ENEM 2015 esquece das 65 milhões de mortes causadas pelo comunismo chinês

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2015 foi o mais polêmico desde sua criação, recheado de tendências ideológicas. A prova abordou questões que permeiam o debate de gênero, além de outros temas que apoiam a linha de pensamento socialista e comunista.

Uma das perguntas abordadas na prova foi a questão das reformas econômicas na China e seu efeito “negativo” sobre o processo de extinção gradual das classes sociais no país, que é uma das metas do comunismo. O trecho omite os efeitos catastróficos que esse processo de extinção de classes gerou na China desde 1949, quando o Partido Comunista Chinês ascendeu ao poder, alienando assim os estudantes sobre os erros cometidos por esse sistema.

Prova ENEM 2015 (Reprodução)
Prova ENEM 2015 (Reprodução)

Voltando um pouco na história, a publicação do Manifesto Comunista, em 21 de fevereiro de 1848, pelo alemão Karl Heinrich Marx (Karl Marx), marca o estabelecimento da ideologia comunista na humanidade. O resultado desta publicação foram cerca de 100 milhões de mortes em um período de pouco mais de 150 anos.

Guiados pelo Manifesto Comunista que prega controle e dominação, os países que decidiram aderir a esse sistema utilizaram táticas de empoderamento conhecidas como os ‘nove traços’, que englobam: a maldade, a hipocrisia, o incitamento, deixar livre a escória da sociedade, a espionagem, o roubo, a luta, a eliminação e o controle. Se computados todos os danos físicos e psicológicos causados à população mundial por meio destas táticas comunistas, facilmente esse número passa mais de um bilhão de vítimas ao longo desses mais de 150 anos.

Somando-se todas as mortes causadas por terremotos, furacões, epidemias e guerras durante os últimos quatro séculos, o comunismo conseguiu produzir resultados ainda mais devastadores, segundo ‘O Livro Negro do Comunismo’. A publicação fornece números estimados de vítimas fatais por regimes comunistas e socialistas ao redor do mundo:

China: 65 milhões de mortos
URSS: 20 milhões de mortos
Coreia do Norte: 2 milhões de mortos
Camboja: 2 milhões de mortos
África: 1,7 milhão de mortos
Afeganistão: 1,5 milhão de mortos
Vietnã: 1 milhão de mortos
Leste Europeu: 1 milhão de mortos
América Latina: 150 mil mortos

Documentos e relatos de sobreviventes expõem as atrocidades cometidas pelos regimes comunistas contra a humanidade.

A ‘Grande Fome’ na China e Ucrânia

Poucos ocidentais têm conhecimento sobre a sanguinolenta realidade que predominou na China entre os anos de 1949 e 1976, durante o período de Mao Tsé-tung (ou Mao Zedong) como líder do Partido Comunista Chinês (PCC).

Segundo a publicação ‘Nove Comentários sobre o Partido Comunista Chinês’, o maior número de mortes da história chinesa foi registrado durante a ‘Grande Fome’, período em que a população chinesa vivenciou miséria extrema devido à revolução brutal de Mao Tsé-Tung (1958-1960). O artigo ‘Grande Fome’ do livro ‘Registros históricos da República Popular da China’, relata que “o número de mortes não naturais e a redução de nascimentos de 1959 a 1961 é estimado em cerca de 40 milhões de vítimas”.

Du Jinhua, da província de Shandong, relatou sobre o período tenebroso: “Quando eu era jovem, eu experimentei a Grande Fome. Nos piores dias, nós arrastaríamos oito ou nove corpos de moradores que morreram de fome naquela manhã. Depois íamos trabalhar nos campos. As autoridades ficavam sempre inspecionando para assegurar que as pessoas não roubassem e comessem batata-doce e outros alimentos. No fim do dia, nossos bolsos eram verificados para ver se tínhamos alguma sobra de comida conosco.”

