De empreendedores da Terra até a Lua e além: privatizando o espaço

No início deste mês, Jeff Bezos, o bilionário da Amazon, falou abertamente com a NBC News sobre o interesse no chamado turismo espacial e em sua nova empresa “espacial”, a Blue Origin. Claro, todos devem ter ouviu falar na empresa Virgin Galactic, do bilionário Sir Richard Branson, não muito distante de lançar o turismo espacial, mas e quanto à privatização que com certeza acompanharia a exploração das fronteiras exteriores? Como o eminente astrônomo, astrofísico e cosmólogo Carl Sagan disse uma vez: “Em algum lugar, algo incrível está esperando para ser conhecido.”

Jeff Bezos e Sir Richard Branson são os dois nomes mais frequentemente associados com a diversão e a ciência fantásticas de pessoas que dão um pequeno passeio na estratosfera, mesmo que na órbita terrestre. No entanto, outros empresários têm planos para ir mais longe à exploração no eterno “lá fora”, além da força gravitacional da Terra. Elon Musk, Larry Page, Eric Schmidt, Naveen Jain, Robert Bigelow e até Ross Perot Jr.; estes e muitos mais parecem estar concentrados em ir audaciosamente onde outros não foram ainda. Aqui está uma olhada em algumas das iniciativas aventureiras mais ambiciosas e interessantes (inclusive brilhantes) já planejadas.

Space X – O núcleo propulsor da viagem espacial

Trazido a você por Elon Musk, o homem que criou a automóvel alternativo Tesla agora muito bem-sucedido, o Space X é essencialmente o ponto de excelência da inovação necessária para iniciar qualquer lançamento extraterrestre – dinamismo de foguetes e tecnologia revolucionária. Se você pensar sobre isso, de que perspectiva da engenharia virá o voo interestelar? A nave espacial tem de ser o primeiro passo, mesmo que “nave” não seja de fato a solução. O Space X, iniciado em 2002 em parceria com o engenheiro de propulsão de foguete Tom Mueller, é realmente ambicioso.

O objetivo da missão do Space X é viabilizar a colonização de Marte. Uma vez que você introjete isso, é importante perceber que a empresa de Musk já alcançou muitos realizações espaciais pioneiras monumentais, incluindo: ser a primeira empresa privada a lançar um foguete orbital de combustível líquido (Falcon 1); a primeira a lançar em órbita e recuperar uma nave espacial (Falcoln 9); a primeira a enviar uma nave espacial à Estação Espacial Internacional (Dragon); entre outros títulos. Em colaboração com a NASA, e com o Departamento de Defesa dos EUA em alguns casos, o Space X mostra excelente potencial para realizar a missão ‘Red Dragon’ num futuro não muito distante. A tão aguardada, falada e teorizada missão tripulada a Marte usando o pesado foguete Falcon e as tecnologias de cápsula Dragon.

O potencial “Dune”, não muito distante

Nós mencionamos o investidor em inovação espacial e notável do Google, Larry Page, mas adicione a este nome riquíssimo citado o do lendário cineasta James Cameron e um empreendimento chamado ‘Planetary Resources’, e isso sensibilizará seu sentido tecnológico das coisas. O que Page, Cameron e companhia estão planejando? Bem, minerar asteroides próximos da Terra, como Bruce Willis no filme “Armageddon”, é isso mesmo.

Se o “tempero” foi o propelente necessário na aventura de ficção científica “Dune”, recursos escassos aqui no planeta Terra em breve exigirão alternativas. Outro tipo investidor-inovador envolvido, Eric Anderson, disse ao Space.com (comentando sobre asteroides): “Eles são tão valiosos, e tão fáceis de alcançar energeticamente. Asteroides próximos da Terra são realmente o fruto maduro do sistema solar.”

O vídeo abaixo faz um bom trabalho em explicar como a empresa pretende não apenas lucrar com a venda de minerais extraídos de asteroides, mas também como a empresa criará uma forma extraterrestre de altruísmo corporativo. Deixando a gozação de lado, o teor filantrópico típico do dogma “salve a Terra”, por mais capitalista que soe, de fato retrata um problema a resolver para a humanidade. Descendo a lista de membros da equipe, e de investidores, seria prudente colocar dinheiro com base em seu desempenho passado. O referido Richard Branson está envolvido espiritual e financeiramente, Ross Perot Jr. também, e uma lista de físicos e nomes estelares e interestelares de vários dialetos acrescentam peso aqui. Aparentemente, desembarcar em asteroides e cavar por “ouro” não é mais tão espetacular. Tudo isso nos leva a talvez a mais viável das explorações concebíveis…

Para a Lua, Alice!

Quem da chamada geração ‘Baby Boom’ não se lembra das famosas palavras: “Alice, um desses dias, pow, zoom, para a lua?” O momento de consternação e atrito entre os personagens recém-casados Ralph Kramden e sua esposa Alice está centrado no que era realmente uma lua de mel eterna, ou, mais sucintamente, o atrito eterno entre polos opostos. A mesma “harmonia” com a qual a Terra e a Lua têm existido por eras; talvez seja isso o que levou o fundador do Instituto Mundial de Inovação, Naveen Jain, a instigar o apropriadamente chamado ‘Moon Express’?

Se considerarmos todas as alternativas lógicas para chegar lá no espaço, ou até mesmo coletar e trazer para a Terra elementos raros ou necessários de longe, nenhum lugar parece mais hospitaleiro do que a nossa Lua. Se a mineração de asteroides é viável, nosso recurso mais próximo e maior está literalmente a apenas 238.900 milhas de distância. Para muitos especialistas, incluindo o “quem é quem” na equipe de Jain (como os cofundadores Barney Pell e Bob Richards), se não pudermos fazer isso na Lua, o resto da galáxia está fora de perspectiva. Com o uso da robótica de ultra-alta tecnologia, o Moon Express está focado na exploração não tripulada e na efetiva realização de negócios exploratórios úteis. Numa demonstração de viabilidade e progresso, apenas em dezembro passado, o Moon Express revelou seu inovador Módulo Lunar Comercial MX-1. Para citar suas declarações de missão:

“Nós acreditamos que é fundamental para a humanidade se tornar uma espécie plurimundo e que nosso orbe-irmã, a Lua, é um oitavo continente que contém vastos recursos que podem nos ajudar a enriquecer e garantir o nosso futuro. A Lua é única por que sua superfície se mantém relativamente constante ao longo de bilhões de anos.”

Levantando voo, a única maneira de voar

Eu não posso discutir essas encruzilhadas tecnológicas que continuam a se entrecruzar sem mencionar Carl Sagan. Quando criança, eu me lembro de vividamente assistir aos lançamentos da Apollo, até mesmo alguns da Gemini, da região central da Flórida, onde a chama de um Saturn V podia ser vista a 160 quilômetros de distância. Agora, meio século depois, sou obrigado a recordar a famosa revelação “Pálido Ponto Azul” de Carl Sagan. Independentemente da intenção subjacente desses inovadores, as ramificações finais levam-nos seres humanos para além deste “pontinho solitário” de suposta solidão. Como Sagan sugeriu, até onde sabemos não há um grande salvador lá fora vindo nos salvar das trevas da sombria eternidade. Na verdade, meus amigos, depende de nós. Assim, devemos aplaudir esses investimentos aparentemente loucos, mesmo que, para realizar que o que pode vir a seguir, veio por causa deles. Nós não temos escolha a não ser decolar. Ou não.

Para a Lua, Alice!

 
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