Entrevista exclusiva com Eduardo Bolsonaro: toda a América Latina está dizendo que não quer mais socialismo (Vídeo)

"Olhe para o Chile, lá você tem Sebastián Piñera; na Colômbia, Iván Duque; no Paraguai, Mario Abdo Benítez; e Macri na Argentina"

Por Stephen Gregory, Epoch Times

O Epoch Times teve a oportunidade de se reunir com Eduardo Bolsonaro, deputado federal e filho do presidente Jair Bolsonaro, para conversar sobre a situação no Brasil, por ocasião da visita de Estado de seu pai à Casa Branca em 19 de março.

Epoch Times: Você serviu dois períodos no Congresso Nacional, e nesta última eleição, eu entendo que ganhou por uma grande diferença, você teve mais votos do que qualquer outro congressista na história do Brasil.

Eduardo Bolsonaro: Sim. Foi uma surpresa para nós. Não esperávamos tanto, mas foi histórico. Diz muito sobre o momento que estamos vivendo e não apenas no Brasil. Se você olhar ao redor de toda a região, há outras pessoas com o mesmo pensamento, com a mesma forma [de pensar] que o presidente Jair Bolsonaro, e também o de Trump. Olhe para o Chile, lá você tem Sebastián Piñera; na Colômbia, Iván Duque; no Paraguai, Mario Abdo Benítez; e Macri na Argentina.

Portanto, não é um movimento da extrema-direita, como a imprensa costuma ver. É algo natural e é uma mensagem enorme que diz que não queremos mais o socialismo.

ET: É uma mudança incrível. Entendo que há apenas seis anos não havia partido conservador no Brasil. É verdade?

E. Bolsonaro: É verdade. Foi muito difícil para Jair Bolsonaro encontrar um partido que o apoiasse na disputa para presidente. E agora somos o maior partido do Congresso. Houve essa enorme mudança. Então é algo que às vezes é difícil de acreditar, é como um sonho.

ET: Por que você acha que isso aconteceu e, como você diz, não só no Brasil, mas em vários outros países sul-americanos?

E. Bolsonaro: Se olharmos para toda a região, todos os ex-presidentes eram amigos. Evo Morales; Hugo Chávez, depois Maduro; Lula, Dilma; Correa e os Kirchners. As pessoas se cansaram disso, sabe. Porque tudo se resume a golpes de Estado e o politicamente correto. (…) As pessoas se cansaram disso. Houve tantos escândalos de corrupção que as pessoas disseram: “Bem, queremos mudar”.

E quem poderia representar essa mudança? Quem está mais próximo do povo? Então as pessoas encontraram Jair Bolsonaro — porque Jair Bolsonaro não gastou nem um milhão de dólares durante toda a sua campanha. Ele é alguém que serviu a seu país durante 17 anos no exército e depois quase 30 anos como congressista. E não tem muito apoio de partidos políticos. Portanto, foi uma escolha difícil, mas tínhamos uma coisa que todos os outros candidatos não tinham: as pessoas ao nosso lado.

Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro seguram uma faixa que diz "PT (Partido dos Trabalhadores) nunca mais", antes da cerimônia de posse de Bolsonaro na praça dos Três Poderes, em frente ao Palácio do Planalto, Brasília, em 1º de janeiro de 2019 (EVARISTO SA / AFP / Getty Images)
Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro seguram uma faixa que diz “PT (Partido dos Trabalhadores) nunca mais”, antes da cerimônia de posse de Bolsonaro na praça dos Três Poderes, em frente ao Palácio do Planalto, Brasília, em 1º de janeiro de 2019 (EVARISTO SA / AFP / Getty Images)

ET: Esta é uma história muito interessante. Eu entendo que as pessoas estavam fartas da corrupção. Tiveram governos socialistas durante décadas. O que conseguiu unir essas pessoas? Uma coisa é ficar insatisfeito com a maneira como as coisas estão indo. Outra coisa é ver que existe uma alternativa e que seu pai ofereceu ao povo brasileiro uma oportunidade diferente.

E. Bolsonaro: Há um vídeo na Internet que mostra o ex-presidente Lula falando e rindo, como se estivesse celebrando, que não havia um candidato de direita. Eu acho que foi em 2010 ou 2014.

É porque foi difícil crescer. Sabe, no começo, o socialismo é como uma escola. As pessoas gostam. Todo mundo tem dinheiro. Todos podem comprar tudo, só que mais cedo ou mais tarde, a conta chega. E no Brasil, quando esta conta chegou, foi durante o mandato de Dilma Rousseff. O país estava com 14 milhões de desempregados. Foi muito difícil. Foi, creio eu, a pior crise econômica que tivemos no Brasil. A crise também nos ajudou a [fazer] essa mudança.

