ARTIGO - Publicado em - Atualizado em 08/01/2014 às 12:57

Especialistas afirmam que sistema da urna eletrônica brasileira é passível de fraude

Urnas eletrônicas (Divulgação/TSE)

Urnas eletrônicas (Divulgação/TSE)

Acima documentário da HBO que denuncia fraudes, manipulações e fragilidades em urnas eletrônicas como as utilizadas no Brasil.

As urnas eletrônicas utilizadas em nosso país são chamadas de “primeira geração”, isto significa que utilizam o sistema Direct Recording Eletronic voting machines (DRE). Neste caso a confiabilidade da apuração dos votos depende totalmente da inviolabilidade do software utilizado, pois não há possibilidade de auditoria dos resultados diretamente nas máquinas.

A auditoria só é possível diretamente no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após o recebimento dos dados enviados pelo software em questão. Contudo, um hacker brasileiro de apenas 19 anos conseguiu interceptar e retardar a transmissão dos dados, alterando estes antes que chegassem ao sistema do TRE do Rio de Janeiro e beneficiando determinados candidatos em detrimento de outros, nas eleições de 2010.

O jovem hacker, conhecido apenas como Rangel (por questões de segurança) conseguiu efetuar a fraude com apoio de comparsas e através de acesso privilegiado à intranet da Justiça Eleitoral do Rio de Janeiro. Neste caso o responsável pela apuração era o Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Porém, o processo para efetuar a fraude caso o responsável fosse o TSE seria o mesmo. O esquema beneficiou (segundo Rangel) principalmente o deputado Paulo Melo (PMDB). A fraude foi descoberta em 2012 e desde então Rangel “desapareceu” da mídia, que pouca importância deu ao ocorrido.

Para o então presidente do TSE e atual ministro no Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, o sistema era inviolável, mesmo após a urna eletrônica de primeira geração ser violada por um grupo da Universidade de Brasília (UnB) em testes promovidos pelo próprio TSE. Para Lewandowski o fato não deve ser preocupante, pois a violação ocorreu em “ambiente controlado” e em uma “situação real” a violação é impossível, nas palavras de Lewandowski: “Eles não teriam acesso à fonte, ao algoritmo e não teriam como identificar a lista com os eleitores”.

O que o ministro não considera (por irresponsabilidade ou falta de informação) é que de acordo com o artigo 66 da Lei 9.504: “nos seis meses que antecedem as eleições regulares é obrigatória a apresentação do código fonte para o Ministério Público, OAB, partidos e todos os demais interessados. Também não são considerados por Lewandowski os seguintes fatos:

1 – Após a ordenação dos votos, os fraudadores que queiram coagir eleitores podem anotar a ordem de votação dos eleitores e identificar o voto de cada indivíduo co-relacionando com a hora nos arquivos de log (sendo esta uma informação disponibilizada publicamente).

2 – A urna DRE grava o voto diretamente em sua memória digital, porém não possibilita aos eleitores que verifiquem que seus votos foram gravados corretamente.

3 – Devido à impossibilidade de auditoria da gravação dos votos as urnas DRE foram rejeitadas em 50 países e declaradas inconstitucionais na Holanda e na Alemanha.

4 – Nas eleições municipais de 2012 houve registro de possíveis fraudes em 94 municípios brasileiros, sendo 30 destes no Estado de São Paulo.

5 – A Diebold, empresa fabricante e fornecedora das urnas eletrônicas utilizadas pelo Brasil, recebeu multa de US$50 milhões do Departamento de Justiça dos Estados Unidos da América por corrupção (suborno de funcionários públicos estrangeiros, falsificação de documentos e colaboração com fraudes na China, na Rússia e na Indonésia).

As urnas de terceira geração possibilitam a conferência pelos eleitores dos votos gravados, através da impressão de uma cédula, depois depositada em uma urna física. Esse procedimento dificulta muito qualquer tipo de fraude direta sobre os votos (pois sempre haverá alguma forma de fraude através de coação, porém, as chances diminuem muito com as urnas de terceira geração).

Mas não parece haver vontade para implantação desse sistema mais seguro, pois o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou inconstitucional a impressão do voto; o argumento é que tal ato consistiria na quebra do direito ao sigilo. Enquanto Holanda e Alemanha consideram “criminosas” as urnas que utilizamos, nossos “representantes” no STF consideram (a maioria deles) as urnas de terceira geração (muito mais confiáveis) “criminosas”.

