Entidade denuncia colapso do sistema aéreo argentino após erro de controlador

Com a chegada de Mauricio Macri ao poder em 2015, o governo da Argentina adotou uma política para atrair novas companhias aéreas, algumas delas de baixo custo, e aumentar os números de voos nacionais e internacionais. A medida ficou conhecida como a "revolução dos aviões"

Por Agência EFE

A Associação de Técnicos e Empregados de Proteção e Segurança da Aeronavegação da Argentina (Atepsa) denunciou nesta terça-feira (23), após uma falha quase provocar o choque entre dois aviões no ar, que o aumento no número de voos no país e falta de funcionários está provocando um colapso no sistema de controle aéreo.

A imprensa local divulgou hoje um áudio que mostra uma conversa, ocorrida no último domingo, entre o piloto de um avião particular e uma controladora de voo do aeroporto de Ezeiza, na província de Buenos Aires, o mais importante do país. No diálogo, ele faz um alerta de que quase bateu em outra aeronave no ar.

O piloto diz à controladora que o avião que ele comandava chegou a estar a 300 pés de distância de outras aeronaves, que teriam passado à direita e à esquerda enquanto ele pousava no aeroporto.

“Sim, está correto, senhor. Na verdade, você tem razão”, respondeu a controladora, que pede que ele formule a queixa por escrito e justifica o erro como consequência da saturação dos funcionários do setor e do excesso de trabalho.

Após a divulgação da gravação, a Empresa Argentina de Navegação Aérea (EANA), vinculada ao governo, afirmou que investigará o incidente.

“Manifestamos nosso apoio e solidariedade à companheira controladora de trânsito aéreo do centro de controle da área de Ezeiza”, disse a Atepsa em comunicado após a divulgação do áudio.

O secretário-geral da Atepsa, Jonatan Doino, disse que no domingo o número de voos registrados “superou a capacidade técnica e humana” dos controladores que estavam trabalhando no aeroporto de Ezeiza.

“Além disso, não funcionaram as medidas de regulação que deveriam ser adotadas, pelas quais os controladores não são responsáveis. O espaço aéreo voltou a entrar em colapso”, criticou Doino.

“A urgência dos negócios os leva a prescindir da necessária análise de risco, o provisório vira eterno, e o erro humano é penalizado”, completou o secretário-geral da Atepsa.

Com a chegada de Mauricio Macri ao poder em 2015, o governo da Argentina adotou uma política para atrair novas companhias aéreas, algumas delas de baixo custo, e aumentar os números de voos nacionais e internacionais. A medida ficou conhecida como a “revolução dos aviões”.

“As estatísticas que são festejadas devem ser analisadas de maneira responsável e honesta já que vivemos denunciando. Somos o lado B da ‘revolução dos aviões’. O lado que se oculta, o que se degrada, o que é essencial, mas invisível aos olhos dos passageiros”, afirmou Doino.

Na nota, a Atepsa diz que o governo da Argentina está instalando o conceito de “baixo custo” na segurança das operações aéreas.

“Haverá consequências. Há responsáveis”, concluiu a entidade.

 
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