Ebola: tratamentos experimentais são aprovados no combate ao surto

Os números do surto de ebola na África ocidental foram atualizados na noite de segunda-feira (11) pela Organização Mundial de Saúde para mais de mil mortes e 1.849 casos de infecção, pelo que a organização decidiu ontem (12) autorizar o uso de tratamentos experimentais no combate à febre hemorrágica, apesar da morte do padre espanhol que já estava sendo tratado com o soro ZMapp. Miguel Pajares morreu ontem de manhã em Madrid, apesar do tratamento ser igual ao dos dois americanos infectados e que estão reagindo bem ao tratamento. No entanto, estes dois doentes teriam começado a receber o soro experimental numa fase mais precoce da infecção por ebola.

A dimensão que o surto está atingindo levou ontem a OMS a autorizar o uso de tratamentos experimentais “sob reserva” de que determinadas condições sejam cumpridas. “A comissão chegou ao consenso de que é ético oferecer tratamentos não homologados, cuja eficácia não é conhecida, nem os seus efeitos secundários, como tratamento potencial ou a título preventivo”, explicou a OMS. Marie-Paule Kieny confirmou que a decisão foi tomada por unanimidade entre os especialistas que debateram o recurso a medicamentos experimentais.

As condições necessárias passam pela “transparência absoluta relativamente aos cuidados, consentimento informado, liberdade de escolha, confidencialidade, respeito das pessoas, preservação da dignidade e implicação das comunidades”. Por seu lado, os peritos responsáveis pelos tratamentos têm a “obrigação moral de reunir e partilhar os dados sobre a segurança e a eficácia destas intervenções”. O ZMapp já foi enviado para a região afetada, nomeadamente para a Libéria, mas o fabricante sublinhou ontem que as reservas do ZMapp estão esgotadas, depois de terem sido enviadas amostras para a Libéria e para a Nigéria, mas a empresa Mapp Biopharmaceutical já adiantou que trabalha com o governo americano de forma a aumentar a produção do medicamento. Atualmente há duas vacinas e dois tratamentos em desenvolvimento nos EUA, mas o ZMapp é o mais utilizado neste surto.

Ontem, na Serra Leoa, oito profissionais de saúde chineses foram colocados em quarentena e a China confirmou que iria enviar 3,64 milhões de euros para a Guiné Conacri, a Serra Leoa e a Libéria para apoiar o combate ao surto.

Os últimos dados mostram que há quatro países com casos de ebola: a Guiné Conacri tem 506 casos e 373 mortos; a Serra Leoa tem 730 casos e 315 mortos; a Libéria tem 599 casos e 323 mortos e a Nigéria, o país mais populoso de África, tem 13 casos e dois mortos confirmados.

Perto dos países afetados, a Guiné-Bissau revelou ontem que fechou a fronteira com a Guiné Conacri e ativou o Plano de Emergência Sanitária, que proíbe aglomerações de pessoas, incluindo os mercados nas povoações fronteiriças. As autoridades estarão atentas a zonas de passagem não oficial entre os dois países, reforçarão as patrulhas marítimas e o controle de passageiros no aeroporto. Moçambique ativou ontem o plano de contingência, com o reforço da vigilância nas fronteiras aéreas, marítimas e terrestres e a preparação de profissionais de saúde. Angola já fechou a fronteira com a RD Congo em dois locais e está já em estado de alerta.

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