O item 1, apresentado acima, mostra claramente que o sigilo pode ser facilmente quebrado no sistema atual, enquanto os fatos corroboram que o mesmo é muito difícil de ocorrer com as urnas de terceira geração. Logo, cai por terra essa falácia utilizada por representantes de interesses partidários no aparelhado STF.

Os poucos com coragem para expor essa situação vergonhosa e criminosa “somem”, ou são assassinados, segundo o Deputado Chiarelli, que afirma receber ameaças de morte desde que começou a denunciar as urnas. O também deputado, Capitão Assumpção, diz que as urnas eletrônicas brasileiras são controladas pelo crime organizado, citando o caso de um candidato que recebeu mais de 65 mil votos e, no entanto, apareceu zero voto (ou seja, nem o voto do próprio candidato apareceu).

Outro caso interessante ocorreu em Caxias/MA, onde diversos candidatos não tiveram um voto sequer (nem mesmo os votos deles!?!). Mais interessante ainda é a “coincidência” em Guarulhos, nas eleições municipais de 2004, onde 79927 eleitores estão como brancos e nulos, 79927 não votaram e outros 79927 justificaram. Extrema coincidência? As probabilidades matemáticas apontam que não.

Ao conhecer todos esses fatos me questiono quão “estranho” foram as eleições municipais em São Paulo capital, em 2013. Na época o líder das intenções de voto era Celso Russomano, contudo, este não chegou sequer ao segundo turno e Fernando Haddad (PT) venceu o pleito. Desde então escuto e leio muitos conhecidos, amigos e até desconhecidos afirmando não conhecer uma única pessoa que tenha votado no Haddad ou que conheçam outros que o fizeram (e olha que esses “testemunhos” são encontrados até em “redutos” do petismo como bairros mais pobres e periféricos). Claro que pode soar como uma “teoria da conspiração”, mas é no mínimo de despertar desconfiança, principalmente após as informações contidas neste artigo e em suas fontes.

A realidade é simples: as urnas eletrônicas brasileiras estão obsoletas, são inseguras e, mesmo sabendo disso, o TSE, o STF e o Governo se recusam a admitir os fatos e efetuarem as mudanças necessárias, como a troca das urnas DRE pelas de terceira geração, para conferir confiabilidade e segurança ao processo eleitoral e permitir a auditoria dos votos.

O aparelhamento dos poderes fortaleceu a corrupção, as fraudes e a intimidação a favor do projeto de poder de alguns, em detrimento de toda a sociedade brasileira.

Esse artigo foi originalmente publicado pela Instituto Liberal

Todo conteúdo deste site está publicado sob a Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada. Para reproduzir a matéria, é necessário apenas dar crédito ao Epoch Times em Português e para o repórter da matéria.
  • Vopo Mazop

    QUE E FALHA JÁ ESTA COMPROVADO ,AGORA COMO SEMPRE NÃO TEM UMA ALMA VIVA PRA IR MAIS FUNDO NO ASSUNTO ,ASSIM NAO AVANÇA MESMO,FICA COMO TODA LAMA QUE TEM NA POLITICA BRASILEIRA SE, SOLUÇAO.

  • Hipólito da Costa

    Seminário “O Voto Eletrônico no Brasil é Confiável?” Neste Seminário, organizado pelo Instituto Republicano e Fundação Alberto Pasqualini, realizado no Auditório da Sociedade de Engenheiros e Arquitetos do RJ em 10 de dezembro de 2012, um jovem, de codinome Rangel, apresentou-se para delatar como teria agido, invadindo a rede interna do TRE do Estado do Rio de Janeiro para, com ajuda e participação de elementos de uma empresa de telefonia e telecomunicações que presta serviços à Justiça Eleitoral brasileira, leiloar lotes de votos desviados de candidatos vítimas, durante a fase de totalização no dia da eleição, interceptando na origem (antes da criptografia atuar) a rede de transmissão de dados utilizada pela Justiça Eleitoral para executar centralizadamente a totalização. O Episódio, denunciado e discutido na segunda etapa do Seminário, ganhou o nome de Caso Saquarema. http://www.cic.unb.br/~rezende/trabs/seminarioIR-AP.html

