, destruição de empregos formais e mais uma queda nos salários venezuelanos”, disse ele.

A Comissão de Finanças do Parlamento calcula que o resultado do “pacote” de medidas de Maduro significa uma multiplicação de preços “por 10” a cada mês, embora a partir de 15 de novembro e antes da chegada iminente das festividades natalinas, esse aumento vai disparar e será ainda maior.

“Para o próximo ano, a inflação será de milhões, sem dúvida, porque esta velocidade é insustentável de qualquer ponto de vista… atualmente a família venezuelana está desesperada”, disse um dos membros do comitê parlamentar, Angel Alvarado, à agência EFE.

Migrantes venezuelanos recebem lanches doados em um acampamento improvisado perto de um terminal de ônibus em Bogotá, em 11 de setembro de 2018 (Raul Arboleda/AFP/Getty Images)
Migrantes venezuelanos recebem lanches doados em um acampamento improvisado perto de um terminal de ônibus em Bogotá, em 11 de setembro de 2018 (Raul Arboleda/AFP/Getty Images)

Quem ganha um salário mínimo, que hoje é de 1.800 bolívares (27 dólares na taxa de câmbio oficial), “só consegue comprar a passagem” no transporte público, disse o deputado economista, que também descartou que os bônus em bolívar que de vez em quando o governo deposita para um grupo de venezuelanos, ajudem a aliviar a crise.

“O aumento dos salários neste momento não resolve a situação social e econômica do povo venezuelano e neste momento a família venezuelana está desesperada, está exausta, não sabe o que fazer”, disse Alvarado, que acredita que o país está indo pelo “caminho da destruição”.

Este Natal poderá ser terrível, mas para o Parlamento, o próximo será muito pior se o “modelo socialista” responsável pelo desastre econômico do país petroleiro for mantido.

“Não há como explicar o desastre econômico venezuelano, ele é devido a uma grande incompetência ou uma grande capacidade de fazer o mal daqueles que governam (…) é difícil explicar ao mundo como o país com as maiores reservas de petróleo, o país com as reservas de gás mais importantes no Hemisfério Ocidental, não tem gás para cozinhar”, afirmou o deputado.

Aposentados fazem fila do lado de fora de uma agência bancária na Venezuela em 3 de setembro de 2018, para tentar retirar dinheiro, que é escasso, apesar da circulação de novas cédulas. Os aposentados receberam apenas 90 bolívares, o que equivale a 1,5 dólar à taxa de câmbio oficial, um pouco mais que o preço de uma lata de atum de 140 gramas (Federico Parra/AFP/Getty Images)
Aposentados fazem fila do lado de fora de uma agência bancária na Venezuela em 3 de setembro de 2018, para tentar retirar dinheiro, que é escasso, apesar da circulação de novas cédulas. Os aposentados receberam apenas 90 bolívares, o que equivale a 1,5 dólar à taxa de câmbio oficial, um pouco mais que o preço de uma lata de atum de 140 gramas (Federico Parra/AFP/Getty Images)

Maduro, por outro lado, prometeu pagar os bônus de Natal a tempo e pediu à população, como se não fosse algo absurdo, que invista em ouro e em criptomoedas que ele lançou em dezembro passado, para tentar impulsionar suas nefastas iniciativas econômicas socialistas.

 
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