Doze peticionários tentam suicídio coletivo em Pequim

Dezenas de milhares de peticionários de toda a China tomaram as ruas de Pequim no Dia Internacional dos Direitos Humanos em 10 de dezembro para protestar, mas doze deles não se contentaram com os protestos e tentaram suicídio coletivo.

Por volta das 16h, doze chineses cujas casas na cidade de Wuhan foram demolidas esticaram faixas no chão com suas queixas, deitaram e, em seguida, beberam pesticida juntos em Qianmen, localizado na extremidade sul da Praça da Paz Celestial, no centro de Pequim.

Os doze desmaiaram logo após tomar o pesticida e ficaram caídos no chão juntos, próximos da murada onde se reuniram. Mais tarde, a polícia os mandou para hospitais próximos para tratamento de emergência.

Os peticionários eram três mulheres e nove homens da vila de Xinchun, no distrito de Jiangan, cidade de Wuhan, capital da província de Hubei, no centro da China.

Compensação

Sua história é comum na China de hoje. Depois de perder as suas casas com pouca compensação, eles apelaram aos funcionários locais. Em vez de receber uma indenização que lhes permitisse reconstruir as suas vidas, os peticionários afirmam que foram tratados com violência e colocados em campos de trabalho forçado e prisões negras.

Fotos dos peticionários deitados no chão inconscientes feitas pelos transeuntes logo apareceram no Sina Weibo, uma mídia social popular na China, mas foram logo eliminadas durante o dia devido à censura na internet.

O Epoch Times contatou um dos 12 peticionários, Mei Cuiying, por telefone. “Nós estávamos tão desesperados que viemos a Pequim para cometer suicídio no Dia Internacional dos Direitos Humanos.” Ela continuou: “Depois de beber o pesticida, eu vomitei e senti o mundo girar, e então perdi a consciência. Acordei depois tendo meu estômago lavado no hospital e ainda estou recebendo gotejamento intravenoso.”

Mei disse ao Epoch Times que eles foram enviados para hospitais diferentes perto da Praça da Paz Celestial. “Estou hospitalizada com Wang Yuping [outro dos 12 peticionários], mas não estou autorizada a visitá-lo. Eu não sei o que está acontecendo com outros”, disse Mei.

Cada peticionário bebeu cerca de 50 mililitros de pesticidas, segundo um peticionário de sobrenome Wang.

Outros suicídios

Outros oito peticionários de Wuhan chegaram a Pequim em 10 de dezembro também planejando suicídio. Estes eram da vila de Lujia, no distrito de Jiangan, que também teve suas casas demolidas.

“O governo local não resolve nossos problemas de demolição”, disse uma peticionária anônima de Lujia ao Epoch Times por telefone. “Nós oito iremos à Praça da Paz Celestial para beber pesticida, porque nossos problemas não podem ser resolvidos mesmo que voltemos. Esqueça! Nós cometeremos suicídio. Perdemos nossas casas de qualquer maneira.”

“Toda vez que visitamos os governos distrital e provincial para relatar nossos problemas, nenhum departamento quer nos receber ou ouvir”, disse ela. “Toda vez que apelamos, fomos espancados por eles, e colocados em prisões negras. Não podíamos sobreviver lá, nossa única opção foi vir a Pequim e usar um método extremo.”

Os funcionários em Wuhan foram avisados em novembro que as demolições forçadas lá estavam levando os residentes ao suicídio. Um grupo de mais de 30 peticionários se reuniu em frente à Secretaria de Apelações em Wuhan em 20 de novembro e apresentou uma carta afirmando que, depois de buscar compensação do governo por três anos, eles estavam consideravam o suicídio coletivo em Pequim.

A carta dizia: “Agora não temos saída e não aguentamos mais, tanto física como mentalmente. Nós perdemos a esperança, e a realidade nos obriga a cometer suicídio em Pequim, para nos libertar desse sofrimento.”

Segundo os peticionários, o governo local no distrito de Jiangan começou a demolição de casas em outubro de 2010, em preparação para a reconstrução urbana. As autoridades locais identificaram os trabalhadores migrantes que se estabeleceram em Wuhan e compraram suas casas usando regras diferentes.

Os moradores da área receberam 3.456 yuanes (US$ 569) por metro quadrado como compensação, enquanto os residentes migrantes obtiveram 400 yuanes (US$ 66) por metro quadrado. Quem não assinou o acordo de demolição teve suas casas demolidas à força da mesma forma.

O peticionário Cai Huiqin, um morador migrante no distrito de Jiangan, disse ao Epoch Times num artigo anterior que os moradores migrantes lá compraram os terrenos legalmente dos comitês de vila do Partido Comunista com seu próprio dinheiro suado, construíram suas casas e viviam lá por mais de 10 anos.

Agora, suas casas foram demolidas sem qualquer remuneração ou assistência de reassentamento, e os benefícios e direitos dos moradores migrantes foram negados, disse Cai.

A condição de saúde dos peticionários que beberam pesticida é desconhecida no momento, e a mídia chinesa mantem silêncio sobre o assunto.

 
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