Empreiteiras investigadas pela Lava Jato podem atrasar obras dos Jogos Olímpicos

Demora na transferência de recursos da Caixa Econômica Federal comprometeu duas obras públicas nos últimos dias, as quais, mesmo bastante adiantadas, poderão enfrentar graves problemas, segundo informou a reportagem do jornal O Estado de São Paulo.

Conforme apurado pelo Estadão, metade dos trabalhadores pertencentes ao consórcio responsável pelas obras para a construção do Parque Radical no Complexo Esportivo Deodoro, que receberá parte dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, recebeu aviso prévio na quarta-feira (1º). Na quinta-feira (2), foi a vez do consórcio responsável pelas obras do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) da Baixada Santista, em São Paulo, aplicar o mesmo procedimento.

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As empresas Queiroz Galvão e OAS compõem o Consórcio Complexo Deodoro, no Rio de Janeiro. O motivo pelo qual elas demitiram funcionários é que estão implicadas na Operação Lava Jato, da Polícia Federal. A Lava Jato investiga crime de lavagem de dinheiro realizado através do desvio de recursos da Petrobras, envolvendo políticos e grandes empreiteiros. Em São Paulo, o problema ocorreu com o Consórcio Expresso VLT Baixada Santista, do qual fazem parte a Construtora Queiroz Galvão e a Trail Infraestrutura. Os dois projetos são financiados pela Caixa.

Cerca de R$ 30 milhões ainda não foram transferidos para o consórcio responsável pelas obras do VLT. No caso do Complexo Deodoro, são quase R$ 80 milhões não transferidos. Apenas um pagamento foi realizado desde que o contrato foi assinado em agosto do ano passado.

Teme-se que as obras do Complexo de Deodoro, no Rio, sejam paralisadas dentro dos próximos 30 dias. Até a manhã de quinta-feira (2), o consórcio responsável demitiu quase 300 funcionários. No dia anterior, 550 funcionários receberam aviso prévio.

O Ministério dos Transportes, que acompanha as obras ligadas à Olimpíada, enviou nota ao Estadão, dizendo que “não há nenhum corte de recursos federais para as obras olímpicas”. Afirmou também que “os recursos são liberados pela Caixa mediante a apresentação de documentação completa por parte do consórcio responsável pelas obras e a aprovação das medições das referidas obras”. Além disso, “a Caixa aprovou duas medições recentes que somam R$ 25 milhões, cujos pagamentos estão autorizados”.

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, entrou em contato com a Agência Reuters na manhã de quinta-feira (2), afirmando que as obras do Parque Radical em Deodoro estão “rigorosamente” em dia, o que foi também confirmado pelos operários. Ele enfatizou que o prosseguimento da construção não está ameaçado pelas demissões. Segundo ele, o problema enfrentado pela Queiroz Galvão é a demora no repasse dos recursos pela Caixa Econômica Federal devido a questões burocráticas, mas o cronograma da obra será seguido porque a prefeitura tem adiantado os valores.

“O Tesouro Nacional não contingenciou nada. Você tem trâmites burocráticos e controles rigorosos nesses pagamentos”, disse Paes. “Nesse caso, o que a prefeitura faz: como demora às vezes 30 a 60 dias para repassar, não por falta de dinheiro, mas por conta desse trâmite burocrático, nós estamos adiantando esse dinheiro”, acrescentou.

Indagada sobre a questão, a assessoria de imprensa da Caixa informou que “existem recursos disponíveis para liberação na conta” dos dois projetos. E confirmou que “das medições apresentadas, todas as etapas de obra estão com documentação regulamentar (projetos analisados, orçamentos, cronogramas e medições) e tiveram suas liberações de recursos efetuadas. Porém, para etapas de obras que tiveram projetos alterados, aguardamos a regularização da documentação para que possamos analisar e liberar os recursos”.

Além do hipismo, o Complexo Esportivo de Deodoro será palco de 11 modalidades olímpicas, como basquete, ciclismo, mountain bike, pentatlo moderno, tiro esportivo e rúgbi, e quatro paraolímpicas durante os Jogos Olímpicos de 2016.

 
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