ARTIGO - Publicado em - Atualizado em 22/01/2017 às 17:41

A doença da luta de classes

A crença comum, enraizada nas origens do comunismo, compartilhada pelas democracias atuais

Luta de classes (Epoch Times)

Luta de classes (Epoch Times)

Quando a União Soviética entrou em colapso, Ryszard Legutko, o ministro da educação da Polônia, teve a impressão – compartilhada por muitos – que apesar da Polônia ter transitado do comunismo para a democracia: ainda se sentia como comunista.

“O novo sistema começou a mostrar sintomas que a maioria dos analistas políticos ignoraram e que alguns, inclusive eu, acharam mais perturbadores”, afirmou em seu recente livro, “O Demônio na Democracia: Tentativas Totalitárias nas Sociedades Livres”.

Ele escreveu: “Por incrível que pareça, o último ano do declínio do comunismo teve mais do espírito de liberdade do que o período após o estabelecimento da nova ordem”. Ambos os sistemas, disse ele, pregam uma ideologia que tenta dizer para cada pessoa “como pensar, o que fazer, como avaliar eventos, o que sonhar, e que linguagem usar.”

A infeliz realidade é que quase todos os sistemas políticos compartilham elementos que estão na raiz dos sistemas totalitários, incluindo o comunismo. Durante toda a modernidade no Ocidente, sempre houve uma tensão entre crenças tradicionais e novas formas de pensar, mas o comunismo exigiu uma ruptura forçada através do governo com o velho, com o tradicional.

“Ambos os sistemas geram – pelo menos em suas interpretações ideológicas oficiais – uma sensação de libertação dos laços antigos”, afirmou Legutko.

Ele descreveu o comunismo “como um sistema que iniciou a história novamente” e como uma prática “contra a memória”. Aqueles que se opuseram a essa destruição forçada de tradições e crenças também estavam “lutando pela memória contra o esquecimento, sabendo muito bem que a perda de memória reforça o sistema comunista, tornando as pessoas indefesas e maleáveis”.

As raízes desses sistemas modernos começaram com idéias políticas que vêm se desenvolvendo em nosso mundo há mais de 150 anos. É uma ideologia baseada na destruição do velho mundo, na criação de um novo, e na coerção forçada de quem se opôs a ele.

O comunismo tem como objetivo instilar as pessoas com um ódio ao divino, espalhar uma crença em nada fora de si, e criar uma cosmovisão baseada na luta.

“O Manifesto Comunista” (1848) afirma que o comunismo “abole as verdades eternas, abole toda a religião e toda a moralidade”. Continua a promover uma nova visão deformada do mundo, sob a idéia de que a história da sociedade é sobre “luta de classes”.

É uma ideologia que tomou o controle alterando nossa compreensão do passado, e virando-nos uns contra os outros.

Uma história sangrenta

O socialismo, o comunismo e o fascismo baseiam-se nas mesmas idéias: economias de planejamento centralizado nas quais o governo controla todos os meios de produção e mantém um controle penetrante sobre as escolhas diárias de um indivíduo. As lealdades dentro destes sistemas são mantidas através de uma cruzada fabricada e sem fim contra “inimigos de estado”.

A história do socialismo remonta à Revolução Francesa em 1789. De Paris, o socialismo se espalhou por toda a Europa, como detalhado no livro de 1890 de Moritz Kaufmann, “Socialism, Labour, and Capital”. O comunismo e o fascismo então se seguiram.

Karl Marx, entretanto, estava trabalhando para espalhar a ideologia socialista. Ele fazia parte de publicações socialistas, incluindo o Rhenish Gazette e o Deutsch-Französische Jahrbücher, publicado em Paris. Em 1848, Marx e Friedrich Engels escreveram “O Manifesto Comunista”, que promoveu um movimento mais agressivo baseado na idéia de revolução violenta.

O manifesto foi publicado pouco antes das revoluções socialistas que varreram a Europa em 1848.

Victor Hugo, autor de “Os Miseráveis”, expressou suas opiniões sobre esses movimentos em uma declaração publicada em maio de 1848. Ele afirmou que “o socialismo, ou a República Vermelha, são um só; pois derrubariam a tricolor e ergueriam a bandeira vermelha. ”

“[O socialismo] provocaria uma falência geral”, escreveu Hugo. “Isso arruinaria os ricos sem enriquecer os pobres. Destruiria o trabalho, que dá a cada um seu pão. Isso aboliria a propriedade e a família. Marcharia com as cabeças dos proscritos em piques, encheria as prisões com os suspeitos e as esvaziaria com massacres.