Nos registros oficiais do Partido Comunista Chinês é mencionado que, neste período, um homem da província de Hunan foi forçado a matar seu filho de 12 anos de idade, enterrando-o vivo, por ter roubado um punhado de grãos. O pai morreu de desgosto três semanas depois.

Leia também:
Ucrânia proíbe símbolos comunistas ‘para estabelecer justiça histórica’
Conheça único médico que escapou dos campos de extermínio do Khmer Vermelho

A regra era simples: quem não seguisse os comandos do Partido Comunista, era morto através de torturas ou era enterrado vivo, e toda a sua família teria o mesmo destino. Os líderes da revolução confiscavam todos os pertences dos cidadãos, incluindo propriedades, bens materiais e alimentos. Os chineses só poderiam ter e comer aquilo que fosse oferecido pelas autoridades (uma quantidade tão ínfima que deixou a população em extrema miséria e matou milhões de pessoas).

Sob o argumento de estar limpando pequenas toxinas burguesas, a revolução comunista visava acabar com a moralidade, a liberdade de pensamento, a liberdade de ação, a tolerância e a dignidade do homem.

A Ucrânia também passou por semelhante processo de dizimação da população através da fome. O ápice foi em 1933, quando Josef Stalin estipulou novas metas de produção e coleta de alimentos ao povo ucraniano. Mesmo antes disso, a população já estava à beira da mortandade em massa, devido às políticas de confisco de alimentos iniciadas anos antes.

De acordo com Robert Conquest, autor do livro “A colheita do sofrimento” (The Harvest of Sorrow), nesse período, “os cadáveres estavam por todos os lados, e o forte odor da morte pairava pesadamente no ar. Casos de insanidade, e até mesmo de canibalismo, estão bem documentados. As diferentes famílias camponesas reagiam de maneiras distintas à medida que lentamente iam morrendo de fome”.

Extração forçada de órgãos

A extração forçada de órgãos é outro grave e sinistro crime contra a humanidade. Para financiar sua estrutura política, o Partido Comunista Chinês, desde a década de 1980, vem extraindo órgão de prisioneiros políticos ainda vivos. Esse procedimento se acentuou a partir de 2000, após o início da perseguição ao Falun Gong, uma prática tradicional de meditação chinesa que baseia-se nos princípios de verdade, compaixão e tolerância. Em 1999, segundo estimativas do regime chinês entre 70 e 100 milhões de pessoas praticavam o Falun Gong na China, número superior de filiados ao Partido Comunista Chinês na época.

Leia também:
China: 16 anos de perseguição, 2 milhões de mortos

Os pesquisadores canadenses David Matas e David Kilgour, um respeitado advogado de direitos humanos e um ex-membro do parlamento canadense, respectivamente, estimam que apenas entre 2000 e 2008, mais de 60 mil praticantes de Falun Gong foram mortos por meio da extração de órgãos.

Novas investigações feitas pelo jornalista Ethan Gutman trazem evidências que presos políticos e outros prisioneiros de consciência também estão sendo utilizados para a colheita de órgãos, como cristãos, tibetanos, uigures e ativistas de direitos humanos.

Conclusão

Marx afirmava que o socialismo não é uma forma de governo, mas sim um Estado. Um Estado policiado e projetado, cuja sociedade assume durante a “transição” de um modelo capitalista para uma sociedade comunista. A “utopia comunista” é o resultado final almejado após a plena transição: um mundo sem polícia, sem propriedade, sem religião, sem classes sociais, até mesmo sem a necessidade de governo… uma terra imaginária de eterna harmonia.

Entretanto, na prática, o que o Partido Comunista tem feito prova ser, na realidade, um sistema totalitário e violento, extinguindo a liberdade e os direitos humanos. As doutrinas do Partido Comunista são baseadas na luta de classes, nas revoluções violentas e na ditadura do proletariado, resultando na chamada “revolução comunista”, repleta de sangue e violência. O terror vermelho sob o comunismo vem trazendo desastres a dezenas de países no mundo, ao custo milhões de vidas.

 
Matérias Relacionadas