ET: Então, as pessoas viram que as coisas não estavam indo nada bem?

E. Bolsonaro: Sim. Elas viram claramente. E não foi só essa questão. Se olharmos para a segurança no país, temos registros recordes de homicídios ano após ano. Aí o governo vem e diz: “Ele rouba porque não pôde ir à escola quando era mais novo”. Eles dizem: “O problema é a nossa sociedade porque as pessoas não gostam dos negros”. Tudo isso é o politicamente correto. Mas quando as pessoas saem pela porta de casa, o mundo que enxergam é totalmente diferente do que o governo está dizendo, e as pessoas estão fartas disso.

Eduardo Bolsonaro, congressista brasileiro e filho do presidente Jair Bolsonaro, durante uma entrevista em Washington em 16 de março de 2019 (Charlotte Cuthbertson / Epoch Times)
Eduardo Bolsonaro, congressista brasileiro e filho do presidente Jair Bolsonaro, durante uma entrevista em Washington em 16 de março de 2019 (Charlotte Cuthbertson / Epoch Times)

Há um senso de responsabilidade que nós temos [os membros do partido de Jair Bolsonaro]. Como se não tivéssemos uma segunda chance. Nós só temos uma bala e temos que fazer a coisa certa e mudar toda a história do Brasil. Porque estamos certos de que, se fracassarmos, os meninos da esquerda voltarão com toda a história, e o Brasil estará muito mais próximo da Venezuela do que dos Estados Unidos, por exemplo.

ET: Então essa mudança miraculosa aconteceu cinco ou seis anos atrás, quando de repente os brasileiros disseram “estamos fartos do socialismo”, vocês veem isso como algo frágil, que se este governo não funcionar, vocês voltarão ao socialismo? É esse o caso?

E. Bolsonaro: Sim, sim, claro. Porque é fácil, a história [usada pela esquerda]. O que eles fazem? Eles dizem: “Eu estou aqui pela paz. Todos aqueles que dizem algo diferente são contra a paz”. “Ei, ei, cara. Estou aqui para proteger os negros. Todos aqueles que dizem algo contrário ao que estou dizendo são racistas”. E continuam com a mesma coisa em outros tópicos. É por isso que eles dizem que Bolsonaro é racista, xenófobo, homofóbico, nazista, fascista. Eles estão até criando novas palavras, palavrões, para dizer que Bolsonaro é assim.

Então, quando vamos à Internet, onde você não precisa da mídia convencional para dizer o que está acontecendo, você pode ver com seus próprios olhos: basta abrir o Instagram em seu smartphone, ou Facebook, e você verá pessoas totalmente diferentes.

Portanto, a Internet foi essencial na campanha de Jair Bolsonaro ao mostrar às pessoas quem ele é, que ele não é racista, fascista, nazista, xenófobo, homofóbico, nem todas as outras coisas.

O que eles [a esquerda] estão fazendo no Brasil, também estão fazendo nos Estados Unidos, estão fazendo na Europa, no Chile, na Colômbia. Eles estão todos muito bem conectados, e é por isso que quero usar minha influência e a posição que tenho agora para espalhar ao redor do mundo, para fazer com que esse milagre que aconteceu no Brasil também aconteça em outros países. Para que não seja uma onda pequena, para que seja permanente. Nós realmente temos que nos organizar e acabar com o socialismo enquanto podemos.

ET: Então, as redes sociais permitiram que seu pai rompesse a retórica da esquerda para estabelecer uma conexão direta com as pessoas? Essa é a história?

E. Bolsonaro: 100%. Se olharmos para as redes sociais de Jair Bolsonaro, elas são enormes. É ainda maior do que a de um monte de jogadores de futebol ou artistas. E isso fez toda a diferença nesta campanha. E devo dizer que meu irmão, Carlos Bolsonaro, está gerenciando as redes sociais de Jair Bolsonaro. Carlos não gosta de dar entrevistas. Ele não gosta de aparecer muito, mas ele teve uma grande participação nessas eleições. Depois que esfaquearam meu pai, ele ficou 77% do tempo de campanha no hospital ou em casa.

Então, imagine que a campanha acabe de repente. Você não vai poder passar por todos os estados. Você vai ficar em casa, falando apenas pelo celular. Foi o que aconteceu, e graças ao meu irmão deu certo. E se você olhar para as entrevistas do meu pai depois de ser eleito, a primeira vez em que ele apareceu na televisão ao vivo, ele disse: “Obrigado, Carlos Bolsonaro”. E também quando ele assumiu o cargo em 1º de janeiro, ele disse novamente: “Obrigado, meu filho, Carlos Bolsonaro.”

Presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, realizam uma coletiva de imprensa conjunta no Jardim das Rosas da Casa Branca, em 19 de março de 2019, em Washington, DC. (Chris Kleponis-Pool / Getty Images)
Presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, realizam uma coletiva de imprensa conjunta no Jardim das Rosas da Casa Branca, em 19 de março de 2019, em Washington, DC. (Chris Kleponis-Pool / Getty Images)

ET: Para aqueles que não estão completamente atualizados com a política brasileira, no início de setembro seu pai sofreu um ferimento de faca muito grave em um ataque. Ele quase morreu, correto?

E. Bolsonaro: Sim, foi muito difícil. Um tempo atrás, eu não conseguia nem falar sobre isso, porque isso me deixou muito abalado. Mas estou me acostumando com isso. Quando ele foi esfaqueado, eu estava fazendo campanha no estado de São Paulo. Ele estava em um estado vizinho, Minas Gerais, na cidade de Juiz de Fora. Alguém me ligou e disse: “Acalme-se, seu pai foi esfaqueado”. E eu disse: “Bem, quão ruim foi?” Então, um pouco mais tarde, as pessoas começaram a falar, e eu estava ficando um pouco nervoso. Meu irmão mais velho, Flavio, tuitou: “Não foi grave, foi apenas superficial”. Então me acalmei. Mas quando fui à casa de um amigo e comecei a assistir ao noticiário, [eles estavam dizendo que] ele havia perdido mais de dois litros de sangue. Ele teve os intestinos cortados em quatro partes.

Ele nasceu de novo. Teve muita sorte. Dizemos que ele foi protegido por Deus porque quando aconteceu, foi tão rápido que os agentes federais que estavam fazendo sua segurança tiraram rapidamente meu pai da multidão. Eram cerca de 20 mil ou 30 mil pessoas. Foi muito rápido e eles foram direto para o hospital.

O médico disse mais cinco minutos e poderia ter morrido, porque o coração estava quase sem sangue. Quando ele chegou ao hospital público no Brasil, a Santa Casa de Misericórdia, havia uma equipe com um especialista na área para fazer a cirurgia. Isso não acontece o tempo todo no Brasil, então ele teve muita sorte. E ao fazer essa cirurgia, os médicos disseram que das 100 pessoas que vêem com o mesmo tipo de facada, apenas uma sobrevive.

Então meu pai disse que acha que ele tem uma missão para realizar aqui. Aconteceram coincidências demais para acreditar que a mão de Deus não estava lá.

ET: Por que você acha que houve esse ataque?

E. Bolsonaro: O cara que o esfaqueou fazia parte do PSOL, Partido Socialismo e Liberdade, [embora] ele não participasse das atividades do partido desde 2014. Queriam tirá-lo da corrida presidencial de 2018, com certeza. Às vezes, as pessoas tentam dizer que não, que ele é como um lobo solitário, que agiu sozinho. Não, não, não, não. Foi algo feito por um esquerdista. Imagine se o contrário acontecesse: alguém que fizesse parte do nosso partido apulhalasse um candidato da esquerda. Eles ficariam loucos com isso.

ET: As pessoas têm comparado seu pai com o presidente Donald Trump. Você acha que é uma boa comparação?

E. Bolsonaro: Antes de 2016 — antes da eleição de Trump — as pessoas no Brasil não sabiam muito sobre Trump. O que aconteceu é que, como dissemos, os esquerdistas são muito organizados em todo o mundo. A mensagem que o Brasil estava recebendo sobre Trump era esse tipo de mensagem da esquerda: que ele não gosta de mexicanos, que quer construir um muro, que não gosta de negros, que só quer fazer política para os ricos. São as mesmas coisas que as pessoas disseram aqui sobre Jair Bolsonaro.

Mas mesmo naquela época em 2016, eu fiz alguns posts apoiando isso. Eu sei que ele não precisa do meu apoio, e eu não tenho a capacidade de mudar as coisas nos Estados Unidos. Mas eu queria dizer: “Ei, tem alguém que está escapando do politicamente correto, no Brasil, e também nos Estados Unidos. Preste atenção nesses caras”.

Então, quando ele foi eleito, foi muito engraçado, porque ao assistir as notícias no Brasil, ao ligarmos a televisão, quase todos os jornalistas diziam: “Isso é incrível”.

Esta entrevista foi editada para maior clareza e brevidade

 
Matérias Relacionadas