Empresa Huawei espiona para China, diz ex-espião norte-americano

O general da reserva Michael Hayden, ex-agente da CIA e diretor da NSA, na publicação de um relatório (Mark Wilson/Getty Images)

O ex-chefe da Agência Central de Inteligência (CIA) e da Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA disse recentemente que a empresa eletrônica chinesa Huawei representa uma ameaça para a segurança nacional dos Estados Unidos e da Austrália, porque ela está envolvida em espionagem para o regime chinês.

Numa entrevista exclusiva com o Australian Financial Review (AFR), o general Michael Hayden deu a entrevista mais aprofundada sobre o assunto desde sua aposentadoria em 2009, abordando também uma variedade de outras questões de segurança nacional.

“Dois ou três anos atrás, a Huawei tentava estabelecer uma presença bastante significativa aqui nos Estados Unidos”, disse Hayden. “E eles tentavam fazer com que pessoas como eu – um ex-chefe da NSA e da CIA – endossassem sua presença nos EUA.” Ele concluiu que era inaceitável que esta empresa constituísse a espinha dorsal das telecomunicações nacionais dos EUA e acrescentou: “Neste ponto, eu acho que o Estado tem um papel a desempenhar – garantir que não tomemos decisões que comprometam as bases de nossa segurança nacional.”

Em 2011, a Huawei foi barrada pelo governo dos EUA das redes do governo e, em 2012, a Austrália se recusou a permitir que a empresa fornecesse equipamentos para a rede nacional de banda larga do país.

A Huawei Technologies Co. é a maior fabricante de equipamentos de telecomunicações da China e foi fundada em 1987 por Ren Zhengfei, um ex-oficial do Exército da Liberação Popular. Em 1982, ele foi nomeado para o 12º Congresso Popular Nacional do Partido Comunista Chinês (PCC), um grande evento realizado a cada cinco anos principalmente para formular as políticas e doutrinas do regime comunista chinês.

A Huawei, que atualmente atende 45 das 50 maiores operadoras de telecomunicações do mundo, tem, em geral, negado as alegações de que espiona em nome das agências de inteligência chinesas. Antes de tentar penetrar nos mercados ocidentais, ela tem regularmente investido em agressivas campanhas de lobby, tentando promover sua marca como uma empresa privada independente do regime chinês e que produziria eletrônicos de confiança e a preços razoáveis.

Na entrevista, Hayden viu as coisas de forma diferente. “Devido aos grandes riscos à segurança nacional criados por uma empresa estrangeira que ajuda na construção das redes nacionais de telecomunicações, o ônus da prova não está em nós. A questão está na Huawei… Na verdade, eu acho que a Huawei nunca se esforçou para responder as dúvidas envolvidas”, disse Hayden ao AFR.

Quando perguntado que diferenças havia entre as práticas de espionagem dos EUA e da China, Hayden admitiu que os EUA roubam segredos de outros países, mas com a finalidade de garantir a segurança de seus cidadãos. Os chineses, no entanto, roubam segredos para benefício pessoal e para “enriquecerem”.

Ele também disse que “como um profissional da inteligência, fico admirado com a amplitude, profundidade, sofisticação e persistência da campanha de espionagem chinesa contra o Ocidente”.

Estes comentários provavelmente terão um impacto negativo na empresa Huawei, que inseriu seus produtos e serviços em mais de 140 países e gera cerca de 70% de sua receita fora da China.

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