  • Aparício Fernando

    Em Saquarema-RJ aconteceu um fato muito estranho. Antes das eleições municipais de 2012 era só andar pelas ruas e perguntar em quem o eleitor iria votar para prefeito que a resposta era unânime: Pedro Ricardo, candidato da oposição. Pois bem, o rapaz perdeu em todas, eu disse todas as 173 urnas da cidade. Perdeu e perdeu de muito. O mais estranho é que nas ruas alguns dias após as eleições os eleitores continuavam unânimes em dizer que votaram em Pedro Ricardo. Seria muito mais cômodo para o eleitor dizer que votou na candidata vitoriosa. Mas não, o eleitor batia o pé afirmando que votou no candidato da oposição. Curiosamente era difícil encontrar alguém que confirmasse ter votado na candidata vencedora, que coincidentemente é a esposa do deputado estadual Paulo Melo, presidente da ALERJ. Existem vários relatos na internet e inclusive vídeos no YOUTUBE atestando a vulnerabilidade das urnas eleitorais. Está lá pra quem quiser assistir. O fato é que todos os poderes encontram-se de um lado só da balança, prejudicando a alternância do poder, principal filosofia democrática. O TSE, bastante intransigente, por mais que existam evidências que comprovem, jamais irá admitir fraudes em suas ‘caixas pretas’. O ideal seria que a urna eletrônica emitisse, também, um cupom onde mostrasse em quem o eleitor votou. E que esse único cupom fosse colocado numa urna tradicional ao lado dos mesários, para fins de comprovação posterior. Uma coisa é certa: nenhum outro país no mundo, depois de examinar, quis comprar nosso ‘avançadíssimo, rápido e moderno’ método de escrutínio, nem o Paraguai.

  • Sergio Viana

    As urnas são sim confiáveis, porque em todos artigos que li dizem que não há possibilidade de auditoria de votos na urna, contudo já fui presidente de mesa receptora de votos, no inicio é impresso a zerésima que é um documento que comprova que nenhum candidato tem votos, e no final são impressos os boletins de urna que soltam todos os votos por candidato, dá pra auferir número de votos com os presentes, bem seria fácil saber se há fraude dos votos, no fim uma cópia é colada na seção eleitoral para dar publicidade.

  • André

    aqui em São Paulo foi muito estranho essa recuperação sendo que voce não encontra quem votou em a ou b
    ,o eneias estava correto o tempo todo
    essa polarização , todos quiseram mudanças e os nomes que ganham são os mesmos entre os partidos grandes
    já votei uma vez uns números de um candidato e apareceu a foto de outro cancelei e coloquei novamente isso foi a umas 5 eleições atrás ,mas o que apareceu ganhou as eleições ,
    sendo comprovado isso a democracia é uma lenda urbana .esquerda , direita ,apenas faces de uma mesma moeda com seus caciques garantidos eternamente

  • LEILAM

    Nas eleições de ontem houve muitos relatos de pessoas que foram votar e já tinham votado no lugar delas. Vergonha!

    • MARCEL

      A urna eletrônica nada mais é que um computador e pode ser pré-programado para manipular os resultados sim, quem têm um simples computador em casa sabe do que estou falando, e têm gente que acredita que as eleições aqui no Brasil são garantidas pela democracia, vou fazer a minha parte, mas no final não ficarei surpreso com o resultado.

  • Guilherme Borges Viana

    Pessoal,coloquem também esse vídeo do professor da UNB, onde relata que meio milhão de urnas usam a mesma chave de criptografia… ou seja, é muito falha.

    • Ivo Jeronimo

      Fui presidente de Seção Eleitoral durante 26 anos. Meu sonho era as urnas eletrônicas. Sempre confiei nelas. Com este video esclarecedor, acabei de mudar de idéia. Infelizmente, a corrupção não tem limites…

  • Carmelito Smiguel

    Se o Juiz diz que é muito fácil fraldar as urnas etão como é que quem não tem conhecimento vai dizer que não? Veja matéria¹ frhttp://www.folhapolitica.org/2014/02/juiz-eleitoral-afirma-que-adulterar.html

  • Carmelito Smiguel

    Se o Juiz diz que é muito fácil fraldar as urnas etão como é que quem não tem conhecimento vai dizer que não? veja matéria¹ frhttp://www.folhapolitica.org/2014/02/juiz-eleitoral-afirma-que-adulterar.html

    • paulinha

      ué duas msm ao mermo tempo?

    • Dungdidudada Podre

      FRALDAR seria colocar fralda na urna? Infantil ou geriátrica?

  • Everton

    Estas denúncias já são antigas, Dr Enéas Carneiro já denunciava fraude nas urnas eletrônicas há mais de dez anos.

Leia a diferença. Epoch Times Todos os direitos reservados © 2000-2016