“Transformaria a França no país da escuridão. Estrangularia a liberdade, sufocaria as artes, silenciaria o pensamento e negaria a Deus.

A ideologia espalhada por toda a Europa e, inflamada ainda mais pelos ensinamentos de Marx, formou a base de regimes totalitários violentos que assombraram o século XX – incluindo aqueles governados pelo Partido Nacional Socialista sob Adolf Hitler, o Partido Comunista da União Soviética sob Josef Stalin, e o Partido Comunista Chinês sob Mao Zedong.

O líder italiano Benito Mussolini, um ex-marxista, transformaria as idéias em um novo sistema conhecido como fascismo. Ele a enquadrou em sua autobiografia de 1928 como um sistema sob o qual cada cidadão “não é mais um indivíduo egoísta que tem o direito anti-social de se rebelar contra qualquer lei da Coletividade”.

Hitler adotou o fascismo em seu Partido Nacional-Socialista e declarou em 1933 que, sob seu sistema, cada dono de propriedade “se consideraria nomeado pelo Estado” e que “o Terceiro Reich sempre manterá seu direito de controlar os proprietários de propriedade”.

Em “The Concise Encyclopedia of Economics”, Sheldon Richman descreveu o fascismo como “socialismo com um verniz capitalista” e observou: “O antagonismo dos líderes fascistas com o comunismo foi mal interpretado como uma afinidade para o capitalismo”, quando na realidade era porque Hitler via o comunismo como “seu mais próximo rival no que dizia respeito à fidelidade das pessoas”.

“Como no comunismo, sob o fascismo, todo cidadão era considerado um empregado e um inquilino do Estado totalitário, partido-dominado”, afirmou Richman. “Conseqüentemente, era a prerrogativa do estado usar a força, ou a ameaça dela, para suprimir mesmo a oposição pacífica”.

Quando a facção bolchevique do comunismo estava tomando o controle na Rússia, o autor G.K. Chesterton começou a publicar um novo jornal semanal em março de 1925. Nele, ele alertou sobre o surgimento de uma nova era do totalitarismo; elementos que, segundo ele, poderiam ser encontrados em quase todos os sistemas políticos modernos.

No primeiro artigo da primeira edição de G.K. Weekly, ele escreveu: “A coisa por trás do bolchevismo e muitas outras coisas modernas é uma dúvida nova. Não é apenas uma dúvida sobre Deus; é especialmente uma dúvida sobre o Homem.

“A velha moralidade, a religião cristã, a Igreja Católica, diferiam de toda essa nova mentalidade porque ela realmente acreditava nos direitos dos homens. Ou seja, acreditava que os homens comuns estavam vestidos com poderes e privilégios e uma espécie de autoridade”, escreveu ele.

“Agora, se a velha religião confiava no homem, a nova filosofia desconfia completamente. Ele insiste que ele deve ser um tipo muito raro de homem para ter qualquer direito nestas matérias; e sendo ele o tipo raro, ele tem o direito de governar os outros ainda mais do que ele mesmo”.

Quando a Guerra Fria se espalhou, o mundo era como um campo cultivado, onde a União Soviética semeava com prazer as suas sementes de discórdia social e desinformação para espalhar mais profundamente a sua ideologia totalitária.

De acordo com Legutko, sob a visão liberal-democrática moderna, professada por centenas de milhões, “o sistema político deve permear todas as partes da vida pública e privada”, estendendo-se a todas as partes da sociedade, incluindo “ética e costumes, família, igrejas, escolas, universidades, organizações comunitárias, cultura e até sentimentos e aspirações humanas”.

Independentemente da forma política da superfície, todo o mundo realmente foi vítima da disseminação de uma crença comum, enraizada nas origens do comunismo. É uma crença na destruição da crença e através dela, a destruição da crença na bondade e direitos do homem comum.

Os pontos de vista expressos neste artigo são as opiniões do(s) autor(es) e não reflectem necessariamente a opinião da Epoch Times

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