A educação é fundamental para formar as bases da saúde

A educação de meninas é um dos investimentos mais eficazes que uma nação pode fazer para o desenvolvimento e a melhora da saúde.

Por exemplo, na Índia urbana, verificou-se que a taxa de mortalidade entre os filhos de mulheres educadas é quase a metade que a dos filhos de mulheres sem instrução. Nas Filipinas o ensino primário entre as mães tem reduzido os riscos de mortalidade infantil pela metade, e o ensino secundário reduz este risco para um terço.

Um estudo realizado na área rural de Gana sobre comportamentos de saúde preventiva contra o HIV-AIDS entre os adultos descobriu que os indivíduos com mais educação tiveram comportamentos de saúde mais preventivos, diminuindo assim o risco de contrair a infecção.

Além disso, aqueles que vivem na pobreza e sofrem de desnutrição têm uma propensão maior a uma série de doenças, menor capacidade de aprendizagem e uma maior exposição e vulnerabilidade aos riscos ambientais. As crianças pobres frequentemente carecem dos estímulos fundamentais para o crescimento e o desenvolvimento.

A pobreza não pode ser definida somente em termos de falta de renda. Pouco ou nenhum acesso a serviços de saúde, falta de acesso à água potável e à alimentação adequada, analfabetismo ou baixa escolaridade, e uma percepção distorcida dos direitos e das necessidades também são componentes essenciais da pobreza.

A pobreza é um dos fatores mais influentes para uma saúde doentia, e uma saúde doentia, num ciclo vicioso, pode levar à pobreza. A educação tem sido comprovada como fundamental para quebrar este ciclo.

Há uma ligação bidirecional entre a pobreza e a saúde. A doença prejudica a capacidade de aprendizagem e a qualidade de vida, tem um impacto negativo sobre a produtividade e drena as economias da família. Os pobres estão mais expostos a riscos ambientais (falta de saneamento, alimentos pouco saudáveis, violência e catástrofes naturais) e menos preparados materialmente para lidar com eles.

Porque eles também são menos informados sobre os benefícios de estilos de vida saudáveis e têm menos acesso a eles, bem como aos cuidados de saúde de qualidade, os pobres têm maior risco de doença e de incapacidade. Estima-se que um terço das mortes no mundo – 18 milhões de pessoas por ano, ou 50.000 por dia – é devido a causas relacionadas à pobreza.

Mais de 1,5 bilhão de pessoas no mundo vivem em extrema pobreza, 80% dos quais vivem em países em desenvolvimento. Os pobres têm pouco ou nenhum acesso aos serviços de saúde qualificados e à educação, e não participam das decisões fundamentais do seu dia-a-dia.

Aqueles que vivem na pobreza extrema possuem cinco vezes mais probabilidade de morrer antes dos 5 anos, e duas vezes e meia mais chances de morrer entre 15 e 59 anos do que aqueles em grupos de renda mais alta.

As mesmas diferenças dramáticas podem ser encontradas no que diz respeito aos níveis de mortalidade materna e incidência de doenças evitáveis. O nível de ensino em relação à saúde é particularmente importante entre as mulheres. Além disso, a educação para as mulheres está intimamente associada com o casamento tardio e o menor tamanho da família.

O aumento da renda por si só não pode garantir uma melhor nutrição e saúde, devido ao impacto de outros fatores, especialmente da educação, da higiene ambiental e do acesso aos serviços de saúde, que não podem necessariamente ser comprados com o aumento da renda no mundo em desenvolvimento.

Várias estratégias podem ser utilizadas para melhorar o acesso das mães e das crianças às oportunidades educacionais como forma de melhorar seu estado de saúde. No âmbito nacional, os governos, particularmente nos países em desenvolvimento, têm que estabelecer a educação, incluindo a educação dos pais, como uma prioridade e fornecer recursos e apoio necessários.

Intervenções devem ser direcionadas a grupos vulneráveis, tais como aqueles com baixa renda ou com menos acesso à alimentação adequada.

No âmbito internacional, as instituições de crédito têm que implementar políticas de redução da dívida para os países dispostos a fornecer mais recursos para a educação básica.

Embora um objetivo importante seja reduzir a desigualdade econômica para melhorar a situação sanitária das populações, a ênfase na educação pode proporcionar benefícios substanciais à saúde das populações, mesmo antes de reduzir o fosso econômico entre ricos e pobres.

Dr. César Chelala, PhD, é um consultor de saúde pública para várias organizações internacionais, tem realizado missões de saúde em mais de 50 países do mundo e recebeu o prêmio ‘Overseas Press Club of America’

 
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