Documentário “Cuba, 60 anos” relata resistência dos cubanos à ditadura de Fidel Castro (Vídeo)

Já são 60 anos de "ditadura, a mais antiga ditadura do planeta nos tempos modernos"

Por Epoch Times

A ditadura comunista de Cuba está prestes a completar 60 anos no poder, e seu legado de ódio, sangue e violência foi denunciado em várias ocasiões, assim como o sofrimento que causou para seu povo.

A Radio y Televisión Martí, emissora que transmite para Cuba a partir de Miami, produziu um documentário chamado “Cuba, 60 anos” para narrar a resistência dos cubanos ao regime de Castro, que completará seis décadas de idade no dia 1º de janeiro.

O objetivo é contar a verdadeira história cubana, “não aquela reescrita há 60 anos pelo regime de acordo com seus interesses”, disse ontem (21) à Agência EFE Tomás Regalado, diretor do Escritório de Transmissões para Cuba, entidade oficial que administra Radio y Televisión Martí.

Tanto o documentário, composto de sete episódios de uma hora de duração cada, como os 35 programas de rádio de uma hora são também o resultado de um trabalho de pesquisa nos arquivos audiovisuais do Congresso, da Universidade de Miami e da própria Radio e TV Martí.

Fidel Castro e seu irmão Raúl, juntamente com Che Guevara, desde 1º de janeiro de 1959, quando as forças revolucionárias tomaram o poder em Cuba, planejaram e organizaram uma onda de terror cujo objetivo era intimidar e subjugar a população.

Em 2006, o The New York Times publicou a cifra de mais de 86 mil mortos, 9.231 mortos durante a revolução cubana e 77 mil cubanos mortos tentando fugir da ilha, com base na pesquisa realizada pelo Arquivo de Cuba, que continuou acrescentando vítimas daquele ano até superar os 10 mil mortos desde que Raúl Castro assumiu o poder.

"Fusilados 1959", obra pictórica de Juan Abreu (Domínio público)
“Fusilados 1959”, obra pictórica de Juan Abreu (Domínio público)

Essas mais de 10 mil mortes incluem casos de execução, assassinatos e desaparecimentos e incluem dezenas de menores, mulheres grávidas e catorze líderes religiosos, incluindo freiras católicas e ministros protestantes.

O novo documentário tenta mostrar a fundo o que realmente aconteceu em Cuba e como tudo aconteceu.

“Usaremos todos os meios legais para que este documentário seja transmitido em Cuba”. “Já estamos fazendo isso”, enfatizou Regalado.

Regalado disse que o sinal da TV Martí chega “absolutamente” à ilha toda e que recebeu “muitos e-mails” de cubanos expressando sua “surpresa” diante das informações sobre a história real desconhecida por muitos.

Para o documentário, além de uma investigação completa feita em arquivos, a Radio e TV Martí entrevistou mais de duzentas pessoas “protagonistas ou vítimas” do regime após o triunfo da revolução comunista, disse Regalado, ex-prefeito de Miami.

Na série, são mostrados vídeos inéditos dos golpes dados por grupos liderados pela Polícia Política às Damas de Branco protestando pacificamente na ilha, e testemunhos de presos políticos antes de serem fuzilados nos anos 60, que são os documentos históricos mais impressionantes.

Foto de 8 de outubro de 1957 mostra o líder cubano Fidel Castro (esq.) conversando com Ernesto "Che" Guevara (dir.) na floresta da Sierra Maestra, em Cuba (Arquivo/AFP/Getty Images)
Foto de 8 de outubro de 1957 mostra o líder cubano Fidel Castro (esq.) conversando com Ernesto “Che” Guevara (dir.) na floresta da Sierra Maestra, em Cuba (Arquivo/AFP/Getty Images)

Primeiro prisioneiro a morrer em greve de fome na Cuba comunista

Regalado destacou, bastante emocionado, a parte do documentário em que a mãe de Pedro Luis Boitel, “o primeiro preso a morrer em greve de fome em Cuba”, em 1972, conta de forma comovente seus sofrimentos e os abusos sofridos.

A ditadura castro-comunista tirou a vida de Pedro Luis Boitel após 56 dias de greve de fome.

Ele morreu na ala de quarentena da base militar de Castillo del Príncipe, em Havana, por falta de assistência médica.

Ele tinha 41 anos quando morreu. Seus últimos 12 anos foram passados nas prisões castro-comunistas, onde permaneceu sem esmorecer seu espírito de rebelião, até o ponto em que, tendo cumprido sua sentença de dois anos, foi forçado a permanecer na prisão.

Boitel é considerado um dos primeiros a se opor à tirania de Fidel.

Sua luta anticomunista na Universidade de Havana levou à sua prisão. Pedro Luis Boitel tornou-se um símbolo do sofrimento e heroísmo de todos os cubanos presos injustamente.

Pouco antes de sua morte, Clarita, mãe de Pedro Luis Boitel, entregou à organização Presidio Político Histórico Cubano-Casa do Preso os poucos pertences de seu filho que o governo lhe devolveu. Estes consistiam apenas de sapatos, um jarro, uma bengala e copos.

Algumas instituições cubanas foram responsáveis por preservar esse legado de violência em Cuba ao longo dos anos.

Memorial Cubano é uma organização patriótica sem fins lucrativos, criada e integrada por exilados políticos para salvaguardar a memória histórica da nação cubana desde janeiro de 1959, quando o regime comunista foi imposto, momento em que milhares de cubanos morreram por terem ideias diferentes às dos comunistas.

O projeto Verdade e Memória da organização Archivo Cuba documenta as mortes e desaparecimentos por motivos políticos durante a revolução cubana e estuda questões de transição sobre a memória, a verdade e a justiça.

Entre os documentos publicados pelo Archivo Cuba estão, entre outros:

A exportação de trabalhadores: tráfico de mão-de-obra praticado pelo Estado cubano

Quantos presos políticos existem em Cuba?

Mortes e Desaparecimentos Documentados por Archivo Cuba: Atualização de dezembro de 2017

Comunicado à ONU sobre violações do direito à vida em Cuba

Cuba 1959 até o presente: pelo menos 147 desaparecimentos forçados

Cuba em Angola: um negócio antigo e lucrativo dos Castro

Cuba: Dois anos à espera da verdade e justiça para Oswaldo Payá e Harold Cepero

É preciso investigar a morte de Oswaldo Payá e Harold Cepero

O Massacre do Rebocador, de 13 de julho de 1994

O Massacre do Rio Canímar, de 6 de julho de 1980

Cada um desses relatórios é uma denúncia dos crimes cometidos pelo regime comunista cubano e, ao mesmo tempo, são uma mostra da resistência dos cubanos a essa ideologia maldita.

Membros do grupo Damas de Branco durante uma manifestação contra o regime comunista em Havana, em 13 de fevereiro de 2011 (Adalberto Roque/AFP/Getty Images)
Membros do grupo Damas de Branco durante uma manifestação contra o regime comunista em Havana, em 13 de fevereiro de 2011 (Adalberto Roque/AFP/Getty Images)

A transmissão do documentário da Radio e Televisión Martí será concluída no próximo dia 5 de janeiro e, uma semana depois, no dia 12 de janeiro, será exibido na íntegra para o público no Teatro Manuel Artime em Miami, em uma “maratona matinal” que tem como objetivo mostrar para todos a “verdadeira história do que aconteceu em Cuba”.

Já são 60 anos de “ditadura, a mais antiga ditadura do planeta nos tempos modernos”, salientou o jornalista Tomás Regalado, diretor do Escritório de Transmissões para Cuba em Miami.

 
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